29
de
junho
Culpado continua sendo Pelé
No final do primeiro tempo de Brasil x Estados Unidos, mesmo lembrando daquela bobagem que alguns pregam, dizendo que resultado de 2 a 0 é perigoso para quem está vencendo - as estatísticas provam que em menos de 25% dos casos acontece uma virada -, fiquei imaginando as explicações que seriam dadas por Dunga e cia, caso a vaca fosse para o brejo.
1. "Os jogadores estavam cansados porque vieram do final da temporada na Europa"
2. "O frio estava insuportável para nós brasileiros."
3. "As cornetas soam como um inferno e atrapalharam nosso time"
4. "Eles jogaram fechados e enervaram nosso time. Não gostamos de enfrentar adversários assim. Gostamos de enfrentar adversários fortes, que jogam e deixam jogar"
5. "O árbitro…."
Lembrei dessas e de outras preciosiddes, sempre usadas e ouvidas sem contestação, e acrescentei uma que imagino não ter passado pela cabeça de ninguém:
Culpado é o Pelé, que há 34 anos, em troca de "míseros" 5 milhões de dólares por três anos de contrato com o Cosmo, inventou de ensinar os gringos, acostumados com bola bicuda, jogada com as mãos, a controlarem a redondinha com os pés.
Ok que mais meninas que meninos jogam o "soccer" por lá, que os gringos continuam se alimentando mal, embora tendo mais dinheiro no bolso, e por isso crescendo e engordando muito, preferindo os esportes em que os marcadores se movimentam mais vezes e dão salários muito mais elevados.
Ok tudo isso e muitas coisas mais. Até que ainda não interessa aos donos do futebol que eles, por não cultivarem campeonatos regulares e fortes por lá, ganhem títulos importantes como, por exemplo, um mundial. Mas que os "Ratinhos" estão proliferando, que mais jovens com sangue latino nas veias estão nascendo por lá, amando a terra em que nasceram, lá isso estão.
E logo, logo, estarão obrigando zagueiros como Lúcio xingarem mais os adversários, atacantes como Luiz Fabiano a fazeram muitas faltas e levando cartão amarelo, a craques como Kaká correrem como nunca e mostrarão que a ginga do Robinho não quebra mais a cintura de nenhum gringo.


Comentário por Alexandre Giesbrecht — (11:59)
Não sei, não, se foi uma grande evolução ou fruto de sorte. Ouvi muito disso depois da Copa de 2002, e a participação dos EUA no Mundial seguinte foi pÃfia, além de eles terem tido alguma dificuldade nas eliminatórias. Nesta Copa das Confederações, eles classificaram-se em um grupo difÃcil, é verdade, mas o grupo foi basicamente Itália, Estados Unidos e Iraque, porque todos perderam para o Brasil. Aà o negócio foi ver quem perdia de menos do Brasil e quem não morria abraçado. Na base da sorte — e aà não há como negar que foi sorte mesmo —, passaram a Itália no númer de gols marcados. A vitória contra a Espanha não foi fruto de sorte, mas ela nunca teria acontecido sem a sorte anterior. Participei ao longo da noite de um debate com americanos que entendem de futebol no site da Sports Illustrated. Acho que houve, sim, uma evolução do futebol americano, especialmente se comparado a 1990, mas essa evolução não foi nem tão grande nem tão rápida como estão pintando. Já se fala por lá até em eles estarem num suposto “segundo escalão” do futebol mundial, o que acho um exagero, embora eu também ache que um dia, talvez não tão distante, eles estarão.
Comentário por aquinojmde — (20:39)
Vejo evolução quando levo em conta que os americanos, digamos, natos, ainda não se entusiasmaram e resolveram bancar mesmo o “soccer” por lá. Sempre foram os de fora - latinos, lá atrás -, cubanos - nos tempos do Cosmo - e holandeses, nas décadas 70/80. Eles eram os donos da Liga, de patentes de alguns clubs, revistas etc. Quando estive lá em 76 e depois em 86, ouvi que o problema é que os americanos (natos) gostam de emoções mais constantes, placar mais elevado etc. Lembro que em 76 os jogos não podiam terminar empatados. Tinha prorrogação e cobrança de pênaltis “em movimento”", ou coisa parecida. Até hoje pagam uma miséria, principalmente em relação aos outros esportes que curtem. Vendo as dificuldades, acho que desenvolveram bastante. abrs
Comentário por Alexandre Giesbrecht — (22:30)
Ainda hoje não se permite empates na liga deles. O tal do “pênalti em movimento”. O único esporte deles que permite empates é o futebol americano, ainda assim só depois de uma prorrogação com morte súbita. O hóquei no gelo permitia até quatro anos atrás (também depois de uma prorrogação com morte súbita), mas agora também tem disputa de pênaltis para definir um vencedor. No beisebol, um caso curioso para demonstrar como americano odeia empates: alguns anos atrás (2002 ou 2003, acho), o Jogo das Estrelas terminou empatado por determinação do presidente da liga. Ambos os times tinham usado todos os seus arremessadores, e o placar estava em algo como 11 a 11. Resolveram parar por ali. Deu um quiproquó, e olha que era um simples amistoso. O povo ficou tão revoltado que já no ano seguinte passaram a determinar que a liga que ganhasse o Jogo das Estrelas (vale relembrar que ainda é um amistoso) teria o mando de campo nas finais, o que eliminou qualquer possibilidade de empate em jogos futuros.
Comentário por Alexandre Giesbrecht — (22:33)
Sobre evolução, tenho acompanhado comentários de americanos que realmente ligam para futebol, e eles acham que houve uma grande evolução por causa dessa Copa das Confederações. Isso porque, se tivessem marcado um gol a menos contra o Egito ou se o Brasil tivesse sofrido um gol da Itália, hoje estariam pedindo a cabeça do técnico. Mas a evolução sem dúvida é maior do que a da época da liga do Cosmos. Naquela época, a seleção americana não ia para a Copa do Mundo desde 1950, e seguiria não indo até 1990, bem depois de a liga falir. Depois, entretanto, não deixou mais de ir à s Copas, embora quase sempre com campanhas de medÃocres para baixo.
Comentário por aquinojmde — (10:45)
Pensando bem, jogo nenhum devia terminar em empate. O exemplo do basquete é bom, assim como o do volei. Aumenta a emoção e o empenho dos times, parando com aquela coisa ridÃcula que os locutores chamam de administrar o resultado ou jogar com o regulamento debaixo do braço. Debaixo do braço só desodorante, né?
A evolução é lenta, mas com os de sangue latino aumentando, um dia eles, os gringos, alcançarão os africanos e morderão nossos calcanhares. rrss.