Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

31

de
janeiro

Coração de mãe não se engana

Não sei se a mãe do Amauri, atacante da Juventus que Dunga convocou para o jogo contra a Itália, dia 10 próximo, e que deverá, no máximo, ficar no banco, depois de, todo mundo já sabe, dizer, em outras palavras, que não queria queimá-lo, passa os olhos por esse cantinho, o que seria uma grande honra.

Mas sei que ela é uma mãe zalosa, inteligente e sem papas na língua. Diante da convocação, que muitos, erradamente, olham como uma honra, ela viu, como eu, uma grande maldade. Chamar Amauri essa vez, com toda pinta de que será a última, só para não dizer que não olha o que passa no futebol italiano, é maldade das grandes.

É tirar a chance de Amauri defender a seleção italiana, nas circunstâncias muito mais proveitosa para sua carreira.

31

de
janeiro

O coxo e o mentiroso

Todo garoto já ouviu a mãe lhe dizer que é mais fácil pegar um mentiroso que um coxo, sempre que, para se livrar de umas boas palmadas, conta uma mentirinha. Acho mesmo que Branca de Neve deve ter lembrado esse ditado aos sete anões. Melhor, a seis deles, porque Dunga devia estar ausente no momento.

Pois não é que nosso Dunga acabou convocando Amauri para ficar no banco no amistoso contra a Itália, esquecendo - ne melhor das hipóteses - da desculpa que deu à Imprensa para justificar a não convocação do atacante no primeiro momento.

Dunga disse que não o chamava porque a presão sobre ele seria muito grande por ser o jogo contra a Itália - onde atua na Juventus e faz enorme sucesso. Tão grande, que por lá pedem sua convocação para a seleção local.

E aí é que está a maldade de Dunga. Chamando Amauri e o colocando em campo - ou mesmo só na súmula - por alguns segundos, não permitirá que ele um dia vista a azzurra.

Dunga é um técnico MM

 

30

de
janeiro

O próximo será o Obama

Os marqueteiros do Corinthians já encontraram três culpados por não terem, ainda, conseguido patrocinador para a camisa do time:

A crise financeira mundial, que até nosso presidente já começa a admitir que existe, o São Paulo e o Palmeiras, por "estabelecerem um teto muito baixo" - o 1o 15 milhões/ano, o 2o um pouco menos.

O quarto culpado, não tenho dúvida, será o Obama.

Obs. O Maldoso lembrará que o primeiro mês já se foi e nada de dindim no caixa…

Como dizem no Ceará,"’ melhor pingar do que secar".

29

de
janeiro

Mil reais? É muito ou é pouco?

Um frequentador de uma casa norturna em São Paulo filmou Ronaldo badalando, aparentemente, com duas mulheres. Um beijinho aqui, outro ali, com uma delas praticamente subindo em seu ombro. Ato voluntário ou atendendo a pedido, sabe-se lá de quem e por qual motivo?

O paparazzo amador teria vendido o filme para uma emissora de televisão por R$1 mil, grana com a qual pode ter pago sua conta, sobrando alguns trocados.

As imagens só têm alguma importancia porque Ronaldo é jogador de futebol e famoso. Na mesma casa norturna, muito provavelmente, estavam, na mesma hora, algumas dezenas de pessoas que pagariam mais do que os milzinhos para pintar nas páginas dos jornais e na tevê..

Fora o fato de ser jogador e famoso, que outra importância há em Ronaldo - solteiro ou noivo, a quem importa? - estar vivendo algumas horas alegres, até mesmo, se quiserem, à procura de uma companhia? Quantos mais ilustres desconhecidos não estariam ali também buscando alguém para iniciar um bom papo?

Ronaldo, por sua história fora do campo, não é lá de se preocupr muito com essa coisa de ser ou não ser visto. Mas, que pecado estaria cometendo ali, sapecando beijinhos em belas moças? Mesmo não sendo cuidadoso, se quisesse, poderia ter beijado muuuiiiittttoooooooo mais  no apartamento do hotel onde mora.

