Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

30

de
junho

E viva o varal

O site do Real Madri saiu do ar algumas vezes hoje, depois que a camisa que será usada por Kaká foi colocada à venda, tantos eram os pedidos.

Cada camisa para adulto custa o correspondente a R$234,33. Para criança fica por menos: R$194,00

Por aqui, a camisa do Corinthians vale R$199,90. A do São Paulo custa R$159,00

O Salário Mínimo na Espanha é de 600 euros, mais ou menos R$1.650,00. O maior Salário Mínimo por aqui é R$505,00, pago pelo governo paulista.

É preciso fazer as contas para explicar porque o torcedor compra as piratas?

30

de
junho

Fazendo leitura

Não há desculpa mais fácil, usada, antiga, esfarrapada e mentirosa do que estatística tentando mostrar que o time tal está sendo beneficiado pelas arbitragens e que o time tal está sendo prejudicado. A não ser em casos raros, como o do UM, ZERO, ZERO. Lembra-se?

Assim como não existe cartola que nunca mandou um presentinho - kit vestiário, por exemplo, camisa, calção etc - para os árbitros que apitam os jogos do seu time. Por quê? Ora, para agradá-lo, na esperança de que ele, na dúvida, apite a favor de seu time. Ou mais, ora, ora.

Sem falar em kits mais especiais, como o Madona, por exemplo.

Na nova onda de mostrar "erros da arbitragem", que nunca mostram os erros a favor - por quê será? -, além do DVD do Internacional, surge agorinha a bronca do São Paulo, dizendo que nos últimos 45 jogos não teve um único penaltizinho marcado a seu favor. Um único…

O que me leva a pensar:

Será por culpa das arbitragens, ou porque seus atacantes nem conseguem chegar - para ali cair - na grande área adversária? 

 

29

de
junho

A volta da democracia

Por várias vezes conversei com jogadores e ex-jogadores sobre precisarem levar puxões de orelhas de treinadores, o que chamo de "vida de mulher de malandro" e na esmagadora maioria das vezs eles acharam que as broncas são necessárias. Quem mais me causou surpresa foi Casagrande, um dos líderes da chamada Democracia Corintiana dos anos 70/80.

Acredite Válter Casagrande, ele mesmo, disse-me que jogador precisa levar bronca para não sair da linha.

Hoje, citando o Barcelona, que não se concentrou e ganhou os títulos espanhol, da Copa do Rei e da Copa dos Campeões este ano, Ronaldo acaba de criticar as concentrações que, disse, não permitem aos jogadores passarem mais tempo com seus familiares.

Mesmo lembrando que ele não é exatamente o melhor exemplo de homem caseiro, que não se envolve em encrencas nada recomendáveis a um atleta, ainda mais na sua situação, com sua fama, aprovo cem por cento sua proposta de abolir as concentrações, naturalmente que dando aos jogadores ampla liberdade, assim como cobrando deles total responsabilidade por seus atos.

Pelos anos 50, o São Paulo aboliu a concentração - talvez por medida de economia, já que construia o Morumbi. Entre 22 e 24 horas, um funcionário do clube passava nas casas dos jogadores para que assinassem o ponto na véspera dos jogos. E muitos, naturalmente, saiam de casa assim que o funcionário virava a primeira esquina.

Quando Ronaldo agiu em desacordo com as normas estabelecidas pelo Corinthians, visitando a noite de Presidente Prudente e se irritando com os porteiros do hotel que não permitiram a presença de pessoa estranha em seu apartamento, a direção do clube prometeu multá-lo. Se multou ou não multou, ninguém sabe, ninguém viu.

Nem a eventual e prometida multa, por mais elevada que fosse, fez - ou teria feito - diferença em sua conta bancária. Talvez, quem sabe?, tenha feito na sua forma de pensar, já que deseja mais tempo para a família e não para curtir a noite - o que tem todo direito de fazer.

