Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

4

de
julho

Dias para serem recordados, mas não repetidos

O Cruzeiro é o Brasil na Libertadores, disseram os verdadeiros e falsos Pachecões quinta à noite, logo que o time mineiro despachou, como esperado, o Grêmio.

Cruzeiro é Brasil, uma ova, devem ter gritado de imediato os atleticanos. Sem falar em tricolores, gremistas, colorados…

Como dor de cotovelo dá e passa, "eles que se matem", devem estar respondendo os estrelados.

Que precisam recordar, mas não podem deixar repetir, a chance perdida para chegar à final do mesmo torneio, em  junho de 75. A chance, não, as duas chances, o que foi mais dramático e triste.

O Cruzeiro foi à Argentina enfrentar o Rosário e logo em seguida o Independiente. Nos dois jogos, bastava empatar um. Ou até perder os dois por no máximo quatro gols de diferença.

Um empate ou quatro gols. Acabou perdendo os dois jogos, com cinco gols de diferença. 3 a 1 diante do Rosário e 3 a 0 contra o Independiente.

E naquela noite em Avellaneda, ainda teve quem se lembrou de outro fiasco, em 67, quando caiu diante do Penarol e do Nacional, do Uruguai.

 

 

4

de
julho

Cachorro quente é fria

Antigamente colocava-se a culpa na azeitona, depois de uma longa noite papeando com amigos, sem dormir.

Hoje, sinal dos tempos, a culpa é do cachorro quente, saboreado às seis da matina num quiosque na praia.

Se ainda fosse no verão e a maionese tivesse desandado…

Cachorro quente quando o sol vai raiando, é fria. Que só esquenta com dois gols.

3

de
julho

Adriano e Maradona. Diferenças

Historinha ouvida de um antigo companheiro de Maradona, nos tempos do Napoli.

Maradona, estrela maior, estava liberado, por contrato, de treinar nas terças-feiras. Jogava no domingo e só tinha a obrigação de se apresentar na quarta.

Um dia, o Napoli viajou na segunda-feira para Moscou, onde disputaria partida pela Copa da UEFA, e Maradona não apareceu. O contrato dava a ele esse direito, mas tratando-se de um jogo importante, os companheiros achavam que ele devia ter ido com o grupo.

Como não apareceu em Moscou na terça-feira, para o tal treino de reconhecimento do gramado, o técnico disse aos jogadores que queria virar um gato se Maradona aparecese na quarta-feira, dia do jogo, e ele o escalace.

Maradona apareceu de jatinho, com dirigentes e, mesmo sem treinar, foi para o banco. Na hora "h", vendo o jogo difícil, o técnico mandou que ele entrasse.

Jogo terminado, Careca, Alemão e cia, escondidos do técnico, no vestiário, passaram a miar.

O que é que Adriano, que hoje não apareceu pela terceira vez para treinar, tem com Maradona? Nada. Nem em qualidade de futebol.

Mas, pensando no contrato do astro argentino, o Flamengo bem que poderia colocar uma cláusula no contrato com Adriano, parecida com a de Maradona: "treina quando quiser e puder"

Assim, a imprensa, chara, não ficaria indagando os motivos de suas ausências.

 

3

de
julho

Até tu, Maradona?

Diferente de Dunga, técnico da brasileira, Maradona não vive momentos de tranquilidade na direção da seleção argentina.

Ninguém parece duvidar que seu time estará na África do Sul, mas para ficar com uma das vagas precisa não bobear. E não bobear, significa começar ganhando do Brasil, próximo adversário pelas eliminatórias, em setembro

O jogo será na Argentina e, a princípio, está marcdo para o Monumental de Nuñes, maior estádio do país.

Mas Maradona - quem diria?, quer levá-lo para Rosário, palco daquele fatídico 0 a 0 entre as seleções, na Copa 78.

Motivo? Aumentar a pressão da torcida sobre o time de Dunga

Até tu, Maradona?

3

de
julho

Finalista moral

Paulo Autuori, sempre bastante comedido nas palavras, quem diria, caiu em tentação e disse que o Grêmio, que dirige, foi melhor que o Cruzeiro nas duas partidas pelas semifinais da Copa Libertadores.

Como foi derrotado nas duas oportunidades - 3 a 1 e 2 a 1 - vejo o Grêmio como finalista moral.

 

3

de
julho

Como nos tempos da Fenit

Há alguns anos, era montada uma Feira de produtos industriais no Anhembye o chamamento era feito com um anjinho dizendo no ouvido da figura para ir à feira e um diabinho dizendo no outro ouvido para ele não ir.

