10
de
abril
Puxão de orelha ou muito obrigado?
Quem assistiu São Paulo x Defensor ontem à noite, viu um primeiro tempo tímido por parte dos paulistas. Um time tocando demasiadamente a bola de um lado para outro, receoso de perdê-la e ceder contra-ataques aos uruguaios. Um jogo sem profundidade, que enervava sua torcida e a deixava calada, imaginando se o golzinho sairia ou não, como devia ter planejado Muricy Ramalho.
Até que Rogério Ceni, por excesso de confiança, engoliu um coelhão da Páscao, com pelo e tudo mais. O gol, como não podia deixar de ser, obrigou Muricy a soltar o time no segundo tempo, único e melhor jeito de evitar a bronca sonora dos 47.205 pagantes presentes ao estádio.
Na história do perdido por um, perdido por dois, o São Paulo mudou totalmente sua forma de atuar, deixando de ser um time lento, medroso, sem inspiração, mas ser um time valente, jogando como sempre se diz que deve jogar quem quer vencer - seja em Libertadores ou pelada de rua.
Impedido ou não, Borges fez o gol de empate e ele próprio, errando ou não a conclusão, completou a virada, para alegria da torcida e os pulinhos de Muricy.
Foram dois tempos completamente diferentes, com o São Paulo saindo do marasmo depois do coelhão mal digerido por Rogério Ceni. Como, sem tomar o gol, o São Paulo, imagino, continuaria jogando da mesma forma,lenta, medrosa, fico me perguntando:
Passado o susto, a torcida deve apenas puxar a orelha do Rogério Ceni ou dizer a ele, também, muito obrigado?
Como simples apreciador do bom futebol, digo também muito obrigado.