O fim da concentração, que em algumas situações, sabe-se, serve melhor aos "propósitos" do que o direito de ficar em casa, vigiado não pelo amigo segurança, mas pela "patroa" e o nenem que chora, serviria para aumentar a responsabilidade dos jogadores, que devem cuidar do físico, e, numa época de clubes cada vez mais no vermelho, ajudá-los a fazer economia.

Algo errado? Só se for o medo de punir, de verdade, o jogador que não aproveitasse o tempo para curtir a família - ainda que fosse pai e mãe - e decidisse curtir a loira e algumas loiras. Nesse caso, a fiscalização, não nas bocas, mas no campo, seria feito pela torcida. Das arquibancadas.

Seria a volta da democracia, não necessariamente apenas a corintiana, nem nos moldes daquela.   

29

de
junho

Um dias eles vai ver com nóis

Juiz condena o responsável por uma das maiores e mais longas fraudes no sistema financeiro a 150 anos de prisão.

Calma, companheiros, não soltem foguetes.  Ainda não foi aqui, foi nos Estados Unidos, que mandaram encanar o megainvestidor Bernard Madoff.

Mas um dia os daqui também vai ver com nóis

Nem que seja no dia de São Nunca, mano

29

de
junho

Culpado continua sendo Pelé

No final do primeiro tempo de Brasil x Estados Unidos, mesmo lembrando daquela bobagem que alguns pregam, dizendo que resultado de 2 a 0 é  perigoso para quem está vencendo - as estatísticas provam que em menos de 25% dos casos acontece uma virada -, fiquei imaginando as explicações que seriam dadas por Dunga e cia, caso a vaca fosse para o brejo.

1. "Os jogadores estavam cansados porque vieram do final da temporada na Europa"

2. "O frio estava insuportável para nós brasileiros."

3. "As cornetas soam como um inferno e atrapalharam nosso time"

4. "Eles jogaram fechados e enervaram nosso time. Não gostamos de enfrentar adversários assim. Gostamos de enfrentar adversários fortes, que jogam e deixam jogar"

5. "O árbitro…."

Lembrei dessas e de outras preciosiddes, sempre usadas e ouvidas sem contestação, e acrescentei uma que imagino não ter passado pela cabeça de ninguém:

Culpado é o Pelé, que há 34 anos, em troca de "míseros" 5 milhões de dólares por três anos de contrato com o Cosmo, inventou de ensinar os gringos, acostumados com bola bicuda, jogada com as mãos, a controlarem a redondinha com os pés.

Ok que mais meninas que meninos jogam o "soccer" por lá, que os gringos continuam se alimentando mal, embora tendo mais dinheiro no bolso, e por isso crescendo e engordando muito, preferindo os esportes em que os marcadores se movimentam mais vezes e dão salários muito mais elevados.

Ok tudo isso e muitas coisas mais. Até que ainda não interessa aos donos do futebol que eles, por não cultivarem campeonatos regulares e fortes por lá, ganhem títulos importantes como, por exemplo, um mundial. Mas que os "Ratinhos" estão proliferando, que mais jovens com sangue latino nas veias estão nascendo por lá, amando a terra em que nasceram, lá isso estão.

E logo, logo, estarão obrigando zagueiros como Lúcio xingarem mais os adversários, atacantes como Luiz Fabiano a fazeram muitas faltas e levando cartão amarelo, a craques como Kaká correrem como nunca e mostrarão que a ginga do Robinho não quebra mais a cintura de nenhum gringo.

27

de
junho

É só levar a nota

Disseram que Muricy não recebeu salário nos últimos dois meses e no São Paulo desmentem.

Deve sim, mas é só o correspondente a um mês de direito de imagem, dizem

Que só não foi pago porque Muricy não entregou a nota fiscal, completam

É só entregar a nota que o depósito será feito, garantem

Fica o aviso. 

27

de
junho

Além das botas

Tio Eustáchio costumava dizer, naturalmente que repetindo alguém, que "o combinado não é caro nem barato". Vale dizer, nenhuma das partes contratantes deve reclamar de alguma coisa, caso o leite venha a ser derramado.

