Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

2

de
novembro

É hora de dar um gás a mais

Entre as muitas coisas que me fazem torcer o nariz no futebol, está essa coisa de "administrar resultado", que costumam dizer quando um time faz um golzinho e passa a tocar a bola, deixando o tempo correr.

 

É a maior enganação. O torcedor paga para ver 90 minutos, com os dois bandos buscando o maior número de gols possível, e acaba  vendo jogador tocando bola para cá e para lá, louco para o mundo acabar em barranco.

 

Valem os mesmos três pontos, alguns chegam a argumentar. Não sabendo, ou não se importanto, que espantam os torcedores.

 

Esse marasmo deu uma trégua nas últimas rodadas do Brasileiro, em que times, em vários jogos, precisam correr para buscar o resultado que evita sua queda ou o mantenha no grupo que sonha com o título ou a Libertadores.

 

O amigo já reparou como tem saído gols nos últimos minutos do segundo tempo, provando o que estou dizendo, de os times darem um gás a mais na busca do gol?

 

Sábado, o Flamengo, para salvar um pontinho e fugir de vaia maior da torcida, correu até os 38 do segundo tempo para encontrar o gol do empate, com Maxi.

 

Ontem, o Vasco venceu o Fluminense aos 27 do segundo, gol de Wágner Diniz. Mesmo tempo em que o Atlético Mineiro achou o dele para ganhar do Botafogo. O São Paulo, já tendo feito 2 a 0, correu atrás do terceiro, empurrado pela torcida, que Hugo fez aos 36.

 

Dois jogos, de times que buscavam desesperadamente a vitória, um para tentar ser campeão e outro para não cair, tiveram gols naquele finzinho desesperador.

 

O Atlético Paranaense, na zona de perigo, só marcou, com Rafael Moura, aos 45 do segundo, em cima do Sport. E o Palmeiras, para ficar no calcanhar do São Paulo, foi buscar os três pontos, contra o Santos, já nos acréscimos, com Léo Lima.

 

O sobe e desce está mostrando que é preciso correr até o fim. E que time que não age assim, ou é porque detonou o adversário muito cedo e este se entregou. Ou acaba perdendo pontos preciosos.

 

O Goiás parou aos 17 do primeiro tempo, porque já havia enfiado três no impotente Cruzeiro. E o Grêmio perdeu dois pontos diante do Figueirense, em casa, depois de empatar aos 46 do primeiro tempo, porque fraquejou e não correu a todo gás no segundo.

 

 

2

de
novembro

Por quê pagar para ver jogo ruim?

Muricy Ramalho pediu para que 50 mil torcedores fossem ao Morumbi prestigiar o time contra o Internacional, justificando seu pedido com a vitória sobre o Botafogo, no Rio, e lá apareceram 64.160.

 

14.160 a mais do que o número proposto por Muricy e diferença maior do que a media de público nos jogos do São Paulo, no Morumbi, até então.

 

Por quê a torcida são-paulina decidiu aparecer ontem à noite e não dava bola para o time antes? A resposta todos já sabem. Apareceu porque o time começou a jogar bem, dentro do possível, e a dar sinais de que vai mesmo brigar pelo título. O que antes não acontecia.

 

Por esse posicionamento, pode-se mesmo chamar a torcida do São Paulo de infiel? Mesmo sem se lembrar que a Fiel já virou as costas para o Corinthians, a atleticana, este ano, como em outros, abandonou o Galo e a rubro-negra só voltou ao Maracanã, ano passado, quando viu o time à beira do abismo.

 

Repetindo. Pode-se chamar a torcida são-paulina de infiel por essa sua postura? Ou é preciso aceitar que cada coletividade tem sua característica própria, que vem de anos e passa de pai para filho? Será errado concordar com os tricolores quando dizem serem fieis ao bom futebol, e não apenas ao time?

 

Por que achar que só é bom torcedor aquele que vai aos jogos mesmo sabendo que serão ruins, que o time é péssimo ou que os jogadores não querem nada com a rapadura? O professor aprova o aluno só porque ele é bonzinho, anda limpinho, embora não saiba nada?

 

 Você vai ver qualquer filme nacional, só porque "é preciso prestigiar o cinema brasileiro"? Compra tudo que lhe oferecem nas esquinas, só porque é preciso ajudar os desprovidos?  Toma uma pinguinha só para não deixar o amigo beber sozinho?

 

O Corinthians pediu dinheiro para contratar Paulo César Caju e viu cair trocados em sua conta. O mesmo acontecendo com a campanha para repatriar Marcelinho. Os marqueteiros ofereceram a camisa roxa e a torcida comprou porque gostou. Ofereceram a camisa lambe-lambe e a Fiel disse não, porque era cara e feia.

 

Sou fã das torcidas do Flamengo, do Corinthians, do Atlético Mineiro, times de massa, mas às vezes acho que elas se deixam levar mais longe do que deviam, por pessoas que as instigam a ir mas não vão.

 

Mas respeito muito, também, as torcidas do Fluminense, do Cruzeiro, do São Paulo, que não compram no escuro. Que só pagam pelo que gostam. Pelo que acham bom, e não para que fique bom.

 

São pontos de vista diferentes, mas que iguais merecem respeito.

 

 

2

de
novembro

Façam figa, para que não estraguem tudo

Em campo, deixando de lado as indesejáveis, mas naturais reclamações de técnicos e discípulos por eles instruídos, que jogam para a torcida, buscando esconder suas falhas, o Brasileirão não poderia estar melhor nessa reta final.

 

O São Paulo perdeu pontos em jogos que não poderia ter perdido no primeiro turno, o Palmeiras, para não precisar vasculhar arquivos, caiu diante do Fluminense, na semana passada, o Flamengo se entregou à Portuguesa e hoje o Cruzeiro fez papel triste em Goiânia. Este, de todos, o jogo mais difícil.

 

Tudo, repito, numa rápida pincelada, aproveitando apenas as derrotas, digamos, não programadas e mais recentes. Resultados que mostram como o campeonato segue equilibrado e indefinido, graças exatamente a essa gangorra. Dizer que esse ou aquele time vai ser campeão deve ser visto como mero palpite. É palpite, como choro, é livre. 

 

Faltam cinco rodadas e tudo leva a crer que graças a essa gangorra o título só será decidido na última, com as torcidas tomando cada vez mais espaço nas arquibancadas. E com a imprensa aumentando seus espaços para falar do campeonato.

 

E é aí que começo a ficar preocupado, temendo que como quase sempre acontece nesses momentos de espaço maior para as estrelas, pobres figurantes comecem a dar cotoveladas tentando ocupar o lugar que não lhes é dado.

 

Cartola falando pelos cotovelos, Tribunal inventando punições - nada, absolutamente nada, contra a tomada de atitudes enérgicas, desde para punir faltas reais -, técnicos querendo corrigir o sistema solar, chefes de torcidas posando de cartolas e até coleguinhas bancando gato mestre.

 

Deus nos livre de todos eles, façamos figa e toc, toc, toc na madeira, para que os espaços sejam usados apenas pelos astros de calção e chuteiras. E mais ninguém.

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