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Antes de mais delongas, digo logo que não sou a favor nem contra a permanência do Dunga no comando da seleção brasileira. Enquanto torcedor, o que me importa é saber se os jogadores vão ou não querer jogar tudo que sabem. Se quiserem, técnico é só um detalhe.
Também sei que ao Dunga pouco importa o que penso de sua permanência ou não. Como, aliás, acho que ele pensa da esmagadora maioria dos palpiteiros. Sendo assim, 0 a 0.
Mas, como acompanho todos os dias a longa e repetitiva discussão sobre quem vai assumir o comando da seleção, como se Dunga tivesse pedido ou recebido o boné, me acho no direito - ou será na obrigação - de indagar "que tal derrubar Dunga em 2009, digamos, depois do jogo contra a Itália, em Londres?
Sim, porque se já não via a menor chance de derrubarem-no ontem à noite, mesmo se o Brasil tivesse perdido para Portugal - assim como acho uma tolice pensarem que Muricy Ramalho será apresentado como novo técnico na festa dos melhores no mês próximo -, agora mesmo é que tenho certeza de que o Dunga comerá castanhas bem empregado no Natal.
Se por mais não fosse, pela goleada por 6 a 2 imposta aos patrícios, numa demonstração - e isso é deveras importante - de que os jogadores não entram na onda do "vamos derrubar Dunga".
Nem levantam a bandeira do Luxemburgo, cada vez mais marcado como um técnico à moda antiga, tipo eu sei tudo e mando em tudo, um chato. Nem a de Muricy, mais competente que Dunga - o que não é uma grande vantagem - mas sempre uma incognita quanto ao relacionamento com o grupo.
E se os jogadores não estão contra Dunga, quem, com poder para decidir e não apenas opinar, gritar, confabular, fofocar, irá decapitá-lo com base na opinião de que ele não sabe nada? Afinal, o Brasil se prepara para um campeonato entre técnicos competentes ou entre jogadores dispostos a ganhar títulos?
Como sempre esperam por uma grande derrota para aumentarem os gritos de "fora Dunga, fora Dunga...", e ela não veio ontem, é que pergunto mais uma vez, "que tal derrubar Dunga em 2009?
Ou, se preferirem, que tal deixá-lo trabalhar, bem ou mal, sei lá, sossegado, até que caia de maduro ou leve o time adiante? O negócio é derrubar Dunga para colocar alguém mais amigo ou mais simpático, ou é ter um time que jogue o que a gente acha que pode?
Bom Natal, Dunga. E Um Ano Novo cheio de vitórias. Mesmo você não sabendo nada.
Há 39 anos, nesse dia 19, no Macaranã lotado, contra o Vasco do goleiro Andrade, Pelé marcou, de pênalti, seu milésimo gol.
E durante a comemoração, enroscado em fios e sufocado por microfones, máquinas fotográficas e câmeras de televisão, pediu para que as autoridades olhassem melhor para as crianças pobres.
Discurso que muitos consideraram demagógico, esquecendo que ele próprio teve uma infância humilde, embora sem passar necessidade.
Mas, ainda que fosse o máximo da demagogia, discurso estudado e decorado, tudo isso, se Pelé tivesse sido ouvido e se tivessem transformado em atitude suas palavras, pergunto?
Viveríamos agora num país menos violento, menos duro, com menos assaltos em cada esquina?
Muitos daqueles garotos, os que sobreviveram à luta armada e às drogas, que hoje chegaram aos 39 anos, em liberdade ou presos, poderiam ter tido um destino melhor?
Vale e pena pensar, porque nunca é tarde, por mais que se lamente o tempo perdido. E se busque desculpas esfarrapadas.
Não sei porquê a preferência dos organizadores e da população local sobre o time a estar em campo para a reinauguração do Bezerrão, esta noite, era o Flamengo. Mas imagino que seja por ter o rubro-negro, também na região, o maior contingente de torcedores. Na mosca?
Disseram não ter sido possível por falta de data para o Flamengo - o Gama, time local, que seria seu adversário, daria um jeito - e de entendimento sobre o cachê a ser pago. Quanto à falta de data, tudo bem. Mas falta de grana? E os milhões que estão sendo gastos para Brasil x Portugal?
Mas, deixemos isso para lá, rezando para que a torcida que queria ver o Mengo em ação, não se decepcione com o banquete que lhe está sendo oferecido. Nem que mantenha a bronca revelada até ontem, não esgotando os ingressos colocados à venda. Não force os organizadores a distribuir ingressos à última hora, como fez no Engenhão, com Brasil e Bolívia.
A chance da torcida que for ao Bezerrão ver um jogo que compense o sacrifício de varar a madrugada, está das declarações dos técnicos das duas seleções. Dunga chegou a Brasília dizendo que a história de amistoso vale só para a torcida, não para seu time.
E Carlos Queiroz não deixou por menos, afirmando que o jogo para Portugal também é para valer.
Fica a torcida, e a expectativa de que Cristiano Ronaldo mostre porque é apontado como candidato mais provável ao título de melhor do mundo este ano, sendo acompanhado, do outro lado, por Kaká.
Amigos e torcedores não mostram entender apenas do jogo da bola mas, alguns, também de fazer graça.
O palmeirense Carlão Dábril pergunta se sei porque o novo apelido do Corinthians é Bovespa, e quando digo que não, ele emenda.
"É porque caiu, subiu, mas logo vai cair novamente"
João Batista Chapadão, que se apresenta como flamenguista de corpo e alma, indaga se sei qual jogador vai concorrer a uma cadeira na ABL. Digo, mais uma vez, que não, e ouço essa.
"É o Íbson, um craque letrado".
Fraquinha, não?
Como faz todos anos, e lá se vão mais de 20, o presidente do Palmeiras, Afonso Della Monica Neto, me liga para me desejar, com meus familiares, um Feliz Natal e um Ano Novo santo.
Desejei, também como sempre, toda felicidade ao amigo e cavalheiro Della Monica. Paz junto à sua família e no clube que dirige.