Tio Eustáchio falava assim nos tempos em que o fio do bigode valia mais que qualquer assinatura, confiança que deixou de existir nesse mundo cheio de barbudos. Hoje, infelizmente, a razão está com o amigo Élton Simões, quando diz, exigindo que tudo seja documentado, que "o que não está escrito não está no mundo".

Não conheço os termos do contrato de Vanderlei Luxemburgo com o Palmeiras. Imagono que ñele não esteja definido o que seja quebra de hierarquia. Nem acho que seria preciso.  Tá na cara, e não é barba, que os gatos não devem ir além das botas - sem precisar de aviso na parede.

Entenda-se por gato, aqui, não apenas os empregados, mas também os empregadores. 

Às vezes uma parte permite que a outra avance um pouco o sinal sem adverti-la. Às vezes, ainda, a parte avança mais um e mais outro passo, até tornar a situação insuportável. Nesse caso, penso assim, não cabe ao que rompe os limites alegar direito adquirido.

No Palmeiras, como foi no Santos e no Corinthians, times que dirigiu, Luxemburgo, proibido ou não por escrito, falou mais do que devia de coisas fora de sua alçada. Foi um engano permitirem que tantas vezes fosse tão longe, mas não há como condenar a decisão da diretoria do Palmeiras em dar um basta. Antes tarde do que nunca.

Ao dizer publicamente que um atleta, empregado como ele, não jogaria mais sob seu comando, porque não ligou para se despedir dele e dos companheiros, Luxemburgo foi além das botas. Muito além 

26

de
junho

Hora de falar grosso

Quando defendia o Fluminense, Samarone ganhou o troféu Bola de Prata, da revista Placar, bem pertinho da época de renovar seu contrato. Quando foi chamado para discutir o assunto, Samarone colocou o troféu sobre a mesa do diretor e disse mais ou menos assim:

"Antes de falarmos em números, quero que saiba que fui eleito o melhor da minha posição no Campeonato Brasileito. Dessa forma…

Neguem agora ou não, a grande maioria esperava que o Brasil de Dunga desse uma surra na África de Joel Santana, provavelmente colocando em risco seu futuro por lá.

Joel Santana montou direitinho seu time, que defendeu-se bem, atacou mais e esteve muito próximo de uma vitória histórica, daquelas de derrubar gigantes. Não ganhou o jogo, por razões que todos ja viram, mas mereceu elogios sinceros de ninguém menos que Beckenbuaer.

O bastante para, fosse ele mascarado, chegar para os que viviam caçoando de seu inglês esforçado e dizer:

"I can not be de better, but I am one of them. If you all do not believe, ask to Mr Beckenbauer. And fuck you all. 

26

de
junho

Qual será o novo ás?

Escrevendo de trás para frente, coisa muito comum no futebol, depois da vitória apertada (1 a 0) sobre a África do Sul, que teve chances para marcar antes e mais, Dunga disse que colocou Daniel Alves, faltando seis minutos para o final, porque ele é um jogador rápido e bom nas bolas paradas.

Falou, e parece ter convencido aos companheiros. Assim, como se um jogador de poquer sábio e sortudo, tivesse pedido a carta que precisava para fechar o jogo e limpar a mesa.

Não valeria a pena perguntar ao Dunga qual o "ás" que ele usará domingo, contra os americanos, caso seja preciso?

 

25

de
junho

Mamar na vaca ninguém quer

Do maior ou menor, levando-se em conta os anos de estudos, os cursos e mais cursos, os concursos concorridíssimos, a concorrência no mercado de todas as outras, não há profissão mais bem paga no Brasil, e imagino no mundo, que a de técnico de futebol.

Nem a de jogador estrela’- cada um na sua turma -, que pode ganhar mais que o técnico do seu grupo, mas tem vida útil bem mais curta. Assim, no todo, sempre vai dar mais para o "professor".

