Tio Eustáchio costumava dizer, naturalmente que repetindo alguém, que "o combinado não é caro nem barato". Vale dizer, nenhuma das partes contratantes deve reclamar de alguma coisa, caso o leite venha a ser derramado.
Tio Eustáchio falava assim nos tempos em que o fio do bigode valia mais que qualquer assinatura, confiança que deixou de existir nesse mundo cheio de barbudos. Hoje, infelizmente, a razão está com o amigo Élton Simões, quando diz, exigindo que tudo seja documentado, que "o que não está escrito não está no mundo".
Não conheço os termos do contrato de Vanderlei Luxemburgo com o Palmeiras. Imagono que ñele não esteja definido o que seja quebra de hierarquia. Nem acho que seria preciso. Tá na cara, e não é barba, que os gatos não devem ir além das botas - sem precisar de aviso na parede.
Entenda-se por gato, aqui, não apenas os empregados, mas também os empregadores.
Às vezes uma parte permite que a outra avance um pouco o sinal sem adverti-la. Às vezes, ainda, a parte avança mais um e mais outro passo, até tornar a situação insuportável. Nesse caso, penso assim, não cabe ao que rompe os limites alegar direito adquirido.
No Palmeiras, como foi no Santos e no Corinthians, times que dirigiu, Luxemburgo, proibido ou não por escrito, falou mais do que devia de coisas fora de sua alçada. Foi um engano permitirem que tantas vezes fosse tão longe, mas não há como condenar a decisão da diretoria do Palmeiras em dar um basta. Antes tarde do que nunca.
Ao dizer publicamente que um atleta, empregado como ele, não jogaria mais sob seu comando, porque não ligou para se despedir dele e dos companheiros, Luxemburgo foi além das botas. Muito além