Pois é assim que andam fazendo com Muricy Ramalho. Amigos dizendo para ele aceitar o convite do Palmeiras e outros dizendo para ele fugir da tentação. Aqueles, querem que Muricy prove à direção do São Paulo que não devia ser demitido. Estes, alertando para as cobranças que receberá, se os resultados não forem ótimos.

Há, também, os amigos que ainda acreditam que a cabeça do Tite acabará rolando e um quarto grupo que torce para ele acabar no Santos. Estes, até falam do apartamento que ele tem no Guarujá, para morar.

Enquanto ouve o anjinho e o diabinho, Muricy, ontem à noite, esqueceu a pizza que gosta e foi saborear um com churrasco, ali mesmo no Butantã, perto de onde mora, com amigos de infância, dos tempos do Dente de Leite no São Paulo.

Um deles me disse que trocaram a pizzaria pela churrascaria para não dizerem por aí que Muricy, saboreando uma pizza, estaria dando "ok" ao Palmeiras.

Ao que respondi: e saboreando uma bistequinha de porco não vai dar no mesmo?   

2

de
julho

Papo de amigo leitor

O Corinthians venceu, ganhou vaga na Libertadores de 2010, quando completará seu centenário de fundação, mas nem por isso, corintianos e "inimigos" se preocupam apenas com a conquista. Reclamando que minha caixa está cheia e os e-mails voltando, alguns pegaram no telefone:

"Zé, já imaginou quantos títulos já teríamos na coleção, se o Duailib, o Nezi e seus amigos não tivessem existido"?, gritou Alberto Pezão. 

"Senhor Aquino, só porque ganharam um título comum, que tantos outros já ganharam, o Palácio do Planalto vai parar por horas de trabalhar? Isso é o fim do mundo. Já imaginou se eles um dia ganhassem - é isso mesmo, seu Aquino, ganhassem - uma Libertadores e um Mundial de verdade, como meu São Paulo já ganhou três, o que aconteceria? O Lula decretaria três dias de feriado nacionbal? Desfilariam em Paris? Ganhariam passaporte?", desabafou a torcedora que se identificou como Bruna.

"Zé, te devo uma caixa de Original. Devo, não nego e vou pagar", lembrou o Fortuna, com quem "apostei" apenas uma garrafa. E ele, medroso, achava que daria Inter.  

"Zé Maria, aqui é o Carlos Henrique, sãopaulino com a graça de Deus. Por que será que eles se contentam com tão pouco?

Depois de mais umas dez mensagens do tipo, foi a vez da caixa do celular estourar. 

2

de
julho

Dois pesos duas medidas?

Na Terra-Tv está rolando imagem do Ronaldo mostrando o dedo anular, o que é considerado um gesto obsceno, para os torcedores do Internacional, ao final do jogo de ontem, no Beira-Ro.

Quando, no final do jogo contra o São Paulo, pelo Paulista, Cristian, do mesmo Corinthians, fez gesto igual, com as duas mãos, pegaram no pé dele. Na Justiça comum e na esportiva, com ameaça de até seis meses de cana.

Nem a favor, nem contra, só uma indagação:

Os doutores da lei buscarão a imagem e farão com Ronaldo igual fizeram com Cristian? Ou deixarão pra lá, aliviando a barra do Cristian?

2

de
julho

Férias de julho

Os deputados que votaram pela absolvição do "Príncipe das Alterosas", ganharão férias de graça no seu rico castelo?

2

de
julho

Falta o Cruzeiro

O Corinthians, no Beira Rio, e o Independiente, em Montevidéu, mostraram essa noite o que tenho colocado aqui e por onde ando, que vai longe o tempo em que o melhor era jogar a segunda partida em casa, no tal do mata-mata. Era o tempo do campinho pequeno, com a torcida pressionando - jogando moedas, pilhas e tudo mais - o adversário, sem câmeras de televisão para denunciar a farra do boi.

Depois que os grandes estádios foram construídos - e aí pode-se deixar o velho Pacaembu - , as câmeras se multiplicaram e, por consequência as desculpas e o medo - a festa acabou. O melhor é jogar a primeira em casa, fazer o resultado e deixar o desespero para o visitante na partida de volta. Um desespero que aumenta com a cobrança da torcida gritando por uma reviravolta difícil de acontecer. Quando não com sua desconfiança.