Hoje, mesmo por aqui, talvez não seja mais assim, mas no tempo em que era a estrela entre os técnicos nacionais, Osvaldo Brandão, ao iniciar conversa para assinar contrato sempre abria o diálogo dizendo que como comandante do grupo não podia, nem aceitava, ganhar um centavo a menos que o maior salário entre os jogadores.

Ficando só por aqui, dizem que o técnico que mais fatura por mês, apenas como salário, sem outros ganhos, é Vanderlei Luxemburgo. Já li e ouvi que fatura de 400 a 700 mil. Se for "apenas" 400 mil, já será uma fortuna, convenhamos. E não tenho nada contra, ao contrário. Mas, quandos diretores, presidentes, de multinacionais ganham salário igual? Quantos ganham pelo menos a metade?

Claro que nem todos faturam tanto, mas nunca ouvi falar de técnico de time da série A - e tem muitos da B, também - que embolse menos de 80 mil por mês. Digamos que sejam 60 mil - que correspondem a dois salários  e meio dos juizes do Supremo Tribunal Federal, maior salário que as leis permitem seja recebido por funcionário público.

Calma, não me venha falar dos diretores do Senado, nem do que alguem possa mamar por fora. Falo do oficial - tanto para diretores de empresas multinacionais, donos de empresas, magistrados, senadores, deputados, governadores, prefeitos, fiscais de feira e que tais.

E pode colocar na lista médicos, dentistas, engenheiros empregados -  não os donos de grandes construtoras. Só ficam fora dessa relação os grandes advogados, que trabalham para réus famosos, em geral de colarinho branco.

O maior salário mínimo - aquele que segundo a Constituição Federal deve garantir casa, comida, lazer para a família e estudo para os filhos - no Brasil é 505,00,  pago pelo governo de São Paulo. Que técnico de time profissional ganha tão pouco?  Quanto recebe um caixa de banco, com toda responsabilidade sobre a grana que passa por suas mãos, sendo obrigado a cursar uma faculdade para ter o emprego - exigência dos maiores bancos -?

Por que esse papo agora? Ora, porque os técnicos que mais faturam sempre reclamam de serem demitidos, e todos vivem pedindo longos contratos para poderem colocar em prática seus projetos. Independentemente dos resultados colhidos. Querem salários nas núvens - cada um de acordo com sua categoria - e riscos no chão.

Só não querem mamar na vaca. 

24

de
junho

De “Little Rat” e Tommy a Altidore e Dampsay

Em 76, depois de acompanhar o Torneio comemorativo ao Bicentenário dos Estados Unidos, ganho pelo Brasil, para preencher o tempo livre, enquanto aguardava o início dos Jogos Olímpicos de Montreal, Canadá, que cobriria em seguida, acompanhei e escrevi reportagens sobre como Pelé estava  se saindo com a camisa do Cosmos, e como germinava a semente do futebol lançada por ele em solo americano.

Para mostrar como os garotos (e as garotas) acostumados à bola bicuda tratavam a gorduchinha, até então estranha para eles/as, contei com a inestimável ajuda do Zuza, Francisco Fabrini de Augustinis, palmeirense de boa cepa, que estudava na Universidade da Califôrnia e conhecia o pessoal ligado ao "soccer" entre crianças.

Era período de férias escolares, quando também a bola parava de rolar entre eles, mas o Zuza conseguiu reunir 12 times de um dia para o outro - no sul da Califôrnia eram mais de 35 mil garotos/as inscritos - nos campos de Santa Mônica. Os 12 times disputaram um torneio na tarde de um sábado para que eu desse uma olhada na molecada, enquanto Rodolfo Machado fazia as fotos.

No final, organizadores dos muitos campeonatos disputados na região e os pais, que também eram técnicos que em duplas orientavam os garoto às margens dos campos, quiseram saber o que eu achei. Quais dos garotos levavam jeito de virem a ser craques com a gorduchinha.

