3
de
outubro
Não, Luxa, pelo amor de Deus, não.
Quando repórter, nunca fui de fazer muitas perguntas. O JT dos primeiros tempos privilegiava grandes reportagens e a Placar, para onde fui em seguida, era semanal. Levei, digamos assim, vida tranqüila.
Mesmo assim, sempre admirei e respeitei muito a labuta dos colegas de rádio e do noticiário diário nos jornais.
Se antes, quando se podia conversar com os jogadores a qualquer momento, já não era fácil, imagino como deve ser terrível agora para os "latinhas" alimentar tantas "resenhas" - isso, mesmo editando e aproveitando as declarações gravadas.
Dá para entender ser impossível liberar geral, como antes, mas convenhamos não ser fácil trabalhar nas coletivas após os treinos, quase sempre com o técnico posando de gato mestre e dificilmente com o jogador pautado pelo "chefe".
Feito o jogo com as novas regras, só resta aos colegas engolir os sapos atirados pelos técnicos ou algum dirigente, que só aparece quando tem alguma coisa que ele quer dizer e interessa ao seu clube.
Com toda essa dificuldade, vem agora o Luxemburgo, sob o pretexto de que distorcem o que ele fala, e ameaça parar de dar entrevistas.
A reação dos colegas bem que poderia ser "ok, combinado, pode descansar, vamos entrevistar jogadores ou falar e escrever o que observamos". Mas eles sabem que não pode ser assim, porque o "chefe" não aceitaria chegarem de volta sem a palavra do "professor".
Por isso, preocupado com esses companheiros de luta diária, dos quais também me alimento, "pelo amor de Deus, Luxa, não feche a boca, não".
Você não suportaria dois dias.

