Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

29

de
junho

A volta da democracia

Por várias vezes conversei com jogadores e ex-jogadores sobre precisarem levar puxões de orelhas de treinadores, o que chamo de "vida de mulher de malandro" e na esmagadora maioria das vezs eles acharam que as broncas são necessárias. Quem mais me causou surpresa foi Casagrande, um dos líderes da chamada Democracia Corintiana dos anos 70/80.

Acredite Válter Casagrande, ele mesmo, disse-me que jogador precisa levar bronca para não sair da linha.

Hoje, citando o Barcelona, que não se concentrou e ganhou os títulos espanhol, da Copa do Rei e da Copa dos Campeões este ano, Ronaldo acaba de criticar as concentrações que, disse, não permitem aos jogadores passarem mais tempo com seus familiares.

Mesmo lembrando que ele não é exatamente o melhor exemplo de homem caseiro, que não se envolve em encrencas nada recomendáveis a um atleta, ainda mais na sua situação, com sua fama, aprovo cem por cento sua proposta de abolir as concentrações, naturalmente que dando aos jogadores ampla liberdade, assim como cobrando deles total responsabilidade por seus atos.

Pelos anos 50, o São Paulo aboliu a concentração - talvez por medida de economia, já que construia o Morumbi. Entre 22 e 24 horas, um funcionário do clube passava nas casas dos jogadores para que assinassem o ponto na véspera dos jogos. E muitos, naturalmente, saiam de casa assim que o funcionário virava a primeira esquina.

Quando Ronaldo agiu em desacordo com as normas estabelecidas pelo Corinthians, visitando a noite de Presidente Prudente e se irritando com os porteiros do hotel que não permitiram a presença de pessoa estranha em seu apartamento, a direção do clube prometeu multá-lo. Se multou ou não multou, ninguém sabe, ninguém viu.

Nem a eventual e prometida multa, por mais elevada que fosse, fez - ou teria feito - diferença em sua conta bancária. Talvez, quem sabe?, tenha feito na sua forma de pensar, já que deseja mais tempo para a família e não para curtir a noite - o que tem todo direito de fazer.

O fim da concentração, que em algumas situações, sabe-se, serve melhor aos "propósitos" do que o direito de ficar em casa, vigiado não pelo amigo segurança, mas pela "patroa" e o nenem que chora, serviria para aumentar a responsabilidade dos jogadores, que devem cuidar do físico, e, numa época de clubes cada vez mais no vermelho, ajudá-los a fazer economia.

Algo errado? Só se for o medo de punir, de verdade, o jogador que não aproveitasse o tempo para curtir a família - ainda que fosse pai e mãe - e decidisse curtir a loira e algumas loiras. Nesse caso, a fiscalização, não nas bocas, mas no campo, seria feito pela torcida. Das arquibancadas.

Seria a volta da democracia, não necessariamente apenas a corintiana, nem nos moldes daquela.   

29

de
junho

Um dias eles vai ver com nóis

Juiz condena o responsável por uma das maiores e mais longas fraudes no sistema financeiro a 150 anos de prisão.

Calma, companheiros, não soltem foguetes.  Ainda não foi aqui, foi nos Estados Unidos, que mandaram encanar o megainvestidor Bernard Madoff.

Mas um dia os daqui também vai ver com nóis

Nem que seja no dia de São Nunca, mano

29

de
junho

Culpado continua sendo Pelé

No final do primeiro tempo de Brasil x Estados Unidos, mesmo lembrando daquela bobagem que alguns pregam, dizendo que resultado de 2 a 0 é  perigoso para quem está vencendo - as estatísticas provam que em menos de 25% dos casos acontece uma virada -, fiquei imaginando as explicações que seriam dadas por Dunga e cia, caso a vaca fosse para o brejo.

1. "Os jogadores estavam cansados porque vieram do final da temporada na Europa"

2. "O frio estava insuportável para nós brasileiros."

3. "As cornetas soam como um inferno e atrapalharam nosso time"

4. "Eles jogaram fechados e enervaram nosso time. Não gostamos de enfrentar adversários assim. Gostamos de enfrentar adversários fortes, que jogam e deixam jogar"

5. "O árbitro…."

Lembrei dessas e de outras preciosiddes, sempre usadas e ouvidas sem contestação, e acrescentei uma que imagino não ter passado pela cabeça de ninguém:

Culpado é o Pelé, que há 34 anos, em troca de "míseros" 5 milhões de dólares por três anos de contrato com o Cosmo, inventou de ensinar os gringos, acostumados com bola bicuda, jogada com as mãos, a controlarem a redondinha com os pés.

Ok que mais meninas que meninos jogam o "soccer" por lá, que os gringos continuam se alimentando mal, embora tendo mais dinheiro no bolso, e por isso crescendo e engordando muito, preferindo os esportes em que os marcadores se movimentam mais vezes e dão salários muito mais elevados.

Ok tudo isso e muitas coisas mais. Até que ainda não interessa aos donos do futebol que eles, por não cultivarem campeonatos regulares e fortes por lá, ganhem títulos importantes como, por exemplo, um mundial. Mas que os "Ratinhos" estão proliferando, que mais jovens com sangue latino nas veias estão nascendo por lá, amando a terra em que nasceram, lá isso estão.

E logo, logo, estarão obrigando zagueiros como Lúcio xingarem mais os adversários, atacantes como Luiz Fabiano a fazeram muitas faltas e levando cartão amarelo, a craques como Kaká correrem como nunca e mostrarão que a ginga do Robinho não quebra mais a cintura de nenhum gringo.

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