Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

3

de
dezembro

A bofetada dada por Caio Júnior merece aplausos

Diante das ofensas recebidas por parte de torcedores, em pichacões e gritos desordenados, Caio Jr., até domingo técnico do Flamengo, preferiu o silêncio como resposta.

 

Sãbia decisão, seguindo o que ensina Bernard Show: "o silêncio é a mais perfeita expressão de desprezo".

 

O que mais eles merecem?

3

de
dezembro

Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver

Deu no Portal Terra, que um gatuno arrependido de ter roubado um carro na fronteira com a Suiça, está tentando devolver ao dono do carango, que há muito deve ter ido para o ferro velho, nada menos que 1,4 mil euros, por baixo R$440.000,00.

 

Caso o dono não seja encontrato, o ladrão pede para que a bolada seja dividida entre instituições filantrópicas.

 

A partir de hoje, colocarei nas minhas orações pedido para que os ladrões daqui, e não apenas os de carro, mas principalmente os de colarinho branco, sintam igual arrependimento e tomem igual atitude. 

 

Da minha parte, eles nem precisam declarar seus nomes. A gente até pode prestar-lhes algumas homenagens.

 

Porque, diz a canção, "se todos fossem iguais a você, que maravilha viver…"

3

de
dezembro

Condenados, mas não trancafiados

Referindo-se à condenação, em 1a. Instância, do banqueiro Daniel Dantas a 10 anos de prisão e multa de R$12 milhões, - cabem muitos recursos  - o Ministro da Justiça, Tarso Genro, disse uma grande verdade:

 

Que o País não está acostumado com figurões condenados.

 

Não está mesmo, Ministro, mas anda louco para se acostumar. Seja lá quem for, e com a rapidez com que foi o colombiano Juan Carlos Ramirez Abadias.

 

O problema, entre outros, está na morosidade da Justiça, certo, Ministro? E na diferença entre condenar e trancafiar.

 

Um dia o País chega lá, mesmo depois de todos os recursos existentes.

3

de
dezembro

A quem pensam que enganam?

Com base nos números, nada mudou com relação aos preços dos ingressos para o jogo Goiás x São Paulo, domingo no Bezerrão.

 

Veja. Antes, a diretoria do time goiano queria cobrar R$400,00, que seriam reduzidos pela metade, com o torcedor doando um quilo de alimento não perecível para as vítimas das águas em Santa Catarina.

 

Agora, depois da bronca dos torcedores, a diretoria mudou (e não baixou) os preços para R$150,00 até R$250,00.

 

O que dá no mesmo. Quer ver? R$150,00 + R$250,00 = R$400,00, que divididos por dois dá os mesmos R$200,00, na média.

 

Saindo dos números, porém, fica a grande lição para os torcedors e para os gananciosos. É preciso gritar sempre que tentam enfiar a mão no bolso dos trabalhadores.

 

E não apenas quando se tratar de preço de ingresso, mas em tudo.

 

Chega da história dos dois bodes na sala.

3

de
dezembro

Chovendo no molhado

Para Celso Roth, técnico do Grêmio, a responsabilidade está toda do lado do São Paulo, na grande decisão de domingo, quando seu time recebe o Atlético Mineiro no Olímpico, e o tricolor pega o Goiás, em Brasília.

 

 Alguém tem dúvida?

 

Talvez Muricy Ramalho, para quem o Grêmio também deve se preocupar em ganhar do Galo Mineiro.

 

Fora isso, é chover no molhado.

3

de
dezembro

E foi assim que Pelé teve sua grande chance

Ele era um Rei em Santos. Em campo era uma Fera. Fora - Vasconcelos, um boêmio.

 

Em 1956 a camisa 10 do Santos pertencia a Vasconcelos, ídolo da torcida. Até quebrar a perna em uma disputa de bola. Aí foi substituído por um crioulinho de 16 anos, calado e de pernas finas, chamado Gasolina. Hoje conhecido por Pelé (revista Placar, 5/2/1971)

 

"Suas pernas finas, valentes, carregando seu corpo um pouco arqueado, brigavam o tempo inteiro, buscando vitórias, marcando gols, ajudando a fazer do Santos um time famoso, até hoje respeitado no mundo inteiro.