Nenhum pecado. E nem mesmo cometia algum ato de indisciplina, porque, no Corinthians, afirmam que ele tem cumprido com todas as obrigações nos horários determinados.

A fofoca me lembra um diálogo entre o ex-técnico José Poi, no São Paulo, e um diretor do clube. O diretor indagou de Poi porque ele escalava Serginho Chulapa, um cafajeste, e não o jogador "X", que dormia cedo, não bebia, não fumava. A resposta de Poi foi incisiva:

- Escalo o Serginho porque ele marca média de um gol por jogo. Não o quero para genro..

 

Gols é o que a torcida do Corinthians e todos que gostam de bom futebol devem querer de Ronaldo. O que ele faz e fizer fora do campo, desde que não atrapalhe em seu desempenho, que se dane. Assim como os paparazzos amadores.

Seus gols valem muito mais do que milzinho.

Obs. E ainda bem que as moças eram brasileiras e não inglesas.

29

de
janeiro

Gols de placa

Faz tempo, muito tempo, que, corretamente, o Mundial de futebol deixou de ser apenas um torneio fechado em um estádio, com torcedores fazendo "ondas" enquanto 22 craques correm atrás de uma bola.

Desde a Copa do Chile, em 62, quando um governo e uma população guerreira pegou do zero - zero estádios, zero hotelaria, zero…- e promoveu uma grande festa que praticamente se limitava aos 90 minutos de bola rolando, os mundiais ganharam outra dimensão, face, principalmente, à necessidade de cobrir os custos - às vezes exagerados, com contas que nunca fecham - de sua organização.

Visões mais amplas, trabalho de marketing, estudos aprofundados mostraram que o torcedor que viaja horas e horas, carregando na conta bancária uma boa soma em dinheiro, quer, cada vez mais, ter à sua disposição, com todo conforto, outras atrações além da bola que rola. É do alcool que esquenta os ânimos.

Pensando assim, nota 10 para os homens da Fifa - pelo menos uma vez - que acabam de confirmar jogos do Mundial de 2014 no Pantanal e na Amazônia.

É claro, justo e natural que o Rio, por sua importância como cidade e sua beleza natural, seja uma sede, e que São Paulo, por sua força financeira, pelas colônias européias e asiátics que aqui vivem - mesmo sem Corcovado e Pão de Açucar - seja outra. Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Curitiba, mesmo sem as atrações das duas primeiras, podem e devem vir a seguir.

Qual mais? Salvador da nossa Bahia, se tivesse como apagar o vexame de deixar seu único estádio apodrecer.

E onde mais? Na Amazonia e no Pantanal. A floresta, o rio, os pássaros, a pesca, que valerão como canto da sereia para atrair e encantar os turistas muito mais que as areias de Copacabana e o cimento da avenida Paulista. O Rio com suas favelas, para os turistas, pitorecas. São Paulo com sua noite agitada e sonhadora. 

É só organizarem tudo direitinho, com higiene, segurança, escolhendo gente de mão pequena e goela estreita para administrar essa empreitada. Gente que não arranque o couro dos jacarés e a madeira de lei da amazônia, colocando em seus lugares, para enganar os turistas, animais e vegetação de plástico.

Fazendo tudo 80% - o amigo não vai querer que nessa terra abençoada por Deus e bonita pela natureza, se faça tudo 100%, né? - os gênios da comunicação irão batizar o Mundial de 2014 de a Copa do Turismo. Num casamento perfeito com a bola que rola.

28

de
janeiro

Inocente ou cara de pau?

Quando Kaká balançou entre o bolso e o coração diante da proposta do Manchester City, o inglês David Beckham, ao colocar sua colher de pau na questão, aconselhou o brasileiro a não deixar o Milan, "porque dinheiro não é tudo na vida".

Conselho perfeito, não tivesse vindo de um jogador que ficou milionário defendendo o Manchester United e o Real Madri, além de faturar muito com publicidade, e que deixou o time espanhol para ganhar ainda mais no LA Galaxie, dos Estados Unidos, onde, todos sabem, o "soccer" ainda é primário, e quem vai lá só visa grana.

