3
de
março
Zagalo, Éder, Bitico
Nos tempos de moleque, lá em Miracema, e faz tanto tempo, quando meu tio Zé, porteiro vigilante e durão, não me tirava pelas orelhas, depois de me ver pulando o muro do estádio da avenida Carvalho, me divertia muito torcendo por meus ídolos.
O maior deles foi, sem a menor dúvida, Jair Polaca, presidente, técnico, roupeiro e mais um monte de funções, além de ponta direita do Miracemense. Polaca era um idealista - que mais tarde, quando eu já havia pegado o trem e desembarcado em São Paulo, ajudou também a manter vivo o carnaval de rua na cidade - sem quem a bola não rolaria gostosa nos concorridos campeonados da Liga Miracemense, que tinha, se bem me lembro, além do Miracemense, o Esportivo, o Tupã, o Bandeirantes e o Paraíso.
Mas depois de Polaca, outros craques enchiam meus olhos. Lauro, um gênio, do Tupã. Rubens Carvalho, os goleiros Dizinho e Zé Souto. Olavo Cueca, França, Plácido, Cabelo, Zé Toquinho e o ponta esquerda Bitico.
Um misto, e minha lembrança não falha, de Zagalo e Éder, cada um em seu tempo e Bitico lá atrás, bem atrás. Tinha as arrancadas e os chutes fortes e certeiros do Éder, no Cruzeiro, na seleção e em outros times. E, digamos, o cuidado que Zagalo mostrava para não se contundir, evitando as entradas mais duras.
Um ponta de encher os olhos, conclui mais tarde, quando me meti a escrever e falar sobre futebol.
Um amigo que hoje foi bater bola em outros campos, de outras dimensões. Informou-me Ademir Tadeu, miracemense como eu.