Claro que o time que recebe em primeiro lugar tem de ter qualidade, porque se não tiver, também não adianta nada jogar a segunda em casa - a vaca já terá se atolado.

Depois do Corinthians, que empatou em dois gols com o Internacional, em Porto Alegre, e ficou com a Copa do Brasil, e o Independiente, que venceu o Nacional, por 2 a 1, em Montevidéu, resta o Cruzeiro confirmar a tese esta noite contra o Grêmio, no Olímpico. Na primeira, o time mineiro, fazendo bem seu trabalho, passou por 3 a 1.

Com que ânimo e com que controle emocional o Grêmio vai para o Olímpico? A vaga na final da Libertadores, pegando o Independiente, será do vencedor desta noite, porque restam 90 minutos de bola rolando. Mas só seré do Grêmio se o Cruzeiro mostrar-se muito incompetente. 

 

1

de
julho

Mexendo com emoções

Durante minha costumeira caminhada matinal, ligou-me o amigo Leopoldo, sangue espanhol, corintiano, naturalmente, que atende por Kokinho. Queria convidar-me para ver Internacional e Corinthians no Benjamim, boteco da melhor qualidade. Original trincando, porções de pastéis, mandioquinha e picanha fatiada na chapa para ninguém botar defeito, bem aqui no Campo Belo.

Respondi ao Kokinho que não ia dar. À noite, a partir das 21, estarei comentando sobre a decisão da Copa do Brasil, ao lado do competente Marcelo do Ó, na Terra-Tv. Depois do trabalho irei para casa.

Kokinho entendeu, mas antes que desligasse lembrei a ele que estivemos juntos lá mesmo no Benjamim na decisão contra o Sport, ano passado, quando ele, alegando que a mulher não se sentia bem, deu o fora quando o time pernambucano fez um gol, e que seu Corinthians não tinha dado sorte.

Kokinho, que não tinha se tocado,  respondeu que não é supersticioso e que irá curtir o telão do Benjamim assim mesmo.

Falou, mas não senti firmeza em suas palavras. Com grilos na cuca, colocados por pura maldade, acho que ele não vai. E perderá a chance de comemorar o segundo título no ano ao lado da turma que costuma ser bem animada. 

 

 

30

de
junho

E viva o varal

O site do Real Madri saiu do ar algumas vezes hoje, depois que a camisa que será usada por Kaká foi colocada à venda, tantos eram os pedidos.

Cada camisa para adulto custa o correspondente a R$234,33. Para criança fica por menos: R$194,00

Por aqui, a camisa do Corinthians vale R$199,90. A do São Paulo custa R$159,00

O Salário Mínimo na Espanha é de 600 euros, mais ou menos R$1.650,00. O maior Salário Mínimo por aqui é R$505,00, pago pelo governo paulista.

É preciso fazer as contas para explicar porque o torcedor compra as piratas?

30

de
junho

Fazendo leitura

Não há desculpa mais fácil, usada, antiga, esfarrapada e mentirosa do que estatística tentando mostrar que o time tal está sendo beneficiado pelas arbitragens e que o time tal está sendo prejudicado. A não ser em casos raros, como o do UM, ZERO, ZERO. Lembra-se?

Assim como não existe cartola que nunca mandou um presentinho - kit vestiário, por exemplo, camisa, calção etc - para os árbitros que apitam os jogos do seu time. Por quê? Ora, para agradá-lo, na esperança de que ele, na dúvida, apite a favor de seu time. Ou mais, ora, ora.

Sem falar em kits mais especiais, como o Madona, por exemplo.

Na nova onda de mostrar "erros da arbitragem", que nunca mostram os erros a favor - por quê será? -, além do DVD do Internacional, surge agorinha a bronca do São Paulo, dizendo que nos últimos 45 jogos não teve um único penaltizinho marcado a seu favor. Um único…

O que me leva a pensar:

Será por culpa das arbitragens, ou porque seus atacantes nem conseguem chegar - para ali cair - na grande área adversária? 

 

29

de
junho

A volta da democracia

Por várias vezes conversei com jogadores e ex-jogadores sobre precisarem levar puxões de orelhas de treinadores, o que chamo de "vida de mulher de malandro" e na esmagadora maioria das vezs eles acharam que as broncas são necessárias. Quem mais me causou surpresa foi Casagrande, um dos líderes da chamada Democracia Corintiana dos anos 70/80.

Acredite Válter Casagrande, ele mesmo, disse-me que jogador precisa levar bronca para não sair da linha.

