29
de
outubro
A verdade e o politicamente correto
Nessa longa estrada da vida, já lá se vão 42 anos, tenho vivido como comandado e tido momentos de comandante. Por meus princípios de vida, nenhuma das duas posições me parece mais fácil.
Apaixonado pela verdade, dita de frente, mas, e aí está o mais importante, na hora e no lugar certos, tenho topado com momentos extremamente delicados, sempre, no meu conceito, saindo-me bem.
Certa vez, trabalhando como comandado em um grande jornal, o desajeitado comandante, querendo que chegássemos cada vez mais cedo - eu e todos os demais - entregou-nos um radinho de pilha, com a seguinte recomendação.
"É para vocês ouvirem as resenhas (programas esportivos) e aproveitarem as notícias".
Preferi documentar minha resposta. Escrevi que ainda tinha - sempre terei - gosto e responsabilidde pelo que fazia e que me negava simplesmente passar para a lauda o que ouvia dos companheiros.
A informação poderia ser furada e, mais grave ainda, valia como roubar o trabalho dos outros, já que o jornal não lhes pagava. Feito isso, esperei o chefe estar sozinho e entreguei a ele minha posição. Juntamente com o radinho.
Em outro momento, suspenso por três dias - valia não ser escalado para o programa do qual participava - disse ao comandante, baixinho, no ouvido dele, que o dinheiro descontado dos dias de suspensão não me faria falta. Mas que minhas opiniões fariam falta aos assinantes.
O chefe disse que meus ganhos não sofreriam desconto e eu, sempre baixinho, disse a ele que o prejuízo dos assinantes, mais importante que tudo, continuva grande.
Estando comandante, em várias oportunidades precisei corrigir trabalho de alguns e discordar de atitudes tomadas por outros, pelas circunstâncias, sob meu comando.
Nunca, embora meu amigo Luiz Ceará goste de dizer o contrário, tomei minhas posições diante de outras pessoas, que nada tinham a ver com a questão. Nem com meus filhos agi assim. Fazia-o separadamente, num canto ou tomando um cafezinho.
A observação feita a dois, por mais severa que seja, provoca reação tranqüila e permite diálogos, muitas vezes esclarecedores. Estreita amizade e não deixa rancor. Ao contrário do que a feita com platéia.
Amo a verdade, seja qual for seu custo. Repudio as atitudes policitamente corretas, que muitas das vezes cheiram hipocrisia e covardia, resultem no lucro que resultarem.
Nada vale o preço de ver a imagem no espelho balançando a cabeça de forma negativa.
No futebol, chamam essas posições de "lavar roupa suja", o que dizem dever ser feito em casa, e eu concordo. Desde que em casa não falte sabão e a roupa suja não acabe sendo escondida em algum armário.
Sábado, depois da derrota para o Fluminense (3-0), Marcos, capitão, líder e excelente goleiro do Palmeiras, sem quem o time não estaria na boa posição que está, falou uma grande verdade, num momento considerdo politicamente incorreto.
Errou Marcos por preferir dizer a verdade. Talvez sentindo que não valia mais a pena insistir em lavar roupa suja em casa, vendo que ela continuava suja. Melhor errar falando a verdade, que assumir atitude politicamente correta, tantas vezes falsa.
Entre quem falou num momento que não devia e os que se sentiram ofendidos, mil vezes palmas para Marcos.
Mas aí, quando, para corrigir um erro, a roupa que continuava suja devia ser lavada em casa, por mais sabão que se precisasse gastar, vem o comandante maior a público para mostrar a todos o resultdo da lavagem.
Visivelmente irado, revelando-se fora de controle, Luxemburgo, o comandante, não se conteve em puxar as orelhas de quem achou válido, e expôs, de forma incorreta, seu melhor jogador, seu capitão, aquele que falou o que ele deveria ter falado para o grupo.
Se Marcos o fez em público e errou, tudo bem. Mas o fez. Botou a cara para bater num momento de emoção, que pode ser lida como de amor à camisa. Enquanto Luxemburgo o expôs à ira da torcida após três dias da roupa suja recolhida. De cabeça fria.
Entre Marcos e L:uxemburgo, quem cometeu erro maior?


Comentário por Felipe Augusto Marcondes — (10:42)
Bom dia, Zé Maria, queria te convidar para participar do meu blog, felipemarcondes.blog.terra.com.br. Valeu! Felipe Tricolor.
Obs. Aproveita e chame outras pessoas, por favor.
