Futebol é coisa séria, que envolve profissionais de vários ramos de atividade - jogadores, técnicos, médicos, preparadores físicos, jornalistas, bilheteiros, cambistas etc.
E, naturalmente os dirigentes, que não são profissionais, isto é, não recebem pelo que fazem, e não tenho certeza se deviam.
Claro que estou falando do que posso ver e provar, por isso não adianta o amigo aí em casa ficar pensando ou falando baixinho se não sei e por que não digo que alguns não recebem oficialmente dos clubes, mas tiram dele seu barato. Entende, amigo?
O elo entre jogadores, técnicos e dirigentes com a torcida é o jornalista, que leva as palavras, escritas ou faladas dos seus ídolos ou desafetos aos leitores e ouvintes.
Para o jornalista, assim como para a grande maioria dos torcedores, o trabalho é melhor quando surge alguma polêmica, uma fofoca, uma declaração bombástica e até mesmo provocativa. Faz parte do jogo, desde que não ultrapasse um limite razoável.
Lembra das declarações do Renato Gaúcho, dizendo que faltavam três degráus para o Fluminense ganhar a Libertadores e outras do gênero? Na época muita gente achou que ele estava falando bobagem e que devia ficar caladinho até o último minuto.
Não concordei, e disse isso aqui. Renato, na oportunidade, foi a alegria dos jornalistas e dos torcedores. Não ofendeu, não agrediu a ninguém. Falou do time dele. Se se deu mal é outra conversa.
Quando Márcio Braga disse que o Flamengo estava organizando a festa do hexa (sic), também não fazia mal a ninguém - talvez aos supersticiosos, que achavam estar o presidente secando seu próprio time. Grande bobagem.
Nessas horas o repórter deve mesmo abrir seu microfone e usar sua máquina para levar a informação ao torcedor. Sempre ouvindo a outra parte, principalmente quando é feita uma denúncia.
É o caso do Botafogo, onde o diretor Carlos Augusto Montenegro acusou jogadores de formarem panelinhas que prejudicam o time. Falou o que achou que devia e ouviu o que provavelmente não queria: o capitão Túlio o chamou de mentiroso. Vai aceitar a réplica ou sairá para a tréplica?
Mas, tem momentos em que o jornalista devia fechar seus microfones ou melhor, não levá-los. É o caso de Eurico Miernda, que mandou anos no Vasco sem levá-lo a nada importante, e agora, de fora, não deixa a nova diretoria trabalhar em paz e faz ameaças sérias, morais e físicas, ao presidente Roberto Dinamite.
Caso de polícia. Mais trabalho para a sobrecarregada Justiça para, como sempre, infelizmente, não dar em nada.
Quem está de fora só devia ter microfone e papel para falar, se tivesse alguma coisa realmente importante, e com provas. Não tendo e falando, culpa de quem abriu os microfones para gravar bobagem.
Como dizia tio Eustachio, canário na muda não canta.