Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 5 Mundiais. Tv-Terra, RBTV, PFC-Camarote

25

de
março

Cuidado com gato acuado

João José Rath, que com todos os méritos era chamado de gênio por seus amigos na redação da Placar, anos 70, ensinou-me certa vez que os gatos são naturalmente doceis e amigos, quase tanto quanto os cães. Manhosos, amam a liberdade, como todos nós, mas podem se tornar extremamente agressivos quando acuados.

"Um gato é capaz de matar uma pessoa se, acuado, não encontrar outro caminho para fugir".

Nunca esqueci as lições do gênio Rath, e sempre respeito, mais do que temo, os gatos, dos quais, como dos cães, procuro guardar distância.

O gênio João Rath nos deixou há alguns anos e, na certa, não ensinou as manhas dos gatos para muitas outras pessoas, especialmente policiais e promotores de justiça. Tivesse, e algum deles teria lembrado de não confinar torcedores, transformandos-os em gatos acuados.

São homens, animais racionais, e como os gatos, irracionais, mas inteligentes, gostam e querem liberdade. São responsáveis por seus atos, e por eles devem pagar, como todos os demais, - os colarinho branco, inclusive - se infrigirem alguma lei.

Um pouco tarde, mas antes tarde do que nunca, responsáveis pelo policiamento nos campos de São Paulo, estão descobrindo - O Estado de São Paulo, 24/3/09 - que a redução de cotas (de ingressos para torcedores dos times visitantes - aumentou (ao contrário de diminuir) a tensão  nos estádios.

A razão parece muito simples - porque se sentem como gatos acuados. Assim como é simples saber que as pessoas - e não apenas torcedores - se tornam "mais valentes" quando em grupo.

Libertem, pois os gatos. Não forcem a formação de grupos. Permitam que a liberdade abra as asas sobre todos - como sempre foi. As brigas continuarão, como, infelizmente, existem em todas as partes e não apenas nos estádios.

Aí, é só a polícia, no exercício de suas funções, prender os violentos, o Ministério Público denunciá-los, a Justiça, sendo o caso, condená-los, e a imprensa divulgar as punições com a mesma força e volúpia que comenta as brigas.

Se vierem leis especiais, como prometem, melhor. Mas as que existem servem bem para punir bagunceiros uniformizados, como punem descamisados. Lembra-se daquele coitado acusado - só ele? - de matar a pauladas um torcedor numa decisão da Taça São Paulo, entre Palmeiras e São Paulo, tem coisa de 15 anos? Pois ele foi condenado e cumpre pena. 

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13 Comentários »

  1. Comentário por gilberto maluf — quarta-feira, 25 de março de 2009 (13:38:11)

    Comecei lendo seu comentário e já no meio da leitura, quando você escreveu ” A razão parece muito simples - porque se sentem como gatos acuados ” foi de uma felicidade impar. Excelente e criativo ao extremo.
    Vou, na medida do possível, passar para frente seu artigo.

  2. Comentário por aquinojmde — quarta-feira, 25 de março de 2009 (15:50:41)

    Hahahaha você me deixa, não acuado, mas encabulado. E aí, nada mais a dizer, que não seja obrigado para passá-lo adiante. Muitos não concordarão, mas…
    Já ouviu sobre uma passagem do chefe de redação do O Cruzeiro com o então redator Assis Chatobriand? Contam que aproximando-se a Semana Santa, o chefe pediu ao Assis para escrever um artigo sobre Cristo, e que Assis teria indagado se a favor ou contra.
    Se Cristo não é unanimidade… mais hahahahaha. abrs.

  3. Comentário por Emanuel Mattos — quinta-feira, 26 de março de 2009 (20:48:48)

    Caro Zé Maria,
    você me deixou com um nó na garganta ao postar, logo no início o nome de João José Rath Filho, o querido João Rath.
    Minha amizade contigo foi começou a ser construída exatamente ao lado de João Rath, durante mais de 40 dias que passamos juntos, na Copa do Mundo da Argentina, em 1982.
    Você não tem idéia de quanta saudade sinto daquelas caminhadas que o Rath inventava, em que saía com ele, sem rumo, por Buenos Aires, atravessávamos o Obelisco e íamos até o lado que ele considerava o melhor da cidade, onde os argentinos viviam de verdade, não era reduto de turistas.
    Onde velhos garços faziam as contas com o lápis nas mesas com toalhas de papel.
    Onde ele contava uma história fascinante e finalizava com aquele inesquecível: “Eu minto bem pra caralho”.
    Zé Maria, que bem me fez apenas ler o nome de João Rath agora. E que bom saber que um querido amigo como você lembra desse gênio, nascido aqui no Rio Grande, mas que fez escola em todo o país, tanto que volta e meia o vejo citado por grandes profissionais.
    João Rath, descanse em paz, onde estiver.
    Grato mais uma vez por lembrar dele, querido amigo.
    Forte abraço, irmão!