Comentário por Zé Maria — (11:45)
Será um prazer, Felipe. Vou olhar e dar minha opinião. OK? Valeu. abrs
Comentário por luiz de jesus vanitelli — (12:44)
alo ze
Existem pessoas que não fazem questionamentos, usando um processo de aceite para
qualquer tipo de ideia ou opiniões, pois são aqueles que ouvem ou leem uma noticia e ja dão como firme e verdadeira. O maior prazer ze, e a descoberta de uma nova ideia, isto e, discutindo com outras pessoas de ideias antagonicas, e chegando a uma nova sintese. Esta ai todo processo da evolucao das coisas, do saber e do conhecimento.
Sempre digo a amigos, ah..se no meu tempo de estudo existisse esse recurso que se chama Internet. Esta ai ao alcance de todos, se tiver duvida , consulte, pense e
questione para assumir como fato no seu banco de conhecimento.
Se voce tiver uma ideia, e achar correta, defende-a, mas seja humilde para fazer aprimoramentos.
Erros voce pode cometer , mas nunca vacile na defesa de seu direito de pensar e de
liberdade.
O italiano diria: bravo ze.
A verdade, bem a verdade somente existe uma, como esta escrita em um cemiterio de periferia:’Nós que aqui estamos , por vós esperamos’. Essa verdade é inquestionavel.
ciao ze.
Comentário por Adilson Penacho — (13:15)
Caro Ze Maria,
Sem me aprofundar muito fico com o Marcos, que falou o que o coração pensava no momento e, como você disse, a verdade de frente. O desabafo do outro veio dois dias depois, mas apenas para fazer figuração e tentar mostrar que tem dono o time dele.
Fico com a explosão do Marcos, que é sincera e verdadeira, ele sabe onde está o problema. Veremos quem tem razão no jogo de hoje.
Uma secadinha: Vai dar Verdão, mas goiano.
Comentário por Zé Maria — (13:15)
Mestre Luis. Feliz o dia em que, para brincar, iniciei esse blog, que meus netos já deletaram por duas vezes. E feliz, mais ainda, o dia em que você o conheceu e passamos a conversar por aqui e lá no clube. Graças a ele, e portanto à internet, recebo, de graça, essas lições diárias. E que lições…Obrigadão por elas e pela amizade. abração.
Comentário por Zé Maria — (13:23)
Pois é, AdÃlson. Com todo mundo secando todo mundo, o campeonato vai acabar sendo decidido no cara ou coroa. Sobre o comandante, que é meu amigo e bom papo, ele deve ter ficado louco da vida porque o Marcos, caipirão sincero lá da zona de MarÃlia, deve ter falado boas para todos na tal reunião. ~enhum mosquitinho me contou, mas acho que o Marcos defendeu sua posição até o fim, o que fez o Luxa lavar roupa suja para os jornalistas. O Marcos vai continuar jogando muito, disso tenho certeza, mas deve estar considerando que essa coisa de amor à camisa é conversa mole para boi dormir. abrs.
Comentário por Carlos Távora — (15:57)
É Zé esse episódio mostra mais uma vez e fica comprovado que o Luxemburgo não admite que o grupo tenha outra estrela ou “lider” que não seja ele. Ainda bem para o Pakmeiras que o Marcos tem a personalidade e o futebol que tem senão seria mais um a ir para a “geladeira” do Luxemburgo. E depois ainda quer ser o técnico da Seleçà o…..
Comentário por gilberto maluf — (16:40)
Apesar de conhecermos de sobejo o Luxemburgo, creio que o Marcos deu um pisão ao criticar seus colegas em público. E ainda mais que no jogo em questão ele falhou e muito. Nessa o Luxa está com a razão. Uma questão de ordem e respeito.
Comentário por Zé Maria — (22:19)
Caro amigo Távora, o bom lÃder é o que é respeitado pelas ações e atitudes e não pelos gritos, pelas ameaças. Se o Marcos errou por falar publicamente o que devia fazer particularmente, erro maior, acho, foi o de Luxemburgo, que contou para o mundo uma conversa que teve reservada com os jogadores. Humilhou Marcos com aquela bravata tipo aqui quem manda sou eu e se falar outra vez tá fora. Um jogador como Marcos não falando é pior do que criticando em público, mesmo mantendo-se unido ao grupo, jogando sério como sempre.
Comentário por Zé Maria — (22:28)
Meu caro Gilberto, respeito ao infinito, como diz meu neto Fernando, 7, suas opiniões. Adoro as apaixonadas, quando se trata do Corinthians. Dada a bronca em Marcos, bastaria ao Luxa dizer à imprensa que a roupa suja foi lavada em casa. Daria o exemplo que Marcos e todos deviam aprender. A falar, mesmo sendo o comandante, faltou com respeito com o subalterno. Concorda? abração