Nos bons tempos dos humorísticos na televisão, tinha um quadro em que marido e mulher discutiam o tempo todo, e lá pelas tantas ele gritava: "mas um dia eu acerto na loteria". Ao que ela indagava: "pelo menos tem jogado?"
Sem jogar, realmente fica impossível. Jogando, embora as chances sejam mínimas, pelo menos se está concorrendo.
Sendo a vida uma roleta que corre de forma frenética, no futebol é assim também. Se o jogador for craque, trouxer na bagagem grandes conquistas, um passado de glórias, ainda que com alguns altos e baixos, e depois de uma dessas baixas recuperar a forma plena, as portas da seleção sempre estarão abertas para ele.
Queiram ou não o presidente da CBF e, no caso em tela, o técnico Dunga, que tem se monstrado mais maleável que Felipão, quando se trata de ouvir "conselhos e sugestões".
É isso que Ricardo Teixeira, para o futebol menos importante que Ronaldo, e Dunga querem dizer quando, insistentemente perguntados se Ronaldo pode ser chamado para a Copa de 2010.
Respostas do tipo "todo grande jogador, em forma, poderá ser chamado". "Estamos acompanhando o momento do Ronaldo e na hora certa decidiremos…". ‘Claro que Ronaldo poderá ir à Copa, desde que recupere seus melhores momentos" E vai por aí…
Nenhuma novidade agora, nenhuma novidade amanhã, se Ronaldo não for relacionado. A resposta será simples e fácil:"ele está jogando bem, mas não recuperou a forma antiga".
Porque a forma antiga não será, naturalmente a de 2006, nem a de hoje, defendendo o Corinthians em apenas 13 jogos, ainda que marcando dez gols. Será sempre a de 2002. Ou o futebol brasileiro estará na beirada do poço.
A menos que seja verdade certa pressão dos patrocinadores da CBF, o que não quero acreditar. Até porque, logo voltariam aquelas questões (estúpidas) sobre a final da Copa de 98.