  4. Comentário por aquinojmde — sexta-feira, 27 de março de 2009 (09:18:00)

    João Rath veio do Rio aconselhado pelo A.A. para ter cuiddo comigo e no início me olhva de longe. Uma noite convidou-me para saborear uma qualhada num restaurante de terceira na avenida São João. Não gosto de qualhada, mas fui, para saber a razão do convite, que naturalmente nada tinha com a qualhada.Entre uma colherada e outra ele começou dizendo assim: “você sabe que você é um gat”? Não sabia e ele foi rodeando, rodeando, até contar que…

  5. Comentário por aquinojmde — sexta-feira, 27 de março de 2009 (09:21:28)

    …que A.A. o havia alertado para ter cuidado comigo e que ele, após alguns dias - teria sido meses? - descobriu que eu era a pessoa mais honesta, de bons princípios que ele hvia conhecido em São Paulo. Queria me dizer isso e passou a conviver comigo. Chamava-me para ir ao seu apartamento, na Nove de Julho, onde vivia com uma mineira acolhida no Ferro’s Bar e com alguns gatos. Um deles se matou, pulando da sacada na rua. Você sabia que gatos se matam?…

  6. Comentário por aquinojmde — sexta-feira, 27 de março de 2009 (09:29:17)

    No dia em que trocaram de diretor na revista, o novo, logo após tomar posse, chamou-me para sua sala, pediu para que fechasse a porta e sentasse.Feito isso, falou que ia me dizer uma coisa que eu não ia gostar. Como achei que ela estava me despedindo, disse que não devia perder tempo e que bastava o RH me chamar e fazer o que devia. Ele disse que não era para me despedir, mas para avisar que ia despedir João Rath. Perguntei se estava brincando e ele disse que não. Estava me avisando antes de qualquer outra pessoa, por sber que tínhamos grande amizade…

  7. Comentário por aquinojmde — sexta-feira, 27 de março de 2009 (09:32:11)

    Indaguei se estava pedindo meu conselho, coisa que sempre fazia, e ouvi que não. Disse que o Rath era um gênio, grande cara, e ele concordou. Indaguei qual a razão, então, e ouvi que era por incompatibilidade de gênios. Pedi licença e sai…. João Rath foi trabalhar no O Globo e logo era responsável pela primeira página.Grande abraço

  8. Comentário por gilberto maluf — sexta-feira, 27 de março de 2009 (11:52:17)

    Comecei o comentário elogiando o assunto dos gatos acuados e termino também elogiando a sinceridade e lealdade.
    Só estou entrando de novo apenas por causa do “Ferros Bar”, que conheci certa vez, acho que ficava na rua Martinho Prado.
    Este tópico teve de tudo.

  9. Comentário por aquinojmde — sexta-feira, 27 de março de 2009 (12:01:16)

    Ferro’s Bar de grandes memórias. Ficava mesmo na Martinho Prado x Avanhandava. Local frequentado por casais ciumentos…abrss

  10. Comentário por Emanuel Mattos — sexta-feira, 27 de março de 2009 (21:37:50)

    Caro Zé Maria,
    você não revela o nome do algoz do querido João Rath por ser um homem elegante, de classe e que não dá cartaz pra qualquer um.
    Mas eu, em nome da justiça dos homens, que precisam conhecer o caráter de alguns sujeitos, digo com todas as letras o autor desse ato sem nome: Juca Kfouri, que segue até hoje enganando aos incautos.
    Bom, se Judas o discípulo, traiu Jesus, tudo é possível.
    Forte abraço, irmão.

  11. Comentário por gilberto maluf — sexta-feira, 27 de março de 2009 (22:11:29)

    Que coisa. Mas não me surpreende, apenas me entristece.

  12. Comentário por aquinojmde — sábado, 28 de março de 2009 (09:38:05)

    Meu caro Emanuel.Judas não traiu Jesus, apenas estava escrito. Sendo filho de Deus, Ele, tal como o Pai, sabia de tudo. E disse aos Apóstolos na véspera. Tal como as sementes, que precisam morrer para resurgir, Ele precisava morrer para nos dr o exemplo. Para sabermos que o fez por nós - ainda que tantos não acreditem. Grande abraço

  13. Comentário por aquinojmde — sábado, 28 de março de 2009 (09:38:55)

    Bom dia, Gilberto. abração

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