29
de
setembro
O duelo dos pampas
As análises mais coerentes sobre os candidatos ao título no início do campeonato apontavam Palmeiras, Cruzeiro, Internacional, São Paulo e Flamengo, bem nessa ordem.
O Inter entrava no grupo por ter mantido seus jogadores e pelas contratações de outros de alto nível, mas acabou vivendo longo fase irregular, provocada pela saída de Abel, as dúvidas sobre Tite para substitui-lo e pela demora para os reforços entrarem na linha.
Naquele momento, nem de longe se pensava no Grêmio, visto como um time que jogava sério, duro, mas um elenco enxuto demais. E que também tinha trocado de técnico: Vágner Mancini, que não agradava a alguns dirigentes, por Celso Roth, que não tinha a aprovação da torcida.
De repente, com os demais eleitos candidatos falhando - Palmeiras e São Paulo perdendo fora de casa; Cruzeiro perdendo dentro e fora para adversários menores e Flamengo traumatizado com a saída da Libertadores, o Grêmio entrou no páreo.
O que antes eram defeitos, passaram a ser vistos como qualidades. O time jogava sério, duro, não perdia jogos bobos em casa e ganhava alguns importantes - como do São Paulo, por exemplo - fora. Não dava espetáculo, mas cumpria seu papel, mantendo-se na liderança.
Há três rodadas, porém, o time começou a despencar. Começando por perder para o Goiás, no Olímpico, depois empatando com o Atlético Paranaense, em Curitiba e por fim sendo humilhado pelo Inter, no Beira-Rio.
É 2o, com os mesmos 50 pontos ganhos que tem o líder Palmeiras - leva vantagem de uma vitória -, pode perfeitamente voltar à liderança e conquistar o título, mas carrega nos ombros o fardo pesado da dúvida.
O que era defeito e virou predicado voltará a ser defeito? O elenco enxuto demais e o estilo sério e duro esgotaram suas possibilidades?