Agora, passando uns tempos no Milan e desejando não mais voltar aos Estados Unidos, Beckham, analisa assim sua passagem pela terra de Tio Sam:

"Devo admitir que tendo jogado na Europa, às vezes foi frustrante participar de algumas partidas. Mais de vez em quando, viajando de um Estado para outro, me diverti muito também"

Às vezes americano também entra de gaiato. E cara de pau não é privilégio de nenhum povo.

28

de
janeiro

O Vasco agradece, mas prefere gols

Dizendo que gastou quase todo seu salário, o meia Carlos Alberto comprou 50 ingressos para levar amigos ao jogo do Vasco, que agora defende, contra o Tigres, pelo campeonato carioca, em Xerem, Baixada Fluminense.

Deixando de lado os parcos salários de Carlos Alberto, a torcida vascaína agradece o investimento, mas manda dizer que prefere ver gols.

28

de
janeiro

Só pode ser sãopaulino

Com direito a desenho ilustrativo, recebo do amigo Carlos "Barril" Andrade a informação de que o Corinthians,"na cola do São Paulo", está lançando camisa comemorativa ao hepta conquistado na Copa São Paulo. Diz:

"7 - 3 - 1"

E explica:

7 títulos da Copinha   -   3   carnavais   -   um título da série B

Coisa de tricolor, só pode ser

27

de
janeiro

Eles estão com toda razão

Coisa rara, que por isso mesmo merece ser ressaltada, Leo Moura e Éverton, consideram exagerado punir com afastamento o auxiliar Luis Antônio Muniz, que anulou um gol legítimo do Friburguense contra o Fluminense.

Disseram que errar é humano, grande verdade. Pecados que jogadors e técnicos vivem cometendo fingindo, na maioria das vezes,nem estarem aí. Às vezes vão mais longe, jogam a culpa nos outros - companheiros e árbitros, além de buracos imaginários no campo, bola oval, chuteira torta.

Nem todo erro de arbitragem é simples erro humano - não entro nessa, porque safado há em toda parte. Mas grande parte deles, sim. E sempre aconteceram. Antes, apenas não eram dedados pelas câmeras de televisão, agora colocadas em todas as partes do estádio.

Quer erro pior do que perder pênalti, uma covardia para o goleiro? E técnico que não enxerga o jogo do adversário e deixa seu time perdido em campo, ou que faz substituições erradas?

Mais que isso, cá entre nós, que ninguém nos ouça - apenas me leia: se acabarem com os erros de arbitragem, do que viverão as mesas redondas - a maioria delas quadradas?

Já não basta o desemprego no comércio e na indústria?

27

de
janeiro

Pé de chumbo, bom em números

Cristiano Ronaldo, que não faz muito detonou, sozinho, sua Ferrari no muro de um túnel em Manchestar, pode não ser bom de direção, mas acaba de revelar ser muito esperto, quando se trata de cifrões.

Perguntado sobre a proposta que o Manchester City teria feito para tirar Kaká do Milan, o atacante português respondeu ao jornal Daily Mirror, que o preço não era elevado e que Kaká poderia valer até mais do que os anunciados R$400 milhões.

"Kaká é especial, e jogadores especiais talvez mereçam até mais", garantiu, sem precisar dizer que ele, eleito melhor jogador de 2008 pela Fifa, é também um especial e que se o Real quiser mesmo levá-lo para Madri, terá de pensar em quantia igual ou maior.

A resposta de Cristiano Ronaldo me faz lembrar de um jogador craque de bola e também bom de conta. Falo do Zito, volante do Santos dos áureos tempos. Quando comentavam com ele sobre os salários de Pelé, naturalmente maior do que de todos os outros, respondia:

"Quero mais é que ele ganhe não duzentos, mas um milhão, porque vou sempre receber a metade do que ele faturar".

Sem ciumes, pois.

