Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

15

de
maio

A primeira em casa ou fora?

Nos tempos do curso de Direito, na PUC, Alto das Perdizes, num exame oral, já na segunda época, depois de sortear vários pontos e fazer grande quantidade de perguntas, sem ouvir resposta que não fosse "desculpe, mestre, essa é a única parte que não pude estudar", professor Papaterra Limongi, um santo, fez uma proposta ao nosso colega. Faria a ele apenas uma pergunta mais. Se ele respondesse certo, tudo bem, caso contrário…

"Você é a favor ou contra o hedonismo?" (do grego, que quer dizer prazer. Antiga teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer individual e imediato o supremo bem da vida humana)

Sem ter a menor idéia do que o santo mestre estava falando, nosso companheiro foi rápido na resposta.

"Sou a favor, mestre…"

E recebeu, em voz tranquila, um sermão. Assim:

"Como você, meu jovem, um rapaz de boa família, estudando numa faculdade católica, onde se prega apenas os bons princípios, a moral, pode ser a favor…

Mas foi interrompido antes de terminar a lição de moral.

"Calma,, mestre, o senhor é muito apressado. Eu realmente disse que sou a favor, mas o senhor não deixou que eu completasse que sou a favor dos que são contra, dos que não aceitam, dos que repudiam, dos que…

Ö professor, sempre muito calmo, olhou para nosso companheiro e disse que ele podia ir. Seu exame tinha terminado.

O companheiro levantou-se, mas antes de dar as costas para o professor, sem ficar vermelho de vergonha, arriscou uma perguntinha:

"Diga, mestre, deu para passar?

Essa história, vivida em 1958, parece nada ter com o mata-mata no futebol, mas tem.  Eu pergunto: o que é melhor, jogar a primeira em casa ou fora?

Nos velhos tempos era melhor jogar a primeira fora, hoje não é mais. A explicação está no tamanho dos estádios e no comportamento das torcidas. Antes, os estádios eram menores, acanhados, com os torcedores podendo ficar junto ao alambrado, exercendo dali forte pressão sobre os bandeirinhas, árbitros e jogadores adversários. Não havia televisão.

Hoje, com a construção de grandes estádios - grandes e em quantidade exagerada -, os torcedores ficam distantes dos árbitros e dos jogadores, podendo, no máximo, xingá-los e ameaçá-los com cantos agressivos e bobos, porque nem as tradicionais moedinhas e pilhas usadas, invenção patenteada pelos argentinos, podem atirar mais, sob risco de verem seus times punidos severamente.

A melhor e maior pressão deixou de estar fora do gramado - aqui não se fala de suborno e outras coisinhas, ok? -, mas dentro das redes. O time jogando a primeira em casa e fazendo seu dever direitinho, isto é, partindo para frente, marcando gols, com cuidado para não sofrer, mas sem exagero - como vem acontecendo - joga para o adversário o desespero de tirar a diferença na segunda partida.

Se o time que joga a primeira em casa não fizer a diferença, não marcar seus gols, será por incompetência, e aí tem mesmo é que ser desclassificado.

Concluindo, e falo isso há bastante tempo, desde que os estádios "cresceram", os regulamentos deviam permitir ao clube que hoje, como prêmio, joga a primeira fora o direito de escolher a ordem dos jogos. Garanto que os mais espertos e estudiosos escolheriam jogar a primeira em casa - sem medo das represálias que não existem mais.

O que isso tem com o hedonismo? Ora, o prazer de ver seu time vencer, bolas. 

15

de
maio

Como o diabo gosta

Jornais uruguaios colocaram que dos times brasileiros na Libertadores, o Palmeiras, classificado para enfrentar o Nacional nessa próxima fase, é o mais fraco.

Sopa no mel. E imagino quantos exemplares Vanderlei Luxemburgo deve ter mandado comprar para pregar nos quadros de aviso e armários dos jogadores do Verdão. preparando-os para a palestra que fará antes do jogo, dia 26.

Se funciona? Acho que nem o diabo acredita. Como não funcionou na final de 54, quando dirigentes do Palmeiras, aconselhados por dona Rosa,  Mãe de Santo, vestiram o time de azul e ficaram só de cueca (samba-canção) de madrugada, debaixo da ponte da Vila Maria.

Para quem não se lembra ou nunca leu, o Corinthians não tomou conhecimento do sofrimento dos cartolas (fazia muito frio) levou o caneco.

De qualquer forma…

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