Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

4

de
dezembro

Prestem bem atenção

Não há torcedor mais apaixonado, crédulo, confiante, o que  é bom e é ruim, do que o corintiano. Bastam duas, três vitórias seguidas, sejam lá contra que adversários forem, e ele já começa a falar em título.

 

Quando o Timão, o que era mais do que esperado, partiu para o título da série B, isso lá no início da tabela, seus torcedores, sem olharem para a qualidade, fraca, dos adversários viviam perguntando e mesmo afirmando, que o time de Mano Menezes brigaria pelo título, se disputasse a série A.

 

 A resposta, quando se tratava de pergunta, era não. O que poucos aceitavam. E, ainda bem para todos, até para os não corintianos, a diretoria, com os pés no chão. achava a mesma coisa: o time precisaria ser reforçado para 2009.

 

Pois o trabalho nesse sentido, mesmo com todos os problemas financeiros, vai sendo bem feito. Na surdina, jogadores bons de bola, a preço razoável, vão sendo observados, conversados e contratados.

 

O primeiro, anunciado hoje, é o volante Túlio, ex-Botafogo. Ótima contratação, que pinta não ser a única.

 

O time, para brigar de igual pelos títulos que serão disputdos, precisa de apenas mais três ou quatro jogadores do mesmo nível.

 

Os que gostam de dizer, lá na frente, "eu não disse isso", podem ir prestando atenção desde já. E, se preferirem, falando. A chance de acertarem é imensa.

4

de
dezembro

Quando milhares de dólares não dizem tudo

Todos sabemos que futebol é cada vez mais "business", negócio, grana alta para pagar salários altos, de dirigentes, naturalmente, passagens de primeira, idem, idem, quando se trata de seleção.

 

Como se sabe, as Confederações e Federações do mundo inteiro faturam muito formando seleções com jogadores que não são seus, mas dos clubes, que os sustentam.

 

E que, certo ou errado, essas seleções precisam jogar amistosos constantemente, por ordem da Fifa, o que obrigam os clubes a ceder seus craques, para jogar e cobrir todos os gastos.

 

 Até aí, por parecer não haver outro caminho, se diz tudo bem. Mas os que, como eu, prestam atenção nas reclamações dos técnicos, de que não há tempo para treinar o time, quando ele se apresenta mal e a torcida grita, a desculpa não pega.

 

As seleções não treinam para que os jogadores ganhem entrosamento porque não querem. Porue a ambição pelos milhões é grande demais. E porque os técnicos aceitam, calados, as imposições dos cartolas. Aceitam por ser um jogo que é bom para eles também.

 

Criticado, pior, muito pior, patrulhado por muitos, Maradona, técnico da Argentina que ainda olham de sosláio, achando uma piada de "hermanos", acaba de dar, ou pelo menos ameaça dar, um chega nessa corrida apenas pelo ouro verde.

 

 Lição que parecem não ter notado, ainda. Mas que logo irão. Ele não quer convocar os jogadores apenas para disputar amistosos milionários, mas para treinarem. Isso mesmo, para treinarem, o que dará melhor padrão de jogo aos "hermanos" e acabará com as desculpas, muitas vezes esfarrapadas, da falta de tempo para treinar.

 

 Maradona pode parecer um pouco, ou muito, excêntrico, fanfarrão, mas vai mostrando saber das coisas. Não de grana alta, mas de bola.

 

Que nossos treineiros aprendam a lição.

4

de
dezembro

Uma história que devia ter sido contada antes

Há poucos dias, conversando por aqui com os amigos Luiz e Gilberto, disse a eles que Luxemburgo tem, como todos temos, um caminhão de defeitos, mas que tem, também, muitos predicados.

 

Contei que converso regularmente com Luxemburgo e que nos respeitamos muito. Ele é um ótimo papo fora do microfone e de perguntas, vamos convir, às vezes sem pé nem cabeça.