26

de
janeiro

Não deixam de ter razão

Mal a bola parou de rolar no Pacaembu, com a vitória do Corinthians sobre o Atlético Paranaense, conquistando mais um título da Copa São Paulo, dois "manos"- Alberto Pezão e Kokinho - ligaram afoitos e cobrando:

- Aquino, quando o São Paulo ganhou o hexa todo mundo falou e falou. Agora que o Timão é hepta, queremos ver o que vão falar

- Somos hepta, mano. Somos hepta… 

24

de
janeiro

Previsões para o semestre

Se o Corinthians não for campeão paulista…

Se o Flamengo não ganhar o campeonato carioca…

Se Mangueira não sair vencedora no carnaval do Rio…

Se a Gaviões não faturar o de São Paulo…

Se o PAC não realizar todas as obras prometidas…

Se o dolar não cair novamente abaixo de R$1,70, até maio

Se a Bolsa não voltar logo a ser um paraíso - para alguns…

Se o Rio não for escolhido para sediar os Jogos Olímpicos de 2016…

Já sei quem será o culpado:

Barack Hussein Obama, claro.

Não é ele a esperança de todos???

Mas, se o Brasil não vencer a Argentina nas eliminatória…

Obama estará salvo…

O culpado será mesmo DUNGA.

Não é ele a certeza da grande maioria???

23

de
janeiro

Prazer de sofrer

Torcedor do Miracemense, licenciado da Liga local no campeonato da cidade, não entendo, por todos os santos, porque torcedores e jogadores corintianos gostam tanto de sofrer. Não parece mais gostoso e saudável sorrir, alegrar-se?

Depois do suado empate contra o Barueri (2-2), ontem no Pacaembu, Vítor Simões, recem chagado ao Timão, autor dos dois gols, não deixou por menos:

"Foi difícil, como sempre para o Corinthians, mas valeu a pena sofrer".

Valeu a pena sofrer?

23

de
janeiro

Proteção na orelha, recomenda-se

O gordinho Vitor Simões, 27, 1,75m, 79 quilos, 10% de gordura, atacante do Botafogo, que no fim de semana enfrenta o Boavista, em Bacaxá, pelo Campeonato Carioca, se acha fisicamente parecido com o ex-boxer Mike Tyson.

Lembrando que numa das últimas lutas Tyson, desesperado, perdendo o combate, mordeu a orelha de Evander Holyfield, seu adversário, recomenda-se aos zagueiros do Boavista usarem algum protedor de orelhas. 

Nunca se sabe, né? 

23

de
janeiro

Com base no quê?

Que todo mundo torce para o Corinthians é um fato. 35% - como alegam - a favor e os demais, contra.

Que todos os cartolas - sem exceção - torcem para que o Corinthians faça sempre boa campanha, ninguém nega.

O torcedor se entusiasma, lota dos estádios e dá renda para os adversários - além do aluguel do campo, que o Timão não tem.

Torcer para ele ser campeão, é outra história. Nas rodadas finais, todos secam o Timão.

Mas, daí quem manda notícias do futebol brasileiro para o site da Fifa achar que o Corinthians, só porque contratou vários jogadores e pode montar um bom time, tinha de vencer o Barueri ontem no Pacaembu (2-2), é um exagero.

Como é exagero achar que o empate foi um vexame.

Devagar com o andor que São Jorgte é de barro 

22

de
janeiro

Uma questão de sotaque

Pai zeloso, querendo ver Giovaninho, 7,  único filho, por enquanto, crescer não apenas saudável de corpo e mente, palmeirense convicto, sem se deixar influenciar pelos amiguinhos do São Paulo, onde é sócio e estuda, mas como um homem para o mundo, Carlão da Panini, aproveita o episódio da "fuga" de Robinho para passar uma lição para o herdeiro:

- Percebeu agora, Giovaninho, porque eu falo que você precisa estudar bem inglês?

- Por que, papai?

- Para não falar com sotaque de São Vicente, como o Robinho, e não entender o inglês castiço do Mark Hughes, técnico do Manchester United

- E o que é castiço, pai?

- Bem, bem, deixa pra lá, Giovaninho, e vá estudar inglês, vá.

20

de
janeiro

Pecado c$pit$l

Não há a menor razão para desacreditar de Kaká quando ele, ontem à noite, afirmou não ter pensado 30 segundos em trocar o Milan pelo Manchester City.