 

Válter Vasconcelos Fernandes, mineiro de Belo Horizonte, criado no Rio de Janeiro, craque, boêmio, ídolo, irresponsável, hoje um homem esquecido. O Vasconcelos em 1956 era dono absoluto da camisa 10 do Santos. O jogador maravilhoso, tão importante para o time, que fazia dos diretores quase escravos de suas vontades, tirando-o das prisões, dando-lhe bichos dobrados, aceitando, sem castigo,  suas fugas das concentrações.

 

 Até 19 de dezembro de 1956, quando quebrou a perna disputando uma bola com Mauro Ramos de Oliveira, zagueiro do São Paulo, ninguém teria a ousadia de pensar em substitui-lo. Ninguém podia admitir ver aquela camisa em outro corpo. Nem o negrinho calado, de pernas finas, que chamavam de Gasolina e que hoje é Pelé, o Rei dos mil jogos.

 

Boêmio, tinha um lema: "Façam o que eu digo e não o que eu faço". Nunca convidou um colega a acompanhá-lo nas farras que fazia, mesmo em vésperas de grandes jogos. Pulava janelas, ia sozinho, bebia, dançava, voltava de madrugada, jogava, fazia gols. O Santos ganhava.

 

No dia 24 de maio de 1956 alguns jogadores do Santos estavam na casa do goleiro Manga, comemorando seu adversário. Lá pelas tantas foram contar a Vasconcelos que Pelé estava com um copo de bebida na mão. Vasconcelos largou seu copo, foi até onde estava Pelé, ficou olhando sério e acabou dando um tapa na mão do companheiro, jogando o copo longe. Ele se considerava um dos responsáveis por aquele garoto que apenas começava como seu reserva.

 

Boêmio, não gostava de admitir trapaças com sua pessoa. Quando era ainda muito garoto, jogando no time de aspirantes do Vasco, vendo a torcida gritar para que jogasse no time de cima, soube que a Portuguesa Santista queria comprar seu passe. O técnico só permitiu quando Vasconcelos concordou em lhe dar uma comissão sobre as luvas. O negócio foi feito e até hoje o técnico deve estar esperando o dinheiro.

 

Aplaudido por todos

Da Portuguesa foi para o Santos, ameaçando engrossar se não vendessem seu passe. Na estréia deu a primeira demonstração de tudo o que seria. Contra a própria Portuguesa, fez três gols em quinze minutos e, logo em seguida, fingiu uma contusão, saindo de campo. Era um teste (que deu certo), foi aplaudido pelo público e elogiado pela diretoria. Daquele dia em diante já era o Vasconcelos com dinheiro e fama, vivendo intensamente, esquecendo-se do carinho que devia à mulher e à filha, acabando por ser abandonado

 

Boêmio, não tinha medo da polícia e zombava dos diretores que tentavam vigiá-lo nas suas noitadas. Muitas vezes foi preso por brigas e minutos depois estava livre. Um simples telefonema, e toda diretoria do Santos corria para socorrê-lo.

 

 Uma noite estava sentado num cabaré, de costas para a rua, quando o diretor Augusto Saraiva entrou e rapidamente apanhou seu copo, provando para ver o que ele bebia. Vasconcelos estava de ressaca e bebia água tônica. Não pode conter o riso vendo a expressão de surpresa no rosto do diretor.

 

Ficava sem gravata onde todos estavam a rigor. Fez bons contratos e nunca lembrou de comprar um apartamento ou um terreno. Para ele a fama e a vida de grande jogador nunca teriam fim. Não pensou nisso nem mesmo em 53, quando foi desenganado por uma junta médica, que lhe dizia sofrer de moléstia cardíaca

 (((amanhã o fim triste, que ainda deve valer como lição para muitos jovens de hoje)))

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