Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

28

de
abril

Dunga e Felipão

Os gols que Ronaldo vem marcando no Paulista, principalmente o segundo na vitória do Corinthians sobre o Santos, domingo na Vila, dando ao time do Parque São Jorge condições absolutas de conquistar o título, fizeram com que muita gente, e não apenas corintianos, começasse a pedir o atacante na seleção brasileira. Onda que  tende a aumentar, porque a carência de craques por aqui é uma triste realidade.

Como, quem é caolho ou tem um só olho na terra de cego é rei, torna-se praticamente impossível estabelecer um diálogo entre os que olham futebol com frieza e os que se deixam levar pela paixão ou pela necessidade maior de descobrir ou criar novos ídolos para que a peteca, digo, a bola não caia. Se Keirrisson não vem se firmando, como todos aqueles esperavam, um novo rei, que se ressucite o velho rei.

Em termos domésticos, tudo bem, que alguém do pequeno Palermo, de verdade ou de brincadeirinha, entre na onda e diga sonhar com Ronaldo, mesmo sete quilos mais gordo, também. Só que a onda, pelo jeito, não vai mesmo parar por aí. E como um minuano vai soprar forte para o lado de Dunga, técnico da seleção brasileira.

As vozes fortes do futebol brasileiro, Zagalo, Ricardo Teixeira, Parreira e agora Romário, já foram ouvidas favoravelmente ao retorno de Ronaldo à seleção. É certo que todos colocaram a mesma condição: "desde que ele volte a jogar com constância o mesmo futebol que mostrou na Copa de 2002.

Conseguirá? Os apaixonados e os que sentem a necessidade de novos ídolos por aqui, revelados ou renascidos, dirão que sim. Ou que bastará mostrar 50% para já ser melhor que todos os concorrentes. Será? Não jogo nesse time.

E se Dunga também não jogar, terá de ter a determinação que teve Felipão, em 2002, quando a exigência era para que chamasse Romário. Felipão bateu o pé e disse não. Ninguém nunca saberá se com Romário a seleção teria conquistado o penta. Como conquistou, Felipão se salvou.

Chamar Ronaldo para amistosos ou jogos pela eliminatória é diferente. Mas não deixa de ser uma questão que Dunga terá de considerar. De preferência sem consultar Ricardo Teixeira. 

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