Religioso, cumpridor de todas as suas obrigações, no campo e no templo, Kaká é um exemplo de homem e atleta, que não tem a menor necessidade de mentir.

Mas, perguntarão, por quê, então, ele e seus procuradores, de acordo com todo o noticiário e as declarações da diretoria do clube, mantiveram reuniões com o comando do Milan?

Se fosse para brincar, eu poderia responder que a reunião, ainda que por aqui tenha durado horas, lá não demorou nem mesmo 30 segundos, porque o frio no norte da Itália congelou os ponteiros dos relógios, que não se movimentaram.

Mas não é o caso.

Assim, Kaká pode ter, direta ou indiretamente, mantido longa reunião com os diretores do Milan, discutindo a proposta do Manchester City, a fortuna que o clube inglês lhe oferecia, beneficiando, por tabela, o São Paulo - que esfregava as mãos pelos R$14 milhões que receberia como clube formador -, a Ingreja Renascer, com o aumento do dízimo que Kaká oferta e o próprio Milan, que receberia sua bolada, tudo sem pensar 30 segundos em sair.

"Eu não quero ir para o Manchester City, mas, por "n" razões, financeiras ou não, posso perfeitamente discutir a questão". Kaká poderia perfeitamente ter pensado assim, e sua afirmação seria verdadeira, como acredito.

Por quê, então, não dizer logo no primeiro momento, poupando todos de tanta expectativa?

Ora, não queira entender a Santíssima Trindade, apenas a aceite.

E Kaká é um jovem religioso, mas não é santo. 

 

20

de
janeiro

Por que?

Por que será que insistem em dizer, com unanimidade por aqui e em boa parte pelo mundo, que os Estados Unidos elegeram seu primeiro presidente negro, que daqui a pouco toma posse do cargo, recebendo como pesado fardo a expectativa universal de que resolverá todos os problemas da terra?

Por que será? Será que o povo americano, antes tão racista, hoje tão mulatinho rosado quanto somos, sem conseguirmos deixar de, ainda assim, sermos racistas, votou em Obama por ser negro?

Ou será que, depois de eleger "mocinhos de segunda" categoria e outros incompetentes sem fama, os mulatinhos rosados do norte votaram mesmo é num candidato competente, inteligente, que apresentou bons projetos para o país, em belos e coordenados discursos, olhando a cor da sua pele, que não tem nada demais, mas não decidindo por ela seu voto?

Achar diferente não seria menosprezar o povo americano, um povo que, olhando a grandeza do país, não dá a menor pinta de ser burro? 

Preto, branco ou competente?

19

de
janeiro

Nada mais fácil

Obina, ídolo e vilão da torcida do Flamengo, disse que o importante é fazê-la feliz.

E eu digo que nada mais fácil

É só marcar gols - ainda que para tanto tenha de saborear menos acarajés

18

de
janeiro

Kaká deve ou não se mandar do Milan?

Em meio a tantos palpites, Pato, 19, que de tal parece nada ter, deu a resposta clássica e mais acertada, quando interrogdo:"ele deve decidir sozinho, e saber o que faz".

Pato tem 19 anos, e antes de completar 18, graças ao seu bom futebol pode trocar o Internacional, um grande time no Brasil, pelo Milan, um grande time na Itália. Começou muito cedo, o que é raro, mesmo entre nossos jovens jogadores mais prendados, a fazer sua fortuna. Que ainda crescerá muito, se não bancar o pato.

Beirando os 30, milionário muitas vezes, o inglês David Beckham, depois de ganhar fortunas no Manchester United e de dobrá-las no Real Madri, foge da resposta clássica e diz que Kaká não deve trocar o Muilan pelo Manchester United, "porque dinheiro não é tudo".

E não é mesmo. Vale lembrar, porém, que para dobrar toda a fortuna ganha no Manchester, no Real Madri e em publicidade, Beckham trocou, há coisa de um ano, o Real pelo LA Galaxy, dos Estados Unidos, onde o "soccer" insiste em engatinhar. Estaria arrependido? Teria mudado de idéia? Sobre isso, nada disse.

