31
de
outubro
A quem pensam que enganam?
Quem tiver a sorte de ter como amigos pessoas vividas, chegadas aos bastidores do futebol e com elas puder bater longos e sossegados papos, mais escutando que falando, ouvirá histórias cabeludas e saborosas, que nem sempre podem ser repetidas, sob pena de encarar penosos processos.
As histórias na maioria das vezes são verdadeiras, mas como envolvem subornos, perseguições, vinganças, molecagens, não são fáceis de serem provadas. Quem faz algo errado sempre tem o cuidado de não deixar rastro.
Vez por outra bato papos longos e descompromissados com um ex-árbitro contra quem nunca se ouviu falar qualquer coisa desabonadora. E dele já ouvi "n" histórias sobre o "espírito de corpo" que existe entre alguns deles, em grupos distintos.
Nos encontros ou telefonemas após jogos, principalmente os mais complicados, um conta para o outro o que sofreu por parte desse ou daquele técnico, dirigente e jogador, sem nada poder fazer.
Funciona como um código. Um jeito de passar para o companheiro o direito ou a obrigação vingar a categoria na primeira oportunidade que tiver. Não deu para mostrar um merecido amarelo ou vermelho naquela oportunidade, deixa que eu arranjo um jeito de mostrar agora.
Lembrando desse código e de tantas histórias, fico pensando se é mesmo uma boa diretores do Botafogo, Flamengo e Palmeiras, principalmente, sairem dizendo que os árbitros estão favorecendo o São Paulo, tentando, com isso, amedrontá-los.
Acho que não, e pelo jeito, Luxemburgo e Caio Júnior também, já que, ao invés de endossarem as críticas, disseram que não viram nada disso. Que o São Paulo ganhou do Botafogo por mostrar competência.
Luxemburgo e Caio Júnior enxergam bem mais longe do que os cartolas que tentam amedrontar os árbitros. Manhosos conhecem manhosos.


Comentário por gilberto maluf — (20:39)
Depois de ler o que você escreveu, sinto-me envergonhado e o mais inocente dos torcedores. Não sei nada de bastidores e seria um inconsequente iracundo na hora do vamos ver.
Comentário por Zé Maria — (22:32)
Nada tão grave, amigo. EspÃrito de corpo existe em todos os lugares e profissões. Um dia, na época da Poderosa, um editor convidou-me, com a mulher, para saborear um macarrão que ele fazia e que era especial. Lá fomos. O macarrão estava uma droga, mas tudo bem. Pior foi o papo dele e de sua patroa na hora do cafezinho. Estava desempregado e pediu uma vaga. Expliquei que não havia, mas que assim que aparecesse…Ele, então, disse que se eu quisesse, arrumaria uma. A ficha demorou um pouco a cair, e quando descobri que ele propunha que eu demitisse alguém para abrir a vaga, levantei-me, chamei minha mulher e, como últimas palavras, antes de chegar na porta da rua foram que meu espÃrito, naqueles casos, era de porco, não de corpo. Aqueles árbitros não eram piores que os jogdores que também combinam derrubar técnicos e arruinar árbitros. Repudio tudo isso. Lembra do dia em que o José Roberto Wrigth foi para campo com um microfone debaixo do uniforme? Quer maldade maior? Tentei convencer, em seguida, o Serginho Chulapa, que estava para se aposentar, a fazer o inverso e ele me disse que não seria justo. Bati palmas para ele. abrs.