25
de
setembro
Para o bem de Ronaldinho
Não pode haver brasileiro que goste de futebol que não torça sempre para o bem da seleção. Não necessariamente como faz o mestre Zagallo ao bater no peito e dizer "eles têm de engolir a amarelinha".
Muitas vezes, torcer para que a seleção perca alguns jogos pode significar torcer a favor. A favor de um time melhor, de convocações puras, sem interferência de empresários, patrocinadores, dirigentes. Um time que não engane antes e dê vexame depois, quando para valer.
Bom pai, ensinam pedagogos e psicólogos, não é aquele que dá tudo que o filho pede e até o que não pode. Mas o que dá o que sente que deve dar e que cobra, duro, tudo que é preciso cobrar. Ainda que o filho chore hoje, para que não o faça amanhã.
Hoje, na participação no programa NA BOLA - de segunda a sexta, ma Rede Brasil de Televisão das 13 às 14h -, opinei que Ronaldinho não tem mostrado futebol para continuar na seleção, mas que ele acabaria sendo chamado, porque há um acordo tácito entre a CBF e seus patrocinadores para recuperá-lo. O que, acontecendo, será bom para todos.
Mas não em jogos eliminatórios. Mas não fingindo que não é essa a proposta, e sim que sua presença se deve ao seu belo futebol - há muito escondido.
Errei, e com o maior prazer. Dunga - nunca digo que é outra pessoa, porque ele diz que não recebe interferência de ninguém, e eu não tenho prova do contrário - deixou Ronaldinho fora da lista para os jogos contra a Colômbia e Venezuela, ao mesmo tempo em que chamou Kaká, como era sua obrigação fazer.
Ronaldinho não jogava no Barcelona desde março e o time catalão fez de tudo para se livrar dele. Sua ida para o Milan, um grande clube como o Barcelona, caiu do céu, mas não sem um alto custo - que ele volte a jogar pelo menos 80% do que mostrava nos primeiros anos de Barcelona.
Ou joga, ou comerá o pão que o diabo amassou com o rabo. Amargará por cada euro faturado sem que corresponda em campo. Estar esquentando no banco do Milan sua trazeira roliça já é um alerta do técnico Ancelotti, para seu bem. E que Dunga, em bom momento, endossou esta tarde.
Tivesse mantido Ronaldinho na lista e, por teimosia ou, como alguns gostam de afirmar, por imposição, no time, estaria fazendo um mal ao jogador que, aos 28 anos tem tempo para se recuperar. Se quiser. Ou se conseguir.