Nos três anos em que participei dos debates no ARENA, da Sportv, em dezenas de vezes a questão foi colocada em discussão: "jogador deve ir para um time sem expressão só por causa de dinheiro?"

Acredito que era o único a achar que jogador tem vida profissional curta, a grande maioria vem de berço humilde, precisando fazer um bom pé-de-meia e que não podia se dar ao luxo de só qurerer jogar em time de grande projeção na Europa - Real, Barcelona, Manchester United, Liverpool, Arsenal, Inter, Milan, Juventus, e paravam por aí - como a quase unanimidade dos debatentes insistia.

Eu, e me lembro bem, a totalidade dos jogadores presentes aos debates. Nem todos, para começar, têm qualidades para jogar naqueles times, devendo, por isso, aceitar, depois de estudá-las bem, as propostas de times menores. Mesmo para os mais competentes, não há vaga para todos que pintam bem por aqui nos times de primeiríssima.

Outro argumento que usavam, e que considero furado, é que indo para países sem tradição - Rússia, Ucrânia, alguns falavam até na França e reclamavam da Alemanha, onde tiravam apenas o Bayer de Munique - o jogador desaprecia e diminuia as chances de chegar à seleção.

Duas bobagens: nem todos brasileiros que aparecem por aqui e se vão têm bola para jogar na seleção. E os que têm, estando aqui ou distante, aparecerão, porque vai longe o tempo da fitinha VHS com imagens editadas. Hoje se tem imagens de todas as partes do mundo.

Os que pregam que os jogadores só devem sair daqui para grandes times da Europa - e limitam Itália, Inglaterra e Espanha - são os mesmos que deixaram a cidade pequena, vindo para a grande em busca de melhores oportunidades, e mandam os filhos fazerem intercâmbio cultural - claro, que sempre pensando para eles um futuro melhor.

Filho de classe média alta, rico, graças ao belo futebol que tem, Kaká deve ter escandalizado a muita gente que gosta de decidir pelos outros. "Nossa,- deverão ter repetido várias vezes- como é que o Kaká pensa,  aceita discutir a possibilidade de trocar o Milan por um time medíocre como o Manchester City? Kaká não precisa de dinheiro, joga num grande time, tem prestígio e saindo do Milan vai desaparecer. Dinheiro não é tudo na vida", completarão.

Como Bekkham fez, depois de ter feito exatamente o que Kaká estuda poder fazer. E como milhares de pessoas devem estar repetindo, só porque - e talvez não lhes ocorra isso - não têm a chance de serem tentadas pelo "diabo".

Sabe quando Pelé, o maior de todos em todos os tempos, foi ganhar dinheiro de verdade - e hoje se vê que nem era tanto assim? Quando, em 75, aos 34 anos, aceitou jogar no Cosmos, assinando por três anos e para ganhar U$5 milhões. Isso mesmo, apenas, se diz agora, U$5 milhões.

Numa sexta-feira, três dois antes de anunciar a assinatura do contrato com o Cosmos, por volta das 7 da manhã, depois de treinar, mudando a roupa no vestiário da Vila, perguntei a Pelé se ele sabia o que o povo estava dizendo sobre a possível volta dele ao futebol, não tando disputado a Copa de 74, e ele me respondeu que queria que o povo…". 

Não sei se Kaká deve ou não aceitar a bolada que lhe estão oferecendo. Ele é culto e seu pai, quem cuida de sua carreira, também. Apenas estou tratando da questão porque, o simples fato de Kaká aceitar analisar uma proposta do Manchester City, no entender dos puritanos, "um timeco", me dá a certeza de que minha posição naquelas oportunidades - que continuo mantendo - era correta.

Dez jogos abaixo do que deles exigem, dois anos mais sem o Milan ganhar títulos, e torcedors fanáticos, jornalistas durões, mudarão o acento do seu nome. Receberá críticas e não faltará que diga que ele era um bonde e foi bobo por não ter ido ficar bilhardário.

Dinheiro não é tudo na vida, é o que dizem e eu acho. Mas é o que pouquíssimos realmente pensam - infelizmente. 

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