Comento jogos dos campeonatos português e alemão e fico intrigado com a quantidade de jogadores atuando não apenas nessas duas ligas, mas em tantas outras espalhadas por lá, incluindo países do oriente europeu, que nunca ouvi falar o nome - dos jogadores, bem entendido.
Em rápidas pesquisas, descubro que muitos nem passaram por clubes brasileiros de primeira e segunda categorias. Muitos, nascidos no norte e no nordeste, jamais passaram pelos campos do Rio, São Paulo, Minas etc. Voam direto de lá para o mundo desconhecido. O Corinthians das Alagoas é uma fábrica.
Nem todos ganham notariedade, nem era de se esperar. Mas alguns encantam, são endeusados e acabam defendendo clubes milionários e seleções importantes. Caso do zagueiro Pepe, do Real Madri e da seleção portuguesa, por exemplo.
Os que fazem voo direto parecem ter cabeça no lugar, tronco forte como pau brasil, membros ligeiros para fugir das botinadas e prolongar o máximo a carreira, para fazer o bom pé de meia.
A sensação que fica é que os que saem daqui cheios de pompa, custando boas fortunas, ganhando manchetes, são mais fracos nesses ou em algum desses quesitos.
Tirando os que fracassam em pouco tempo e voltam antes de enfrentarem a dureza do futebol de lá, por falta de condições técnicas ou psicológicas - e não são poucos -, a grande maioria dos que retornam o fazem por questão de cabeça, poucos, de tronco, também não muitos, e membro, a maioria.
Falando só de destaques, Leivinha, Casagrande, Falcão, Ronaldo, Edu voltaram por sentirem baleados os membros. Meus amigos Leivinha, que acaba de passar por cirurgia colocando prótese nos joelhos, e Casagrande mal conseguiam subir as curtas escadas que levam ao primeiro andar na Rede Globo.
Cerezo foi uma das exceções. Voltou e suportou a batalha. Outros, como Nilmar, Ricardo Oliveira, Amoroso, por serem ainda jovens e precisarem consolidar o futuro financeiro, vieram, se recuperaram - a medicina está muito mais avançada - e voltaram por cima.
Sócrates é um exemplo de quem foi e sentiu o tronco fraco. A cabeça pensava, mas os membros não respondiam à altura, porque o tronco não suportava o ritmo. Raí, de tronco, membros e cabeça fortes, superou a fase inicial difícil e, contrariando os que o queriam devolver, ficou e venceu. Fato raro.
De tronco e membros fortíssimos, o touro Adriano revelou não ter cabeça com igual potência e acabou, em duas oportunidades, voltando para buscar o equilíbrio necessário. Na primeira o tratamento recebido não foi o suficiente. Nessa segunda, pelo que vem mostrando no Flamengo, parece ir melhor, obrigado.
Como naturalmente será tentado a voltar para a terra do euro ou da libra, resta aguardar para saber como a cabeça suportará. Estará forte como o tronco e os membros, finalmente?
Os jornais italianos hoje falam de seu sucesso no brasileiro e da fase ruim de Ronaldo. Olhando cabeça, tronco e membros dos dois, esperavam o quê, carissimos?