9
de
abril
Orgulho e humildade
O gol que Rogério Ceni tomou contra o Defensor, na vitória do São Paulo, por 2 a 1, esta à noite no Morumbi, é fruto puro do excesso de confiança. Mal que pode atingir a qualquer um em qualquer momento, e que alegraria os corintianos que, com a graça que deve prevalecer no esporte, o chamam de Garça Manca.
Qualquer goleiro, de Jurandir, Barbosa, Gilmar, Felix, Tafarell, Marcos, Dida, Júlio César e tantos, como Tanga, Dizinho, Zé Souto, Damasceno, da minha infância, aos iniciantes de hoje, sabe que naquele momento o correto era dar um tapinha na bola, jogando-a para escanteio.
Não foi o que fez Rogério Ceni que, grávido de confiança, tentou segurar a bola, sem ter noção exata da posição que estava com relação à linha que demarca o campo. Um tapinha, escanteio e perigo muito menor de gol…
A vitória parcial do Defensor estava decretada e, com o fim do primeiro tempo, só restava à torcida do São Paulo e, principalmente Rogério Ceni, esperarar que Murici Ramalho, técnico do São Paulo, agitasse os jogadores no intervalo do jogo, no vestiário, tirando-o do marasmo e obrigando-o a jogar como exige a Libertadores.
Foi o que aconteceu na segunda fase. Perdendo o jogo diante de quase 50 mil torcedores pagantes - fora os penetras - o São Paulo teve outra atitude, foi à luta, virou o jogo com dois gols de Borges. E, ao apito final, revelando humildade, qualidade presente em poucas pessoas, Rogério Ceni, depois de abraçar Borges, em público, deu a ele sua valiosa camisa.
No caso e no momento, um troféu quase tão valioso quanto o da Libertadores. A humildade devolveu a Rogério Ceni o crédito que ele, por suas atuações precisas, sempre teve, mas que uma eventural derrota, por falha sua, colocaria em dúvida para alguns torcedores - e cartolas do contra.