Hoje, citando o Barcelona, que não se concentrou e ganhou os títulos espanhol, da Copa do Rei e da Copa dos Campeões este ano, Ronaldo acaba de criticar as concentrações que, disse, não permitem aos jogadores passarem mais tempo com seus familiares.

Mesmo lembrando que ele não é exatamente o melhor exemplo de homem caseiro, que não se envolve em encrencas nada recomendáveis a um atleta, ainda mais na sua situação, com sua fama, aprovo cem por cento sua proposta de abolir as concentrações, naturalmente que dando aos jogadores ampla liberdade, assim como cobrando deles total responsabilidade por seus atos.

Pelos anos 50, o São Paulo aboliu a concentração - talvez por medida de economia, já que construia o Morumbi. Entre 22 e 24 horas, um funcionário do clube passava nas casas dos jogadores para que assinassem o ponto na véspera dos jogos. E muitos, naturalmente, saiam de casa assim que o funcionário virava a primeira esquina.

Quando Ronaldo agiu em desacordo com as normas estabelecidas pelo Corinthians, visitando a noite de Presidente Prudente e se irritando com os porteiros do hotel que não permitiram a presença de pessoa estranha em seu apartamento, a direção do clube prometeu multá-lo. Se multou ou não multou, ninguém sabe, ninguém viu.

Nem a eventual e prometida multa, por mais elevada que fosse, fez - ou teria feito - diferença em sua conta bancária. Talvez, quem sabe?, tenha feito na sua forma de pensar, já que deseja mais tempo para a família e não para curtir a noite - o que tem todo direito de fazer.

O fim da concentração, que em algumas situações, sabe-se, serve melhor aos "propósitos" do que o direito de ficar em casa, vigiado não pelo amigo segurança, mas pela "patroa" e o nenem que chora, serviria para aumentar a responsabilidade dos jogadores, que devem cuidar do físico, e, numa época de clubes cada vez mais no vermelho, ajudá-los a fazer economia.

Algo errado? Só se for o medo de punir, de verdade, o jogador que não aproveitasse o tempo para curtir a família - ainda que fosse pai e mãe - e decidisse curtir a loira e algumas loiras. Nesse caso, a fiscalização, não nas bocas, mas no campo, seria feito pela torcida. Das arquibancadas.

Seria a volta da democracia, não necessariamente apenas a corintiana, nem nos moldes daquela.   

29

de
junho

Um dias eles vai ver com nóis

Juiz condena o responsável por uma das maiores e mais longas fraudes no sistema financeiro a 150 anos de prisão.

Calma, companheiros, não soltem foguetes.  Ainda não foi aqui, foi nos Estados Unidos, que mandaram encanar o megainvestidor Bernard Madoff.

Mas um dia os daqui também vai ver com nóis

Nem que seja no dia de São Nunca, mano

29

de
junho

Culpado continua sendo Pelé

No final do primeiro tempo de Brasil x Estados Unidos, mesmo lembrando daquela bobagem que alguns pregam, dizendo que resultado de 2 a 0 é  perigoso para quem está vencendo - as estatísticas provam que em menos de 25% dos casos acontece uma virada -, fiquei imaginando as explicações que seriam dadas por Dunga e cia, caso a vaca fosse para o brejo.

1. "Os jogadores estavam cansados porque vieram do final da temporada na Europa"

2. "O frio estava insuportável para nós brasileiros."

3. "As cornetas soam como um inferno e atrapalharam nosso time"

4. "Eles jogaram fechados e enervaram nosso time. Não gostamos de enfrentar adversários assim. Gostamos de enfrentar adversários fortes, que jogam e deixam jogar"

5. "O árbitro…."

Lembrei dessas e de outras preciosiddes, sempre usadas e ouvidas sem contestação, e acrescentei uma que imagino não ter passado pela cabeça de ninguém:

Culpado é o Pelé, que há 34 anos, em troca de "míseros" 5 milhões de dólares por três anos de contrato com o Cosmo, inventou de ensinar os gringos, acostumados com bola bicuda, jogada com as mãos, a controlarem a redondinha com os pés.

Ok que mais meninas que meninos jogam o "soccer" por lá, que os gringos continuam se alimentando mal, embora tendo mais dinheiro no bolso, e por isso crescendo e engordando muito, preferindo os esportes em que os marcadores se movimentam mais vezes e dão salários muito mais elevados.

