Tenho dito, e faz bom tempo, que passar por fases no chamado mata-mata tem tudo a ver com competência e nada com mando de jogo. Essa bobagem de fazer a primeira fora e mandar a segunda em casa, sabendo o que precisa fazer. De que adianta saber o que é preciso fazer, se não tem condição para fazer?
Essa história de jogar a segunda com a torcida ao lado - canso de repetir - tinha importância nos tempos em que os estádios eram pequenos, verdadeiros caldeirões, com os torcedores exercendo pressão forte sobre o adversário e sobre o trio de arbitragem.
Lembro-me ter ganho um prêmio de melhor reportagem dado pela Associação dos Cronistas de São Paulo contando as aventuras do bandeirinha Germinal Alba, parceiro de Armando Marques, que voltava para casa com seu uniforme - na época preto - imundo e pesando mais dois quilos, só de cuspe atirado sobre ele pelos torcedores que ficavam junto ao alambrado.
Sem contar as moedinhas e plhas usadas atiradas em sua cabeça, e de bolas seguras pelos torcedores, quando os jogadores adversários iam cobrar lateral - tão pertos estavam nos velhos campinhos.
Hoje, com a construção de grandes estádios - que, terminando com a pressão da torcida, acabaram enterrando times conhecidos como Botafogo e Comercial, de Ribeirão Preto, Guarani, de Campinas e outros tantos como Remo, Paysandu, Rio Negro, Nacional, de Manaus,. Ou será por outra razão que Cruzeiro e, principalmente Atlético, correm para jogar no pequeno Independência, quando a situação fica preta?
Ao contrário de antigamente, hoje é melhor disputar a primeira partida em casa, cumprindo o dever e jogando para o adversário o nervosismo de bancar a segunda, conhecendo o placar desfavorável. É "fácil" marcar um golzimnho em 90 minutos, mas é muito complicado quando se vai para campo, nos outros 90, com ele nas costas.
Vanderlei Luxemburgo concorda com minha tese - embora o Palmeiras, dirigido por ele, não venha fazendo seu dever quando joga em casa. Uma questão de competência, não de ordem dos jogos.
O Corinthians provou isso (5o%, pelo menos) na quarta-feira, fazendo 2 a 0 para cima do Internacional, jogando o problema de tirar a diferença para os gaúchos.
E, mais do que o Corinthians, o Cruzeiro mostrou ontem que em jogos entre times equilibrados, nada melhor do que jogar a primeira em casa, fazendo o resultado, deixando o adversário correr sem direção na segunda. Fez 2 a 1 no Mineirão - pouco se importando com a bobagem de tomar um gol em casa - e matou o São Paulo no Morumbi~com 2 a 0, não dando a menor bola para os 52.809 pagantes - fora os bicões - que lá foram para pressioná-lo
À distância, dizia Serginho Chulapa, todo grito é aplauso. Quanto mais volumoso, melhor.