Outro dia ouvi uma maldade daquelas que arrancam um sorriso no canto da boca. Diante da notícia de que o zagueiro Domingos estava completando 150 jogos com a camisa do Santos, alguém comentou:
"Isso é porque ele é grosso. Hoje em dia jogador bom é logo procurado e vendido. Não completa tantos jogos…."
A maldade trouxe saudade de um tempo que não volta mais. O tempo em que jogaodores vestiam a mesma camisa por até mais de uma década. Tempo em que o profissional também tinha amor pelo time que defendia. E de onde alguns jamais conseguiram se distanciar.
É importante amar as coisas, respeitar pessoas, animais, símbolos. O que nada tem a ver com a encenação de beijar o escudo ao ser apresentado como "reforço" ou ao marcar um golzinho.
Mas, da mesma forma que o profissionalismo já não permite que um jogador passe sua vida no mesmo clube, inventou-se há poucos anos - acho que foi um ex-jogador do Flamengo, cujo nome não me ocorre - essa coisa de não comemorar o gol marcado contra seu ex-time. Ou contra um deles, já que passam por tantos.
Fluminense, 19o, e Atlético Paranaense, 16o, se enfrentam no sábado, na Arena da Baixada. E o atacante Washington manda dizer que se marcar um gol não irá comemorar. Justificando ser "o clube que adoro", e "pelos bons momentos vividos no Furacão".
Não sei como reagiria à extremada declaração de amor de Washington, se fosse torcedor do Fluminense, um time na beira do abismo. Como neutro, acho uma grande bobagem. Manter um velho amor é importante, mas não tanto quando o respeito que o profissional deve ter pelo time que defende. Comemorar um gol não significa desrespeitar o adversário, mas, sim, respeitar a camisa que veste. Seus torcedores.