Apontei - eram muitas meninas - cinco ou seis garotos, com destaque para "Little Rat" e Tommy, miudinhos - tratando-se de americanos -, moreninhos, ágeis com a bola nos pés, boa ginga. Não ganhariam corpo para tentar hoquei ou futebol (deles), nem altura para o basquete. "Soccer", aqui, será jogo para baixinhos, informei.

Os problemas maiores - além dos músculos, da gordura e da altura -, os salários muito inferiores aos pagos pelos esportes que já estavam no sangue dos americanos, alertados pelos amigos do Zuza, continuam, mas aqui e ali,  "Little Rat e Tommy vão reaparecendo nas peles de Altidore e Dampsey. Os espanhóis que me desmintam. 

24

de
junho

O dia em que fiz corintiano chorar II

""Só quero ser campeão no Corinthians", Rivelino

""…Eu era vidrado e não perdia um treino deles lá no Banespa. Mas depois me desiludi. Fui treinar no Parque Antártica e não me deram a menor atenção. Lá, naquela época, só jogavam no juvenil os filhinhos de papai. Eles passavam perto de mim rebolando, peito empinado, sem me dar a menor atenção. Iam todos de carro, bonitinhos. No Corinthians foi diferente. Eu era mais inibido ainda do que sou, mas fui logo bem recebido. O Mendes, esse que joga na Portuguesa, me chamava e me dava força. Aqui me receberam de braços abertos.O Corinthians é minha segunda casa. Recebo meus salários e peço bastante para reformar porque sou profissional, porque acho que mereço e porque me podem pagar. Ser corintiano como eu sou, gostar do Corinthians não significa jogar de graça. Nesse ponto, tenho minha consciência tranquila. Fico encucado quando perdemos, fico triste quando vejo que mais um ano está indo sem que o título possa ser ganho, mas durmo tranquilo.

A torcida fica triste e sofre depois de uma derrota, mas eu acho que fico mais louco do que ela. Intimamente sou um jogador triste.  Eu sou o mais gozado pels ruas. Os companheiros de outros times e da Seleção brincam  muito com esse negócio. Eu faço de conta que não ligo, mas por dentro sinto vontade de explodir. Às vezes sinto medo da torcida, porque ela sofre tanto que pode ficar perturbada a ponto de fazer alguma coisa contra mim. E eu seria capaz de fazer muita coisa para vê-la feliz. Agora mesmo estão falando em diminuir o bicho, em não pagar nada por empate, coisas assim.  Pois se alguém me garantisse que o Corinthians seria campeão este ano, , eu dispensaria os bichos, as glórias, parte das luvas, o que for preciso.  Faria qualquer coisa, desde que não prejudicasse ninguém. Sou católico, respeito muito as pessoas, não aceito fazer nada que faça mal a um semelhante, mas jogaria com arruda na chuteira, acenderia velas, faria essas coisas todas se me garantissem o título.  É por mim também, pelos meus filhos, pela história, pelo que será repetido até o fim da vida, mas é principalmente pela torcida, pela galera, que eu quero ser campeão paulista pelo Corinthians.

"Quando tenho de renovar contrato fico com medo de precisar sair do Corinthians. Sei que isso nunca acontecerá porque eu não quero, porque brigo para continuar, mas também sonhei com essa hipótese. Não foi bem um sonho, foi um pesadelo. Acho que não saberei vestir outra camisa. Se isso acontecesse e eu marcasse um gol contra o Corinthians, não saberia comemorar. Acho que ficaria de costas, triste e pediria desculpas à torcida. Tenho muito medo de sair do Corinthians.

