16
de
julho
Mas, por quanto tempo?
Venho acompanhando calmamente a posição de Jorginho na direção do Palmeiras. Não pela forma dele treinar o time, que não frequento a Academia. Nem de dirigi-lo durante as partidas, que também não sento no banco de reservas. Tenho acompanhado e analisado por suas entrevistas, falando pausado, mostrando tranquiliade, revelando segurança, pés no chão.
Talvez a esperança de vir a ser efetivado, o que anteciparia seus planos de um dia tornar-se técnico efetivo e não auxiliar. Seguida da certeza de que, ocorrendo a efetivação, estará sempre com o pescoço na forca, prontinho para ser decepado após algumas derrotas.
Coisa que, com maior ou menor tempo de clube, acaba acontecendo com todos os técnicos. Luxemburgo, Muricy, Parreira, apontados como técnicos de primeira linha, mais Mancini, uma grata revelação, estão aí para não me deixar mentir.
Mas, com uma diferença muito grande, e da mesma forma conhecida. Os efetivos são demitidos, pegam uma boa grana e logo são procurados por outros times. Os interinos que assumem, vão dando certo, conseguem boas vitórias, recebem o apoio dos jogadores, da torcida, ao contrário dos efetivos, quando caem, vão para o desvio.
Se voltam para o posto de substituto matam a carreira, ficam marcados, desanimados, por mais que digam o contrário. Se saem logo, jogados no mercado, vão sem bom curriculo, sem apoio forte da imprensa. Saem de um clube grande e só conseguem pegar um pequeno, onde a gangorra é ainda maior. Vão girar o mundo, aceitando salários menores, quese nunca pagos em dia - quando pagos.
É duro, mas é a verdade do nosso futebol. Nesse mesmo tempo em que acompanho a trajetória de Jorginho venho tentando lembrar-me de interinos que foram efetivados e que vingaram logo de cara. Ou mesmo com o tempo. E sempre me vem na mente o Rojas, no São Paulo. Por onde andará?

