Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

16

de
julho

Mas, por quanto tempo?

Venho acompanhando calmamente  a posição de Jorginho na direção do Palmeiras. Não pela forma dele treinar o time, que não frequento a Academia. Nem de dirigi-lo durante as partidas, que também não sento no banco de reservas. Tenho acompanhado e analisado por suas entrevistas, falando pausado, mostrando tranquiliade, revelando segurança, pés no chão.

Talvez a esperança de vir a ser efetivado, o que anteciparia seus planos de um dia tornar-se técnico efetivo e não auxiliar. Seguida da certeza de que, ocorrendo a efetivação, estará sempre com o pescoço na forca, prontinho para ser decepado após algumas derrotas.

Coisa que, com maior ou menor tempo de clube, acaba acontecendo com todos os técnicos. Luxemburgo, Muricy, Parreira, apontados como técnicos de primeira linha,  mais Mancini, uma grata revelação, estão aí para não me deixar mentir.

Mas, com uma diferença muito grande, e da mesma forma conhecida. Os efetivos são demitidos, pegam uma boa grana e logo são procurados por outros times. Os interinos que assumem, vão dando certo, conseguem boas vitórias, recebem o apoio dos jogadores, da torcida, ao contrário dos efetivos, quando caem, vão para o desvio.

Se voltam para o posto de substituto matam a carreira, ficam marcados, desanimados, por mais que digam o contrário. Se saem logo, jogados no mercado, vão sem bom curriculo, sem apoio forte da imprensa. Saem de um clube grande e só conseguem pegar um pequeno, onde a gangorra é ainda maior. Vão girar o mundo, aceitando salários menores, quese nunca pagos em dia - quando pagos.

É duro, mas é a verdade do nosso futebol. Nesse mesmo tempo em que acompanho a trajetória de Jorginho venho tentando lembrar-me de interinos que foram efetivados e que vingaram logo de cara. Ou mesmo com o tempo. E sempre me vem na mente o Rojas, no São Paulo. Por onde andará?

16

de
julho

Com 11 ou com 10? (II)

Tenho dito aqui que, desde que os estádios "cresceram", que os grandes jogos deixaram de ser disputados em alçapões, com interferência direta do torcedor, é melhor, no tal mata-mata, jogar a primeira em casa, fazendo logo o resultado. E que, time que não tem competência para fazer o resultado em casa, não merece mesmo ganhar nada.

Ontem no Mineirão minha tese ficou provada mais uma vez. Não adianta lotar arquibancadas, gritar, soltar foguetes perto do hotel do adversário na noite anterior ao jogo, porque torcedor ajuda, mas muito pouco, e não marca gols.

Jogando em La Plata, seu campinho, com a responsabilidde de ganhar a primeira, o Estudiantes, naturalmente nervoso, não foi além do empate contra o Cruzeiro, na primeira partida. O empate não era o melhor resultado, mas as defesas do goleiro brasileiro, salvando o time, valiam muito - como valeram.

O empate transferiu para o Cruzeiro a obrigação de ganhar em casa e, com ela, o nervosismo. Tinha mais: saber que arbitragem estrangeira é diferente da nacional, porque os árbitros chegam, apitam e vão embora, sem medo de serem marcados por não ajudar o time mais forte ou o time da casa.

A questão que coloquei foi: o Cruzeiro, que tinha melhor chance de vencer, o fará com 11 ou com 10 em campo? A dúvida era, se Kléber, chamado de gladiador por sua forma de jogar, cavando faltas, usando os cotovelos, trerminaria ou não a partida. E se, fazendo força para fiar em campo, não mudaria sei jeito de atuar, tornando-se menos efetivo.

Kléber ficou em campo os 90 minutos mas, como Serginho Chulapa na copa de 82, foi um jogador apático, depois de levar o amarelo numa confusão em que, é verdade, pelo menos mais dois de cada lado, além dele e Verón, deviam ser punidos. Como o árbitro, inteligente, queria ter o controle do jogo, preferiu punir apenas um de cada lado, escolheu Kléber pelo do Cruzeiro, naturalmente por seu passado e sua fama.

Sem  a marca do gladiador, em quem todos confiavam para o Cruzeiro se impor em campo, prevaleceu a garra argentina. Jogando duro, é verdade, como fez o Cruzeiro, mas limpo, dentro do que se pode exigir numa decisão como a da Libertadores.

Detalhe. Não deu nem para reclamar da arbitragem, de violência, de catimba, de nada. Além de lamentar perder para um time que nada tem de especial e que será presa fácil para o Barcelona no final do ano.

 

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