7
de
janeiro
O dia em que achei Rivelino “escondido” - II
“Quem conhece bem Vicente Matheus, espanhol dos bons, incapaz de negar sua raça, sabe que ele não é homem de mudar de opinião. E sua opinião depois do jogo com o Palmeiras até a primeira reunião era no sentido de vender o passe de Rivelino, coisa que, aliás, já tentou antes, durante a Copa do Mundo, sem conseguir. Matheus, é fácil saber verificando a opinião de seu amigo, conselheiro particular e presidente do Conselho Deliberativo - Mário Campos - apenas mudou de tática, não de opinião. Enquanto ele fala em não vender, em novas contratações, Mário Campos dá até o preço que consideram bom para abrirem os negócios: 5 milhões de cruzeiros.
“Enquanto Mário atrai comprador falando que o fato que o fato de se colocar à venda o passe de um jogador como Rivelino, conhecido como ele é, não serve para desvalorizá-lo, Matheus fala (apenas fala) exatamente o inverso.
- Rivelino é patrimônio do clube e não pode ser desvalorizado. Continuo achando que ele jogou mal na decisão, que não vibrou, que não cumpriu todo seu papel, mas acho que não podemos desfazer dele por qualquer preço. Ele é caro, um craque e só venderemos seu passe por um preço muito bom. Nunca para um time de São Paulo.
A restrição que Matheus faz quanto ao comprador, mesmo dizendo que o jogador não está à venda, é a mesma que a torcida (Gaviões da Fiel e Camisa 12) fazem ao exigir o afastamento total e definitivo do seu antigo Reizinho.
- Vendam ou não seu passe, Rivelino nunca mais deve vestir a camisa do Corinthians. Ele já foi nosso ídolo. Agora é um jogador marcado, que não tem mais condição de defender o clube. Ele fugiu da luta, fez exatamente a única coisa que nós não aceitávamos. Mas não pode ser vendido para o São Paulo para não vingar depois em cima da gente, marcando gols impossíveis (Cláudio Vila Maria).
- É essa restrição aí que a gente às vezes não consegue entender. Se ele não é bom para o Corinthians, se não tem mais futebol para defendê-lo, por que esse receio de que vá para outro time? Seria até bom enfraquecer o adversário (Nicola Rivelino)
“Sem ironia, falando sério e tentando entender a razão de tanta onda, de tanto descontentamento, Rivelino prefere, ainda, indagar por que só ele está pagando pela perda do título.
- Eu realmente não joguei bem, mas ninguém pode duvidar de que eu queria. Quem não gostaria de ser campeão pelo Corinthians? Eu queria, gostaria, sonhava marcar dois, três gols. Mas não deu. Perguntam porque eu joguei muito atrás, porque não fui para frente. Se foi por ordem ou não do Pirilo. Ele me deu liberdade para ir à frente, quando desse. Mas acontece que quase não encontrei oportunidade para isso. Adiantaria alguma coisa ir dar trombadas, brigar contra uma defesa fechada, sair de onde eu podia servir melhor ao time e ir cair na marcação do Dudu? Eu acho que não. Fui mal, joguei pouco, mas não foi por gosto. Será que só eu joguei mal, errado? Acho que no primeiro jogo fiz o mesmo papel e ninguém falou nada. Não perdi nenhum gol feito. Por que tudo em cima do Rivelino? Todos queríamos ganhar. Mas será que tínhamos que ganhar?
REFORÇOS NECESSÁRIOS
“Rivelino sabe a resposta para algumas dessas indagações que faz. Sabe que é tudo sobre suas costas, porque ele é o maior salário do time. É o jogador mais caro do Brasil e era o ídolo de um time de massa que lutava por um título que não via há 19 anos. Sabe também, mas não confirma nem mesmo por gestos, que nesses anos todos - que só o Palmeiras e o São Paulo, por terem grandes times, por descuido e por outras sortes conseguiram parar algumas vezes a máquina do Santos - o Corinthians nunca chegou a montar um time que, por ser muito bom, completo, tivesse a obrigação de ganhar o título. Rivelino não confirma, mas a verdade é tão patente, que a própria diretoria, ouvindo o técnico Pirilo, o médico Osmar Soares de Oliveira, os preparadores Medina e Gibe, concordou que a campanha do time foi muito boa, que se tivesse outros bons jogadores poderia ter sido melhor e que para este ano eram necessários alguns reforços (que já estão chegando - Adílson, Ruço e outros)
AS ANTIGAS CABEÇAS
“Seu grande crime foi pedir um salário alto, que pelo menos naquela hora todos (ou quase todos) acharam que merecia, e ter encontrado uma diretoria disposta a pagar tudo que pedia. A exigência de uma cabeça para justificar mais um ano sem título tem sido uma constante na história do Corinthians messes últimos anos. Antes, enquanto o time nem chegava na final, ao sentir de perto o gostinho da festa, as cabeças pedidas eram de diretores. Foram de Alfredo Inácio Trindade, de Vadi Helu, de Miguel Martinez e até do próprio Vicente Matheus. Desta vez a cabeça pertence a um jogador, mas a razão para querê-la na bandeja (com raríssimas exceções) são as mesmas, as eleições marcadas para março deste ano.
(amanhã final)

