Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

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de
abril

Hoje tem marmelada? Tem sim senhor…

Nos idos anos 40, na pequena Miracema de população bem menor do que as 35 mil almas que hoje desfrutam de sua tranquilidade, os pequenos circos que por lá apareciam erguiam suas lonas, normalmente pequenas e furadas, no terreno da rua Nova, perto da estação de ferro, que não existe mais, onde foi erguido o mercado de pouca verdura e muita pinga.

Em 49 - ou seria em 48? - nessa mesma época da quaresma, o cirquinho lá montado fazia divulgar pelas ruas estreitas calçadas com paralepípidos e pelas empoeiradas dos bairros não tão distantes do centro "nervoso", a grande atração da quinta-feira santa: a peça "A passagem de Moisés". Não dizia em quantos atos, nem ninguém se interessou.

Bilheterias fechadas, puleiros lotados, saquinho de pipoca na mão, vendedores de algodão doce agitando as lumbrigas dos menores, a bandinha rufa os tambores, silêncio quase absoluto. a pequena cortina que escondia os bastidores se abriu e de lá surgiu um cavaleiro montando um pangaré. Cavalo e cavaleiro cruzaram o pequeno picadeiro e já na porta de saída, o cavaleiro gritou:

"Eu sou Moisés e essa é minha passagem"

Dita a frase, "Moisés" disparou pelas ruas com seu pangaré, deixando a platéia a ver navios.

Mais de meio século depois, os circos da bola que antes montavam suas lonas em local fixo - estádios próprios ou alugados - inventaram de sair por ai levando suas estrelas de pequena ou maior grandeza, obrigando os adversários a levarem as suas.

Que os donos de uma das trupes, chamado dono do mando, a leve para onde quiser, digamos que tudo bem, embora deixe para trás seus seguidores. Mas, obrigar que a outra trupe faça o mesmo, me parece uma aberração. Tudo bem que o regulamento permite, mas não significa dizer que seja uma permissão inteligente.

O São Caetano está obrigando o São Paulo a trocar uma viagem de 18 quilômetros, feita em confortável ônibus, a custo zero, por uma de mais de 600 quilômetros, que só pode - por quem tem pena de seu corpo - ser feita por avião, na véspera da partida, tudo a elevado custo.

A razão para a mudança do local onde a lona do circo da bola deve ser montado, não conheço. Nem é, agora, o caso. Deve ser política, vingança, porque para o bem do seu clube, esportiva ou financeiramente, não é.

Dizem que no Campeonato Brasileiro as trupes poderão se deslocar muito mais, com todos os gastos, sob todos os riscos - de acidentes inclusive. Será? Se o regulamento permitir, é para se acreditar. A não ser que algum dirigente tire da cabeça a cartola que o aperta o cérebro e não o deixa raciocinar e exija uma curta mudança no regulamento da competição.

"O clube que quiser mandar seu jogo fora de sua sede, terá de arcar com todas as despesas que vierem a ser pagas pelo adversário, inclusive seguro contra acidentes".

Revoguem-se as burrices e as jogadas em contrário

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