 

Hoje, Luxemburgo contou como há 17 anos colocou uma florzinha no seu canteiro. Era técnico do Flamengo quando seus jogadores, com salários atrasados, receberam do Grêmio a tal mala suja, por terem vencido o Vitória, resultado que interessava ao time gaúcho.

 

Luxemburgo, segundo ouvi, mandou que eles devolvessem a grana por não considerar legal. O que fizeram imediatamente.

 

Luxemburgo pensa, como eu, que os times deviam usar o dinheiro das malas podres para reforçar seus elencos e premiar seus jogadores, não para "subornar" jogadores de outros times.

 

Bola branca, Luxemburgo, para você que vive recebendo tantas bolas pretas.

4

de
dezembro

E foi assim que Pelé teve sua grande chance - II

Vasconcelos, um boêmio (cont)

Triste, um pouco abandonado, proibido até mesmo de treinar, acabou encontrando dona Leonor, uma mulher mística, que numa mesa de toalha branca chamou seus guias para curá-lo com chá de alpite, agrião, azeite e outros ingredientes. Dois dias depois de começar o tratamento voltava aos treinos, assinando um documento que isentava o clube de qualquer responsabilidade

 

A pressão caiu de 19 para 12, o normal, e Vasconcelos só voltou a lembrar do seu coração "fraco" quando entrava na área, rasgando suas canelas, enfrentando botinadas.

 

Profissional, sempre exigiu tratamento igual ao dos outros. Em 1954, quando foi renovar seu contrato, lhe deram 130 mil cruzeiros velhos de luvas. Quando soube que Hélvio e Tite haviam recebido 250, esperou a melhor hora para reclamar. No intervalo de um jogo contra o XV de Piracicaba (0 a 0) disse que não voltaria a campo. Quiseram saber por quê e ele contou. Pagaram-lhe a diferença e ele fez  os dois gols do Santos (2 a 1)

 

Profissional, nunca fugiu da "briga". Jogava contra o Corinthians e Julião já havia rasgado sua meia de tanta paulada. O juiz expulsou Vasconcelos de campo e, quando foi perguntado por que motivo, disse que era por pena, porque não queria vê-lo com as pernas quebradas. O juiz não podia expulsar ninguém do Corinthians.

 

Chegando ao fim

Profissional, estava sempre ao lado dos companheiros. Em 56 o Santos perdeu para o São Paulo e alguns diretores, no vestiário, criticavam Válter (que morreu na Espanha). Diziam que ele fizera corpo mole. Vasconcelos ouviu as críticas, jogou a toalha que enxugava o corpo no chão e espinafrou todos. Ninguém respondeu.

 

O técnico Lula também não respondeu aos chamados de dona Leonor no dia em que Vasconcelos começava a deixar de ser o dono absoluto da camisa 10 do Santos. Havia uma onda de suborno, o jogo era com o São Paulo e valia o título. Dona Leonor telefonou o dia inteiro para dizer que "aquele jogo ia dar cama para Vasconcelos". Lula só atendeu o telefone meia hora antes do jogo.

 

 Não entendeu bem o que ela dizia, perguntou  se Vasconcelos estava  se sentindo bem, soube que sim e só mais tarde, quando o viu saindo carregado do campo para o hospital, pode entender tudo. Era tarde.

 

 Tarde também para que Vasconcelos pudesse corrigir todos os erros. Sem mulher e sem filha, sem ter guardado dinheiro, ia deixando de ser Vasconcelos, ídolo da torcida, para ser um jogador marcado, correndo o mundo à procura da posição que deixava para o negrinho Pelé, muito antes do que qualquer um podia pensar. Pelé, o seu reserva, estava nascendo para mil jogos, mais de mil jogos. (JMA)

 

Anos depois, encontrei Vasconcelos fazendo bico num clube de carteado, na Praia do Gonzaga. Seu trabalho era ir comprar cigarro e lanches para os jogadores, ficando com o troco de gorgeta. Contou-me sobre suas andanças pelo interior do Paraná, histórias de arrepiar, que em breve trarei aqui.

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