Ok tudo isso e muitas coisas mais. Até que ainda não interessa aos donos do futebol que eles, por não cultivarem campeonatos regulares e fortes por lá, ganhem títulos importantes como, por exemplo, um mundial. Mas que os "Ratinhos" estão proliferando, que mais jovens com sangue latino nas veias estão nascendo por lá, amando a terra em que nasceram, lá isso estão.

E logo, logo, estarão obrigando zagueiros como Lúcio xingarem mais os adversários, atacantes como Luiz Fabiano a fazeram muitas faltas e levando cartão amarelo, a craques como Kaká correrem como nunca e mostrarão que a ginga do Robinho não quebra mais a cintura de nenhum gringo.

27

de
junho

É só levar a nota

Disseram que Muricy não recebeu salário nos últimos dois meses e no São Paulo desmentem.

Deve sim, mas é só o correspondente a um mês de direito de imagem, dizem

Que só não foi pago porque Muricy não entregou a nota fiscal, completam

É só entregar a nota que o depósito será feito, garantem

Fica o aviso. 

27

de
junho

Além das botas

Tio Eustáchio costumava dizer, naturalmente que repetindo alguém, que "o combinado não é caro nem barato". Vale dizer, nenhuma das partes contratantes deve reclamar de alguma coisa, caso o leite venha a ser derramado.

Tio Eustáchio falava assim nos tempos em que o fio do bigode valia mais que qualquer assinatura, confiança que deixou de existir nesse mundo cheio de barbudos. Hoje, infelizmente, a razão está com o amigo Élton Simões, quando diz, exigindo que tudo seja documentado, que "o que não está escrito não está no mundo".

Não conheço os termos do contrato de Vanderlei Luxemburgo com o Palmeiras. Imagono que ñele não esteja definido o que seja quebra de hierarquia. Nem acho que seria preciso.  Tá na cara, e não é barba, que os gatos não devem ir além das botas - sem precisar de aviso na parede.

Entenda-se por gato, aqui, não apenas os empregados, mas também os empregadores. 

Às vezes uma parte permite que a outra avance um pouco o sinal sem adverti-la. Às vezes, ainda, a parte avança mais um e mais outro passo, até tornar a situação insuportável. Nesse caso, penso assim, não cabe ao que rompe os limites alegar direito adquirido.

No Palmeiras, como foi no Santos e no Corinthians, times que dirigiu, Luxemburgo, proibido ou não por escrito, falou mais do que devia de coisas fora de sua alçada. Foi um engano permitirem que tantas vezes fosse tão longe, mas não há como condenar a decisão da diretoria do Palmeiras em dar um basta. Antes tarde do que nunca.

Ao dizer publicamente que um atleta, empregado como ele, não jogaria mais sob seu comando, porque não ligou para se despedir dele e dos companheiros, Luxemburgo foi além das botas. Muito além 

26

de
junho

Hora de falar grosso

Quando defendia o Fluminense, Samarone ganhou o troféu Bola de Prata, da revista Placar, bem pertinho da época de renovar seu contrato. Quando foi chamado para discutir o assunto, Samarone colocou o troféu sobre a mesa do diretor e disse mais ou menos assim:

"Antes de falarmos em números, quero que saiba que fui eleito o melhor da minha posição no Campeonato Brasileito. Dessa forma…

Neguem agora ou não, a grande maioria esperava que o Brasil de Dunga desse uma surra na África de Joel Santana, provavelmente colocando em risco seu futuro por lá.

Joel Santana montou direitinho seu time, que defendeu-se bem, atacou mais e esteve muito próximo de uma vitória histórica, daquelas de derrubar gigantes. Não ganhou o jogo, por razões que todos ja viram, mas mereceu elogios sinceros de ninguém menos que Beckenbuaer.

O bastante para, fosse ele mascarado, chegar para os que viviam caçoando de seu inglês esforçado e dizer:

"I can not be de better, but I am one of them. If you all do not believe, ask to Mr Beckenbauer. And fuck you all. 

26

de
junho

Qual será o novo ás?

Escrevendo de trás para frente, coisa muito comum no futebol, depois da vitória apertada (1 a 0) sobre a África do Sul, que teve chances para marcar antes e mais, Dunga disse que colocou Daniel Alves, faltando seis minutos para o final, porque ele é um jogador rápido e bom nas bolas paradas.

Falou, e parece ter convencido aos companheiros. Assim, como se um jogador de poquer sábio e sortudo, tivesse pedido a carta que precisava para fechar o jogo e limpar a mesa.

Não valeria a pena perguntar ao Dunga qual o "ás" que ele usará domingo, contra os americanos, caso seja preciso?

 

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