1
de
junho
Chacrinha diria, “vocês querem futebol?
A Fifa e a CBF são mestras em armar uma grande e rica festa e provocar suspense digna de Alfred Hithcoch, para anunciar algo que todos conhecem o desfecho. Foi assim- lembra-se? -, na escolha do Brasil - candidato único - para sediar a Copa de 2014. Presentes à cerimônia - para pressionar e impressionar, haha? - o presidente Lula, governadores e, naturalmente, convidados ilustres. Que ninguém é de ferro.
E repetiu-se ontem, em Nassau, capital da magnifica Bahamas, castigada por chuva forte e ventania pelos deuses do futebol, que não reinam por lá. Ou alguém imaginava que o informante do consagrado colunista Ancelmo Gois, do importante jornal O Globo, daria uma dica furada para ele, correndo o risco de sofrer com sua ira?
Se as 12 cidades escolhidas eram aquelas e todas foram informadas há bom tempo - tanto que organizaram festança, o que não aconteceu com as cinco barradas do baile - por que, então, tantas despesas, viagens, Bahamas -, o amigo pode perguntar ou esperar que eu diga?
Não digo, afinal, os bons velhinhos da Fifa e seus agregados, que tanto sacrificio fazem para manter o futebol como o esporte das multidões, merecem uma boa mordomia, longe das velhas companheiras, perto das novassecretárias…Mordomias, quem delas não gosta?
"Reveladas" as cidades, com direito à brincadeirinha com o Rio de Janeiro, era preciso continuar achando ovo em pelo. Comentando pela Terra-TV, ao lado de Milly Lacombe, sob o comando de Marcelo do Ó, eu mesmo logo achei ovos no pelo, cobrando que a vigilância sob os gastos seja a mais severa possível. É o mínimo, né?
Fora isso, ao contrário de uma grande maioria de críticos, achei - e já hvia falado disso há muito tempo - perfeita a escolha das cidades, não vendo razão para criticar a presença de Manaus, Natal e Cuiabá, sob a alegação de que nessas ciddes não tem clubes importantes e os estádios a serem construidos ou reformados virarão elefantes brancos.
É que, a rigor desde 90, na Itália, os mundiais deixaram de ser um grande torneio de futebol disputado a cada quatro anos, quando os mais abonados, ou amigos influentes, viam os jogos ao vivo. nos estádios, e milhões espalhados pelo mundo, também nas cidades onde os jogos eram realizados, viam ao vivo pelas telinhas.
De lá para cá, os mundiais passaram a ser uma grande festa realizada em 30 dias, com direito a se chegar alguns antes e esticar outros tantos depois. Uma grande festa, uma longa temporada de turismo intercalada por jogos de futebol. É com esses argumentos que os organizadores dizem que o país vai recuperar, com lucro, todo investimento quese fizer. E tem que ser.
Estimam três milhões de torcedores nos estádios na soma dos jogos, com o Brasil recebendo oito milhões de turistas - bem mais do que os cinco milhões que recebe por ano. Essa multidão precisa ter o que fazer, ver, comer, beber nas 24 horas do dia, mesmo durante os 90 minutos dos jogos.
A boa maioria não terá ingresso, nem grana para comprar. Será a festa pela festa, dizendo para o vizinho que não veio, que foi melhor ficar na praça vendo pelo telão do que ir ao estádio.
E é aí que a escolha de Manaus, Cuiabá e Natal foi acertada, e que Goiânia e Florianópolis não tem porque reclamar. Goiânia não tem as atrações turisticas que tem Manaus, com a floresta e os rios, e Cuiabá, com o pantanal. Florianópolis tem belas praias, tão belas quanto as de banham o Brasil de Salvador para cima. Com a diferença de que a Copa será disputada no inverno, que é frio no sul, mas é quente no nordeste.
Diante dessa visão maior, fica mais fácil fazer - ou tentar - voltar a ter bom futebol em Manaus e Cuiabá. Algo menor, com todo respeito, que o saneamento b’asico, as linha de metrô, os hospitais etc, que a Fifa exige - como ela é exigente, não? - e os governantes prometem cumprir
Fazer tudo isso mesmo sem Copa por aqui é obrigação dos governantes, sei bem. Mas já que está, a nossa obrigação e vigiar a cobrar.
Mesmo porque, cara, essa não é festa para os manos e os "broderes"

