Não, não se trata de profissional do sexo feminino exercendo uma função primordialmente, ainda mais no futebol, exercida por homens. Falo de técnica - conjundo de processos duma arte ou ciência, segundo o Aurélio. Arte que cada técnico tem a sua
Falando dos chamados grandes, e começando por um gaúcho, hoje sonho impossível do Grêmio, Falipão procurou usar, desde o início da carreira, a de preparar-se para depois exercer o cargo. Fala pouco, trabalha muito, até por conhecer suas limitações, traça um programa e pouco foge dele.
Obstinado, procurou falar inglês, língua universal mesmo para os boleiros e, sem pressa, chegou na terra berço do futebol que, em se tratando de bola rolando, abre os braços para todos. Tropeçou ou foi derrubado na primeira investida, mas não reclamou nem voltou correndo pela primeira proposta - ainda que milionária em nossos termos. Está por lá e sabendo que a temporada termina em maio/junho, logo estará (bem) empregado.
Em tudo diferente de Felipão, Vanderlei Luxemburgo, bom técnico mas usando a técnica errada de falar muito antes de mostrar, na terra distante, capacidade de realizar o mesmo trabalho feito por aqui, também caiu. E, sem se dar um tempo, voltou correndo atendendo ao canto da primeira sereia. O salário que ganha por aqui continua sendo o maior, mas para todos seu sonho de voos mais altos acabou .Pecou por ser afoito e medroso.
Muricy Ramalho é outro que entra na roda. Mostra no curriculo títulos estaduais conquistados em praças menores e, merecendo ou não, vai ganhando a fama de perdedor em mata-mata. Conquistou brasileiros com o São Paulo, mas perdeu Libertadores Para os que apreciam seu trabalho, o saldo é positivo - ganhou títulos e chegou a finais, o que outros não conseguiram. Para outros, no entanto, seu trabalho perde brilho porque o São Paulo tem sempre os melhores elencos, paga em dia, pode decidir em seu campo etc…
Até faz pouco quase calado e escoltado pela direção tricolor, Murici, de repente, talvez para não perder espaço na mídia para Luxemburgo, Felipão e Paulo Autuori, passou, um pouco como gato em sala de cristais, a falar mais e se dizer preparado para a seleção brasileira e para trabalhar no Exterior.
Mudou a técnica no exato momento em que seu time não encanta - mesmo tendo sua diretoria, sempre posando de a mais entendida, contratado de baciada. Sempre digo que, por melhor que seja seu trabalho, Murici dificilmente chegará à seleção brasileira por ser paulista. Não de nascimento, mas no seu jeito de ser. O Exterior é um bom alvo.
Deixando Parreira, que já viveu todas as fases e aplicou várias técnicas, no seu cantinho, um nome vem sempre à tona, o de Paulo Autuori. Um grande, bom ou só um técnico comum? Com 53 anos de idade, como técnico, Autuori pode ser chamado de "judeu errante". Já dirigiu quatro times em Portugal, sete no Brasil, dois no Peru, além da seleção, um no Japão e agora o Rayyan, do Catar.
Conquistou um Brasileiro com o Botafogo, duas Libertadores, Cruzeiro e São Paulo, e um Mundial com o time do Morumbi. Tem vivido mais fora do que no Brasil. E essa é sua técnica. Quando o foguete sobe, não espera a vara cair. Procura sair campeão, sabendo que o bi, em geral, é visto como mera obrigação.
É esse Autuori, com bela passagem pelo São Paulo em 2005 que o Grêmio está - como outros clubes fizeram antes, sem sucesso - tentando contratar, dando a ele prazo até maio