24
de
março
Só pode quem tem bola
O que será que deu na cabeça de Luiz Fabiano para que ele decidisse mudar seu "penteado", trocando a cabeça antes quase pelada por essa de transinhas tão modernas? Tédio? Descanso forçado para recuperar de contusão, o que dá tempo demais para pensar? Ou palavra de mulher?
Seja lá o que for, garanto que Dunga e os pachecões adorarão o novo visual, desde que ele continue cumprindo fielmente sua missão de fazer gols. Mas se passar longos jogos sem marcar…
Modismo em jogadores, de bom ou mau gosto, só é aceito, pelo menos por mim, se ele justificá-lo no campo. Quem é bom de bola pode se apresentar do jeito que quiser. Quem com ela não tem intimidade, o melhor que faz é ficar quietinho, tentar passar em branco, sem que o percebam.
Num almoço para entrega do troféu Bola de Prata, pela revista Placar, no início dos anos 70, Pelé apareceu vestindo um terno roxo, com detalhes em preto na gola. Ao cumprimentá-lo, Paulo César Caju, elegante num terno branco, camisa azul clarinho, foi direto:
"Negão, só você mesmo pode sair na rua com uma roupa dessas e não ser confundido com São Benedito fugindo da Igreja na quaresma."
Paulo César, por exemplo, tinha bola para pintar o cabelo - daí o apelido incorporado ao nome, mas Romeu "Cambalhota", ex-Atlético Mineiro e Corinthians, não tinha. No futebol de hoje talvez tivesse, mas no do seu tempo, não. Osvaldo Brandão permitia que ele usasse trancinhas, mas sempre com uma condição - que ele fosse efetivo no ataque, sem esquecer de combater o lateral adversário.
"Caso contrário, aperto seus parafusos frouxos", repetia, fingindo ter na mão uma chave
Macedo, que hoje, vencidos os 40, ainda corre pelos campos do interior, também não podia. Foi por isso que no dia em que apareceu com apliques iguais aos agora usados por Luiz Fabiano, depois de quatro horas no cabelereiro, Telê Santa deu a ele 40 minutos para arrancá-los.
Leivinha, craque nos anos 60/70 defendendo Portuguesa, Palmeiras, Atlético de Madri e Seleção Brasileira tinha bola para tingir com camomila seus cabelos esvoaçantes. Assim comoRoque Júnior antes de ser vencido pelas contusões. Mas são poucos e Luiz Fabiano que cuide da bola no campo e esqueça as madeixas.


Comentário por gilberto maluf — (21:27)
Em 1977 trabalhava no Metrô e um dos colegas sempre que podia ia ao Rio, torcia para o São Paulo, era filho de um desembargador que era irmão de um dos cardeais do time da Vila Sônia.
Não preciso dizer que ele tinha cadeira cativa, as vezes me emprestava. Mas tudo isso para falar de uma festa que ele foi no Rio de Janeiro e um dos que cuidavam do “penteado” apareceu na festa.
A dona da casa falou assim: Ih, lá vem aquele chato do Paulo Cesar , que abre a minha geladeira e toma todo o meu leite.
Ainda bem que tomava leite na época.
Bem que você falou, Romeu hoje seria titular em qualquer equipe.
Comentário por aquinojmde — (22:44)
Mas quando foi para a França - tem feito excelentes palestras sobre o assunto, alertando a garotada - trocou, de forma errada, o leite por coca. Descobriu, embora com certo atraso, o engano e hoje busca dar bons exemplos. Tem uns dez dias nos encontramos num churrasco para comemorar o aniversário do Vampeta e batemos uns minutos de papo. Bom papo. Junto estavam Jairzinho, Coutinho e… - será preciso citar outros mais? Quanto ao Romeu, maluco beleza, hoje jogaria no meu time. abrassss
Comentário por gilberto maluf — (6:34)
Zé Maria, você lembrou do Coutinho….ele era fulminante dentro da área, dizem até mais que o negão dentro da área. Por volta de 1964/1965, , num sábado à noite, o Coutinho voltou a jogar bola, tinha emagrecido um pouco, justamente contra o Corinthians. O Santos subiu as escadas dos vestiários do gol de entrada do Pacaembu e parou, esperando para entrar junto com o Corinthians para não levar vaia, se é que precisava disso. O Corinthians subiu e parou também. Até que como não dava para ficar alà travado, o Corinthians entrou e o Santos também.
Tudo isso para falar que foi 3 x 0 para o Santos e os 3 gols do Coutinho.
Comentário por aquinojmde — (9:26)
Era gênio. Mais habilidoso do que Pelé. Toques sutis. Fintava com o olhar. Deixava Pelé na cara do gol e não reclamava. Só quando fazia o gol e Válter Abrahão gritava que do Negão. No dia do seu casamento, na Igreja do Embaré, Santos, a multidão subiu nos altares e derrubou imagens de santos. Encontrei-me com ele há duas semanas, no Operário. Está desenvolvendo uma peneira para descobrir talentos. Hoje não é mais fechadão…abrs
Comentário por gilberto maluf — (13:48)
Lembrei-me de um drible tÃpico do Coutinho:
com a bola parada ele gingava para a esquerda flexionando seu joelho esquerdo ( obviamente o marcador já foi para a esquerda também ) e a perna direita ficava esticada à direita com a bola debaixo da sola do pé.
Gozado, faz quase 40 anos que isso se passou e a imagem volta à mente.
Deixe-me lembrar outra passagem: Em 1963 o Corinthians contratou do Internacional o quarto zagueiro Claudio, pesado que só o uruguaio Taborda e o argentino Sebá.
Ele ficou no meio de uma tabela de cabeça enntre o Pelé e o Couto. Foi de envergonhar. Foi neste mesmo jogo, 3 x 1 para o Santos, que atrás do gol dos portões monumentais o Pepe mandou uma bola na trave do Heitor. A bola fez uma curva incrÃvel e devido ao silêncio ( medo ) escutei o barulho dela no travessão.
Estas coisas a gente não esquece. E o folclore só aumentou. Na concha acústica tinha um remendo na parte interna e um gaiato falou que foi uma bomba do Pepe. Esta nem nos meus 12 anos na época deu para acreditar.
Abs
Comentário por aquinojmde — (11:57)
A gente fica lembrando dessas jogadas e logo dirão que somos saudosistas. Não somos, mas que a bola era mais bem tratada, lá isso era.abrs