"Outro dia perguntei a um jornalista por que ele só falava de mim e ele respondeu que eu dou IBOP e que se ele falar de outros, bem ou mal, ninguém vai querer ouvir. Entendo a do jornalista, também. Só que, à vezes ele escreve o que não é e o torcedor, depois de ler e acreditar, vem cobrar de mim. Respeito todo mundo, mas esse negócio de falarem muito de mim acaba jogando em minhas costas um fardo de responsabilidade muito grande. Não quero ser o maior de nada. Quero é ganhar um título paulista pelo Corinthians, sem precisar ser ajudado por ninguém, nem por juiz, nem por dirigente, por ninguém. Quero é mostrar que sou corintiqno como todo mundo, que sofro como a galera, que não nasci rico, que gramei muito, que durante dois anos peguei duas conduções (ônibus) para ir treinar.  Quero que saibam que eu entendo a torcida quando ela me vaia, da mesma forma que a entendo e gosto quando ela me aplaude,  quando ela quer sair me carregando. Quando parar de jogar eu vou estar misturado com ela. Eu sou Corinthians (fim)

 

23

de
junho

Currículo e testamento

Joel Santana, técnico da seleção sul-africana, falando grosso, como se recomenda a todos antes de uma partida importante,  disse que se Dunga tem currículo - pequeno, mas tem, assim como vitorioso - ele tem testamento - longo e também, por que não? vitorioso.

Como o jogo será mesmo decidido é no campo, onde a turma do Kaká tem tudo para levar a melhor, vale perguntar: Para quem o testamento de Joel deixará seus bens, depois (de sua execução) quinta-feira?

Agora, falando sério, Joel não tem por que reclamar da sorte nessa Copa das Confederações, depois de passar pela primeira fase e cair diante do Brasil na segunda. Dos três resultados possíveis, tem de rezar para que apenas um não aconteça - uma goleada. Ganhar o jogo, um sonho quase impossível, e perder de pouco, tudo bem.

Ninguém terá coragem de cobrar dele milagre maior.

 

23

de
junho

Bola fora

Pelé defende o fim da barreira no futebol. Mas, como acabar com o que não existe? A regra (13) é clara e diz que nenhum jogador adversário pode ficar a menos de 9,15m de distância da bola na cobrança da falta. Seja na direção do gol, do lado ou até atrás.

Foi por conhecer a regra que Zezé Moreira, nos tempos da bola de capotão, sabendo que Perácio chutava muito forte, mas precisava tomar grande distância da bola para pegar na gorducha como queria, mandou que dois jogadores ficassem no caminho entre ele e a bola, guardando a distância legal.

Perácio atrapalhou-se todo. Reclamou com o juiz (ainda não o haviam rebatizado por árbitro), mas não adiantou.

Não sei, mas acho que não, se o árbitro - teria sido o Tijolo? - disse a ele que a regra é clara.

23

de
junho

O dia em que fiz corintiano chorar I

Vez por outra, para colocar o rascunho em dia, folheio a coleção da revista Placar. E de quando em quando deparo com trabalhos que guardam uma história. Como esse, de agosto de 74, quando bati um papo com Rivelino e ele me disse:"Só quero ser campeão no Corinthians".

"Eu entendo todos eles, os que me querem fora do Corinthians e os que torcem para que eu continue lá, jogando por muitos anos. Acho que os entendo melhor do que eles me entendem.  Entendo quando me aplaudem e quando me vaiam, quando gritam contra mim, quando reclamam que não faço gols, que não luto, que não quero nada. Uma torcida como a do Corinthians, que pega trem ou ônibus, para enfrentar sol ou chuva na geral, que depois de tantos anos ainda se mantem fiel, essa torcida tem o direito de gritar contra a derrota e de reclamar contra o zero a zero. Entendo e aceito essa gente. Podem não acreditar, mas eu sou muito parecido com ela.

"Sei que lá de longe ela não pode entender que tem dia que não dá pra gente fazer tudo que deseja. A gente sempre quer, mas nem sempre dá. Às vezes, a gente quer meter uma bola para o Vaguinho, pega errado e acaba deixando o Lance cara a cara com o goleiro, prontinho para fazer o gol. Nese dia a gente logo sente que tudo vai dar certo. A galera levanta, grita e não quer saber por que deu certo. No dia da vaia ela também não quer saber por que deu errado. A torcida está errada? Não, ela está certa.

