7
de
outubro
Os riscos que rondam o jovem Douglas Costa
Meus cabelos alvos ainda eram negros, quando comecei a me cansar de ser informado sobre o surgimento de novos gênios da bola. No seus primeiros e mais brilhantes dias, o J.T. mandava um de seus repórteres a Santos para ajudar na cobertura diária do grande Santos.
Era só transpormos os portões da Vila Belmiro, e lá vinha o Ernesto - misto de olheiro implacável e treinador de garotos - nos indicar mais uma "jóia rara". "Tá vendo aquele, é o Negreiros, melhor do que o Clodoaldo - que mal começava - um novo Zito, anote".
Nenem Belarmino nada devia a Pagão ou Mengálvio. Douglas era a cópia de Toninho Guerreiro. Era assim a cada dia, e não apenas no Santos.
Em todos os clubes nasciam - e logo "morriam" - grandes craques, que ou não traziam o dom do berço, ou viam a boa dose que traziam ser sufocada pelos elogios exagerados.
Lembro-me do Washington, nascido no Noroeste de Bauru e logo trazido para o Guarani, de Campinas, na época um time de primeira linha e com fama de revelar grandes jogadores, novos Zenon, Renato, Careca…
Washington, esguio, inteligente, toques sutis, sorriso franco em dentes alvos, logo foi apresentado aos franceses, num Mundial de Juniores, em Toulon, como um novo "rei", prontinho para a seleção principal.
Alguém se lembra dele? Acho que não. Alguém já reparou como a cada início do ano, quando São Paulo preenche as férias dos profissionais oferecendo aos torcedors a Copa São Paulo de Juniores os nomes destacados pela imprensa como revelados pelo torneio são sempre os mesmos, há anos aposentados? - Cerezo, Falcão, Casagrande…
No último Mundial sub 17 pintou bem um garoto ágil, atrevido, boa visão de gol, que atendia - e ainda atende - por Lulinha.
Mal chegou de volta a São Paulo e na esteira de Robinho, que acabava de assinar milionário contrato com o Real Madr,i e seu empresário, Vágner Ribeiro, que também cuidadava das coisas do ex-santista anunciou à imprensa, ávida de novos grandes craques, a vinda ao mundo da bola de um novo gênio.
Um pequeno gênio, dizia sem rodeios, por quem o Barcelona - tinha que ser um time milionário, rival do Madri que acabava de levar Robinho - estava disposto a pagar qualquer preço.
O Barcelona não pagou e nem apareceu, mas o Corinthians, disposto a não perder, mas, ao contrário, ganhar com o diamante bruto anunciado pelo empresário, tratou de assinar com ele um belo contrato, estabelecendo multa de US$50 milhões - mais do que o Manchester City acaba de dar por Robinho.
Se o garoto vale tanto, pensou logo o torcedor, com sua lógica distorcida, tem de jogar pelo que ganha. E não jogando, tome vaia…Se vingará ou não - e estão fazendo um bom trabalho para quem sim, deixando-o longe da grita da torcida - só Deus sabe.
Sábado, apertado pela diretoria que exigia vitória sobre o Botafogo, para esquecer a goleada diante do Inter, Celso Roth lançou no Grêmio o garoto Douglas Costa, 18 anos, boas qualidades.
O Grêmio venceu e o menino passou a ser visto, por muitos gananciosos, como uma realidade. Uma grande realidade, antes já vista pela direção clube que, lembrando da bobeada com Ronaldinho, que foi levado pelo PSG por um cacho de bananas - tratou de fixar sua liberdade em US$80 milhões.
Como os corintianos pensaram sobre Lulinha, o gremista tem tudo para achar, também, que Douglas Costa, valendo tanto - valer não significa dizer que pagam - tem de jogar pelo que vale. E aí, olhe só o tamanho da carga jogada nas costas do garoto.

