Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

5

de
fevereiro

Vende-se um sofá

O amigo Olivério Júnior gosta de contar aquela piadinha do marido que pegou a mulher aos amassos com seu melhor amigo, no sofá da sala, e no dia seguinte vendeu o sofá.

A piadinha é boa. Só acho, e sempre digo a ele, que vez por outra os papeis dos personagens podiam ser invertidos. Concorda?

No mundo da bola, mais uma vez o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ameaça não programar jogos da seleção brasileira para cidades onde o torcedor a vaia. Só para onde os aplausos são fartos, mesmo quando não merecedores.

Não sei se a ameaça será levada adiante, torço para que sim. E os torcedores de São Paulo, Rio e Belo Horizonte estarão livres de noites de terror, como a que, por exemplo, viveram os cariocas no Engenhão quase às moscas - não fossem os convites distribuidos às pressas - naquele triste 0 a 0 com a Bolívia.

E nem ouso alertar que, cumprida a ameaça, a seleção poderá não ter onde jogar no Brasil. Ou talvez venha a jogar com portões fechados, sob aplausos gravados.

Ao invés de vender o sofá, não seria melhor montar seleção que arranquem aplausos, que encantem e justifiquem esse papo de ter o melhor futebol do mundo?  

5

de
fevereiro

Cipulo e os juros da Dona Maria

A aflição que começava sentir com o aterrorizador silêncio que caia este início de tarde cá em casa, depois que os pirralhos deram adeus, acabou superada com a volta do Lucas, aquele pássaro preto que frequenta a jaboticabeira, outra vez começando a florir, deixando no ar um perfume sem igual.

Não sei se o Lucas voltou porque se incomodava com a algazarra dos pirralhos ou se por causa das flores e do perfume. Até onde sei, são os sabiás e não o Lucas que me irritam bicando as jaboticabas - sabará, casca fina -antes de se tornarem negras e saborosas.

Só sei que o Lucas soltou a garganta, afiadíssima, exatamente no momento em que atendi o telefone para receber dicas do amigo palmeirense, perdão, palestrino, como ele gosta de ser tratado, que se identifica como Boca Santa - "por só passar verdades".

- Aquino, disse o Boca Santa, essa história de diretor emprestar dinheiro ao clube não te faz lembrar dos "juros da Dona Maria"?

Faz sim, amigo oculto, disse a ele.

Há muitos anos, um presidente que também comandou o Palmeiras por largo tempo, emprestou certa importância ao clube e cobrava juros sobre o empréstimo, que ele dizia serem menores, mas que a oposição jurava serem maiores que os bancários.

Os inimigos diziam que o dinheiro emprestado era do próprio presidente, mas ele jurava ser da Dona Maria, sua irmã - o que, no caso, dá na mesma. Pois o certo é que todo fim de mês lá estava registrado na contabilidade o pagamento de juros à Dona Maria.

Um crime? Nunca disseram isso. Uma farsa? Talvez. Uma forma errada de admimostrar o clube? Na certa que sim. Dirigente não deve colocar - e muito menos tirar - dinheiro no clube como empréstimo. Qualquer empréstimo deve ser solicitado a um banco e logo contabilizado. Com todos os cifrões. Nos seus mmmmiiiinnniiimmmoooosss detalhes.

Se para mais não ser, para não dar o direito da dúvida aos opositores. Ainda mais, no caso de Gilberto Cipulo, sendo ele um conhecido advogado, homem afeito às leis.

Não sei, como disse o Boca Santa, com o canto suave do Lucas ao fundo, se o empréstimo feito ao clube por Gilberto Cipulo tem algo parecido com os juros da Dona Maria, mas acho que os palmeirenses, e também os palestrinhos, como o Boca Santa, merecem o mais rápido possível, uma ampla explicação. Documentada, naturalmente, porque advogados costumam dizer que o que não está escrito não está no mundo.

Fica só na maldita Boca Santa. 

5

de
fevereiro

Um, não, dois, três passos atrás

Ao se apresentar ao Fluminense, Thiago Neves disse coisas velhas, manjadas, como esperar voltar à seleção brasileira, e coisas que, não sendo novas, marcam como interessantes. Disse que voltar ao Fluminense, depois de fracassar no Hamburgo, da Alemanha, onde ficou seis meses, é dar um passo atrás.

Disse, e não faltou quem considerasse um erro, um lapso da parte dele dar tal declaração.

Pois vejo diferente. Vejo que Thiago Neves falou a pura verdade. E vou além. Acho que ele deu não um passo atrás, mas dois, talvez vez três - porque fica por aqui só até junho deste ano e depois, longe de Hamburgo, vai bater sua bolinha no Al-Hilal

Ir para ao Al-Hilal quem, jovem, não se deu bem na Alemanha e voltou na primeira oportunidade, sem mostrar gana, garra, sem dizer, como outros, que só sairia dali depois de triunfar, é ou não é dar passos atrás?

Thiago Neves disse que voltou porque não estava sendo escalado e queria jogar, o que significa escolher o caminho mais fácil. Melhor teria feito como Raí, por exemplo, que também não se deu bem nos primeiros tempos no Paris St.Germain, mas resistiu, não aceitou qualquer transferência, até vencer e tornar-se ídolo do clube.

Jogadores que vão e voltam diante de um fracasso inicial, não só andam como caranguejo, como atrapalham a ida de outros jogadores, porque os clubes europeus acham que eles também farão o mesmo.

5

de
fevereiro

As férias acabaram

Renato, 11, e Fernando, 7, voltaram às aulas, ao tênis e ao judo, em Ribeirão Preto. Os gêmeos Isabe e Thomaz, 4, e Marina, 2, voltam esta noite para Weston, EUA.

Terminaram as férias, as brincadeiras, fica a saudade, que matarei em breve, pegando o "big air plane".

Enquanto isso, para diminuir a saudade, ao trabalho.

 

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