"O negócio é que eu sou o mais marcado. Tudo é o Rivelino. Eu jogo no meio do campo, mas eles reclamam que não faço muitos gols. Porque recebi a graça de jogar bem, acabei sendo o centro das ações do time. Quando as coisas apertam, os companheiros jogam a bola para mim. E aí meus problemas aumentam. Não quero ser mais do que ninguém, quero ser útil ao clube, servir à torcida, acreditem ou não. O time não pode depender só de mim. Futebol são onze, é conjunto. Não é como no boxe ou no tenis, onde uma só pessoa pode resolver tudo. É coletivo.

"Não sou nenhum bobo. Tenho um nome a zelar e não deixaraia de fazer o gol se pudesse fazê-lo. O caso é que para fazer gols eu precisaria jogar mais lá na frente. Mas, aí, quem jogaria mais lá atrás?

Isso tudo me deixa encucado. Eu penso nessas coisas. Não sou de fazer média e acho que todo mundo já sabe disso. Sou um pouco tímido, não gosto de arranjar deculpas. Falo pouco desses problemas, de minha encucação, mas sei o que gostaria que acontecesse em minha vida de jogador

"Eu gostaria de ser campeão paulista pelo Corinthians. Não quero ser por outro.  É um título que me falta e que não quero ganhar com outra camisa. É isso que eu escolheria se pudesse escolher em minha vida. Não trocaria esse título por nenhum outro. Gostei muito de ter ganho aquele título no México e fiz tudo pra ganhar a Copa do Mundo na Alemanha. Mas, se me fosse possível escolher, eu não pensaria duas vezes. Não falo isso sem sentir, não. Olha só como meu braço está arrepiado. Eu me emociono facilmente.

"Até já sonhei com esse título. Não estou dizendo que vivo sonhando com isso todos os dias. Acontece algumas vezes, quando o time vai indo bem e a gente tem chance de chegar lá. Nunca me preocupei contra que time a gente ganhou o título. Só me lembro que, em sonho, é sempre um dia de muita festa. Aquela gente toda gritando, pulando, fazendo,loucuras. É uma gente sofrida que merece uma festa como essa que aparece nos sonhos. Me vejo carregado, puxado para todos os lados. Vejo a galera contente, rindo. E é a mesma gente pobre, sofrida que tem ido lá para aplaudir quando ganhamos e para vaiar quando perdemos. Gente que entendo, porque é bem como eu sou. No fim da festa sempre sinto vontade de me meter num buraco, terra a dentro. Não dá para explicar como é tudo aquilo. Levanto cansado.

Mas não seria a mesma coisa ser campeão paulista por outro time. Tem que ser pelo Corinthians. Talvez porque a gente está esperando esse dia há quase vinte anos. Também não adianta nada ser campeão brasileiro. Tem que ser paulista. Se eu parar sem esse título, vou sentir um vazio na minha vida de jogador. Não vou me sentir totalmente realizado.

Acho que nem todos acreditam em mim quando falo essas coisas. Falam que não ligo para nada, que sou nervoso, que só penso em dinheiro, que já sou rico. E falam até que sou palmeirense.  Eu já fui torcedor do Palmeiras e nunca escondi isso de ninguém Já sofri vendo o Palmeiras perder e já fiquei sentadinho num canto do campo do Banespa com os olhos grudados no que Chinezinho, Fiume, Julinho, aquela turma toda fazia com a bola…

Continua)

22

de
junho

Tudo faz sentido

Dizem que a ex-senadora Roseane Sarney, agora governadora do Maranhão, tem um mordomo que fatura R$12 mil por mês.

Faz sentido. Em tempos de denúncias a rodo, já se tem um candidato a, como sempre, pagar o pato.

Senadores acusam colegas de se calarem diante de ameaças feitas  por diretores da Casa

Faz sentido. Em tempos de Festas Juninas quem tem rabo de palha pode vê-lo queimado por rojão e busca-pé.

