Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

12

de
outubro

Sempre serve para alguma coisa boa

Pelo menos nessa tarde, a seleção da Venezuela mostrou que continua a mesma, fraquinha, fraquinha, de outros tempos. Tomou quatro e poderia ter levado outros tantos, num jogo sonolento, ao ritmo de valsa em disco long-play, se o time brasileiro tivesse acompanhado Kaká e Adriano, acelerando mais os passos.

 

Não há jogo melhor para um time de boas qualidades, como é o do Brasil - boas, anote, e não ótimas, como tentam fazer parecer - que enfrentar um adversário que joga e deixa jogar. Sendo mais fraco, como é a Venezuela e hoje mostrou-se mais uma vez, na verdade tenta jogar e deixa o outro jogar.

 

E aí, para não parecer ranzinza e criticar tudo, dizendo que, além dos três pontos, o jogo não serviu para nada, acho que serviu para duas coisinhas: que Júlio César está cada vez mais se mostrando um baita goleiro, dono tranqüilo da posição, sem precisar que se pense em outros, como Marcos e Rogério Ceni, por exemplo.

 

E para reafirmar, caso ainda seja necessário, que Kaká faz a diferença, como jogador é como profissional, exemplo que poderia ser seguido por outros que o rodeiam. Não se apresentou quando sentiu que não devia - na época da cirurgia no joelho.

 

E, recuperado, voltou com a corda toda. Revelando que se é preciso um técnico durão, marrento para enquadrar alguns jogadores, para ele não. Quando marcou o primeiro gol, depois de ser abraçado pelos companheiros, foi, acho que alertado, cumprimentar Dunga. Como que dizendo, separe o jóio do trigo…

 

Pode ser que o amigo tenha visto algo mais, mas isso foi tudo que eu, bocejando, vi nesse Brasil-Venezuela.

12

de
outubro

Mostraria falta de vergonha na cara

Se, mesmo não torcendo para o Vasco, fui seu admirador como jogador e profissional, agora cada vez mais sou seu fã como presidente, e torço para que o time não seja rebaixado.

 

Por uma razão bem simples, e que todos devem conhecer. Roberto Dinamite não tem nada a ver com a triste situação em que o Vasco se encontra no Brasileiro.

 

Quando sentiu, lá atrás, que seria derrotado na Justiça e nas urnas, Eurico Miranda procurou minar o clube e o entregou numa situação triste. Faz pior cada vez que se manifesta, inclusive para assumir o futebol.

 

Nesse momento, mesmo vendo o time correndo sério risco, o que faria muitos outros presidentes oferecerem mundos e fundos à Comissão Técnica e aos jogadores para  o livrarem  da degola, Roberto Dinamite vem a público para dizer que não dará um único tostão a ninguém.

 

E tem plena razão, porque, como disse, o técnico Renato Gaúcho já ganha  seu (belo) salário e "o maior prêmio que poderá receber é cumprir bem com suas obrigações" .

 

Da mesma forma, a observação vale para os jogadores, que têm contratos assinados e recebem seus salários.

 

Nenhum jogador que tenha vergonha na cara, deve aceitar prêmio para salvar o time do rebaixamento. Seja o Vasco ou qualquer outro. Ele estaria assinando um documento dizendo que antes estava fazendo corpo mole. Sendo, portanto, mau profissional.

 

Se não se deve aceitar nem o tal "suborno branco", que dirigente muitas vezes oferece a jogadore de outro time para vencer um terceiro, imagine receber para correr mais do que já tem o dever de fazer!!

12

de
outubro

Torcida pode ajudar, mas não ganha jogo

Mal terminou Flamengo e Atlético Mineiro, ontem à noitinha no Maracanã, tocou meu celular. Dei uma olhada e como conheço o número do amigo Eduardo Bartoré, não atendi. Ele insistiu uma dúvia de vezes, mas ficou na caixa de mensagens.

 

Como eu, mais do que desconfiava, sabia, Bartoré queria apenas "lembrar", como deixou no recado, que torcida não ganha jogo e que "um dia farão campeonato de torcidas, para garantir vitórias ao Flamengo e ao Corinthians".

 

 Não há dúvida de que o Bartoré pega no pé, mas não deixa lá de ter suas razões. O Timão sofreu para empatar (2-2) com o Santo André, depois de estar perdendo por 2-0, no Pacaembu. E o Flamengo tomou de 3 a 0 do Atlético Mineiro, no Maracanã. Ambos estádios lotados.

 

O Bartoré sabe das coisas.

12

de
outubro

Se a história valesse muito, seria barbada

Brasil e Venezuela já se enfrentaram 18 vezes, e sempre foi uma covardia. A vitória era coisa certa, restando saber apenas de quanto os canarinhos decidiriam vencer. Se tivessem com vontade, seria de pelo menos seis, o que ocorreu em quatro oportunidades.

 

Ao longo da história, os brasileiros ganharam 17 partidas e perderam apenas uma (2-0), exatamente a última, num amistoso disputado em junho dste ano, na cidade de Boston, nos Estados Unidos

 

Foram nada menos que 78 gols, contra apenas quatro - média de 4,333 por partida, o que não se espera aconteça esta tarde no belo Pueblo Nuevo, em San Cristóbal, diante de aproximadamente 40 mil torcedores.

 

A Venezuela deixou de ser um saco de pancadas, melhorando razoavelmente seu futebol, e o Brasil, da mesma forma, deixou de ter um futebol primoroso, beirando no momento ao mais comum.

 

A obrigação de vencer continua, ainda que por um placar modesto. E nem de longe se deve aceitar uma derrota, sem que ela mereça severas críticas.O Brasil é 2o colocado, com 13 pontos, atrás do Paraguai, e a Venezuela é a 8a, com sete.

 

Se história service para mais do que conhecer o passado para projetar o presente e o futuro, poder-se-ia esperar  uma vitória fácil, mas como não serve e o que se tem é a melhora de um time e a queda de outro, melhor aguardar que a obrigação seja cumprida sem alarde.

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