Ainda não encontrei dois sãopaulinos juntos que confiem no time atual e acham, de verdade, que ele pode conquistar a quarta Libertadores. Torcem, mas não acreditam. E cada um tem seu motivo, às vezes mais de um.
- O esquema de jogo do time é previsível. Qualquer leigo logo sabe que as bolas são lançadas para o Washington, que faz o papel do pivô na meia-lua da grande área, tentando girar para o gol ou a aparando para alguém que possa vir de trás, comenta o Fred.
- A questão, é que fica fácil marcá-lo colocando um pela esquerda e outro pela direita. Seu aproveitamento é mínimo. Além do mais, ninguém chega de trás, porque Borges joga praticamente na mesma linha e é fominha, querendo sempre - mesmo não bem posicionado - chutar para o gol, acrescenta o Luiz.
- Repetindo essa manobra, muito manjada, a bola viaja da defesa para o ataque, não passando pelo meio do campo, setor de criação. É a tal jogada do "no stop" que vira bumerangue. A bola não para na frente e arma contra-ataques dos adversários, diz Fred
- A bola não pass pelo meio campo porque o Hernanes está numa fase muito ruim. Aquela jogadinha de passar o pé sobre a bola já é conhecida, fulmina Carlos Henrique.
Ouvi mais uma meia dúzia de "razões" para o time estar mal e não merecer a confiança da maior parte dos tricolores. Chamado, aceitei me manifestar.
Também acho que o time é previsível, que varia pouco as jogadas de ataque, sempre procurando o Washington. E que os lançamentos de longa distância - às vezes simples chutões para frente - facilitam a defesa adversária e permite muitos contra-ataques.
A saída de bola, quando o time escolhe tocá-la, é lenta. São raríssimos os ataques rápidos, que podem pegar a defesa adversária desarrumada, com bola rasteira. Nesses casos, cada um - à exceção de Jean - a carrega demais, quer decidir sozinho. São raras as jogadas coletivas.
Hernanes não passa, mais uma vez, por boa fase, mas em boa parte por culpa das jogadas aéreas, que passam por sua cabeça como aviões no ar, e da lentidão de Jorge Vágner, excelente cobrador de faltas, o que é pouco para o futebol de hoje. Ninguém pode fazer bem apenas uma coisa.
Dagoberto, a "grande descoberta" do momento, não passa de uma tentativa de reviver Leandro, um jogador apenas médio que para ter lugar no time aceitou, e cumpriu fielmente, a missão de estar em toda parte do campo, cobrindo os buracos que fossem surgindo. Resta saber se Dagoberto, sabidamente um nervosinho, terá fôlego para repetir Leandro e paciência com a marcação que receberá.
São muitas as reflexões que os torcedores podem fazer sobre o São Paulo do momento, e como poucas são positivas, justifica-se a desconfiança que ronda o Morumbi em termos de Libertadores.