O presidente do Senado, José Sarney, disse que não foi eleito para limpar lixeiras

Faz sentido. O tipo de lixo a que ele se refere deve ser recolhido pela Polícia Federal e o Ministério Público

 

22

de
junho

Como diz a simpática velhinha

Depois de quatro dias para explicar porque andou conversando com Cuca por telefone, num momento em que o time jogava uma bolinha desse tamanho, o presidente do São Paulo falou hoje à comunidade tricolor. Mas não para confirmar o que disse Muricy Ramalho - que Cuca o havia indagado se já podia pedir demissão do Flamengo.

Segundo o presidente, ele conversa com Cuca e outros técnicos para ter, por exemplo, informações sobre algum jogador que tenha trabalhado com eles.

Cair nessa, Juvenal? Nem a pau.

 

22

de
junho

Tática extra, reprovada

Os resultados que o Corinthians vem colhendo no campo - volta à série A, briga pelo título da Copa do Brasil, título paulista, invicto, e se mantendo no grupo intermediário do Brasileiro, mesmo escalando tmes mesclados de titulares e reservas - provam a capacidade de Mano Menezes como técnico. 

Monta bem o time, muda a forma de atuar de acordo com o adversário e mesmo no andamento do jogo, mostra ter o comando do grupo e respeito da direotoria e da torcida.

Tudo que dispensaria o uso de outros esquemas que nada tem a ver com as chatas sopas de números - 3-5-2, 4-2-4-4, 2-6-2, 2-6-1-1… Barrabás.

Falo da mania triste que tem de tentar descontrolar, e com isso agredindo, com palavras mal colocadas, os adversários.

Iniciando um bate-boca, Mano Menezes chamou Milton Cruz, do São Paulo, de interino, durante a partida de ontem no Pacaembu. Mílton Cruz estava mesmo interino, e não teria nada de mais, não fosse a intenção de diminui-lo do técnico corintiano. Exercendo, embora, sua função como auxiliar, com grande competência, é necessário dizer, Cruz é tão profissional quanto ele, Mano. E, sem precisarem saborear um churrasco juntos, merece respeito.

Mano Menezes tem a mania de dizer que o que se passa no campo deve ser esquecido no vestiário. Deve? Pode ser, mas nem sempre dá. Como no caso do zagueiro Carlinhos, chamado por ele de "assassino" durante um jogo do seu time contra o Guaratinguetá, pela série B.

O técnico corintiano sabia que Carlinhos não é assassino e que foi inocentado no acidente automobilistico que tirou uma vida, quando defendia o Juventude, em Caxias. Sabia, mas usou uma inverdde para tentar descontrolar um jogador adversário.

Precisava? Devia? Faz parte do jogo? Tenho que não. É feio. É triste. Diminuiu seu valor com técnico.

21

de
junho

Muricy não despreza uma boa massa. Sendo assim…

Sendo assim, já falam à boca pequena que no norte da "Bota" que Muricy pode dirigir o Milan, indicado por Leonardo.

O tempo dirá.

21

de
junho

Faz sentido

O São Paulo decidiu demitir Muricy no momento em que parecia mesmo difícil para ele continuar dirigindo um time que não se superava.

E em rápidas horas apresentou o nome de seu substituto: Ricardo Gomes. Bom zagueiro nos seus tempos, técnico apenas razoável na França, em Portugal e dirigindo times brasileiros, como Juventude.

Aqui, além do Juventude, dirigiu a Seleção Brasileira no pré-olímpico de 2004, sem sucesso.

O São Paulo tenta de todas as formas ter o Morumbi como estádio da Copa na cidade, e  palco para a abertura.

Ricardo Gomes, sem clube e longe há tempos do futebol brasileiro, tem bom relacionamento com os homens que mandam na CBF.

O São Paulo sabe que para o Morumbi acolher o jogo de abertura, precisa do apoio da CBF

Sopa no mel. Faz ou não sentido?

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