9
de
fevereiro
Nenhuma surpresa
Semana que passou, meu filho Paulo, que vive fora e acompanha de lá as coisas do nosso futebol, de passagem por aqui, a trabalho, depois de me ouvir contar sobre a suposta noitada bancada por Ronaldinho em Milão, indagou de mim se o gaúcho irá à Copa.
Respondi a ele que não, com a mesma tranquilidade e certeza que tenho mostrado nesse cantinho em várias oportunidades. Nem ele, nem Ronaldo, nem Roberto Carlos. Nenhum dos que, culpados ou não, acabaram condenados pelo vexame da seleção de Parreira na Copa de 2006.
Depois do fracasso, vários dos envolvidos, de Parreira a Ronaldinho, passando por Ronaldo e Zagallo, concordaram que a seleção não se concentrou seu foco no torneio e que faltou pulso ao comando.
Ora, se faltou pulso forte ao comando, o que mais poderia fazer Ricardo Teixeira, presidente da CBF - que nessa hora se colocou fora do comando -, a não ser buscar alguém com a fama de ter pulso forte para colocar à testa da nova seleçã? Tirando Felipão, que não é bobo e por isso não aceitaria, quem melhor que Dunga?
Não chegaria com a pose de grande conhecedor do jogo da bola - não era esse o perfil de técnico que o Brasil precisava. Mas ainda trazia a lembrança de ter sido o capitão que colocou ordem na casa na Copa de 94, nos Estados Unidos, enquadrando o próprio Romário. Enquadrando?
Se desse certo, como vem dando, queiram ou não, "eu", poderá Teixeira gritar batendo no peito, "eu fui buscá-lo e o banquei". Se desse errado, Teixeira poderia facilmente dizer que apenas cumpriu o desejo daqueles, com a imprensa à frente, pediam alguém que acabasse com a bagunça.
Repare que a segunda hipótese não existe mais, ainda que a seleção faça mais um papelão. A culpa não será mais de Teixeira, porque Dunga cumpriu muito bem a primeira parte do show, classificando o time para o Mundial
E não seria agora, quando pode falar grosso e bater no peito - "sai uma geladinha aí", que Dunga, durão de cintura e de cabeça mudaria sua forma de ser. Que é a que todos pediam, para se verem livres de Parreira e Zagalo, boas pessoas. Boas demais.
Repare, também, que nem Teixeira, este por mais que deseje, nem Dunga, nem um nem outro diz abertamente que Ronaldinho, Ronaldo e até o lembrado por alguns, Roberto Carlos, estão fora. Só irão à África do Sul de ganharem passagem em algum concurso. Ou, quem sabe, se ganharem convite para comentar para alguma …
A resposta é uma só: "se o Ronaldo voltar a jogar como em 2002", diz Teixeira. "
E, "ou vocês (jornalista que ainda insistem) estavam errados em 2006, ou estão agora", fala Dunga, de forma mais direta e para alvo diferente.

