Recebi dois convites para comentar a escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o que ocorrerá dia 2 de outubro, próxima sexta-feira. Como só daria para atender a um, iria à Tv-Terra. Mas não vai ser possível. Naquele dia estarei em um jantar com amigos, em Miracema, a santa terrinha.
Mas, por mera coincidência, andei lendo, para rascunhar o que poderá virar um livro, trabalhos meus publicdos em julho de 1976, quando cobri os Jogos de Montreal, Canadá. E o primeiro deles tratou dos problemas financeiros, entre outros, enfrentados pelo Comité Canadense.
Veja como parece que foi ontem, e compare com tudo que você já leu, ouviu e vai continuar lendo e ouvindo, se a escolha recair sobre o Rio de Janeiro.
Depois de escrever sobre a grandiosidade da festa, de dar detalhes sobre o que os 70 mil privilegiados veriam no estádio e cerca de 1,2 bilhões de espectadores dos cinco continentes teriam em suas casas pela televisão.
De lembrar que lágrimas e sorrisos se misturariam no simbólico minuto de silêncio que seria feito para separar o passado do futuro próximo, e não para homenagear os 11 atletas mortos durante os Jogos de Munique, 4 anos antes, como gostaria que fosse Ankie Spitzer, viuva de André Spitzer, um dos 11, indaguei, como todos faziam, se valia a pena tudo aquilo, em todos os sentidos. No esportivo, no político, no financeiro, no cultural.
Guy Saint-Pierre, ministro da Industria e Comércio do Canadá respondeu que sim. Que as instalações construidas para os Jogos não deviam serconsideradas apenas em termos de dólares, mas também nos benefícios que trariam a médio e longo prazo.
Tudo igual a hoje, assim como os preços das obras sendo colocados sob suspeita. Os custos das obras já estavam refletindo no bolso dos canadenses e logo iria refletir no dos turistas.. Acusações, inquéritos e explicações já pipocavam para apurar possíveis fraudes na construção da Vila Olímpica.
As obrs haviam sido orçadas em 381 milhões de dólares e até aquele momento, sem tudo estar prontinho - uma famosa torre, que entre outras coisas sustentaria o teto móvel do estádio, que só ficaria pronta dois anos mais tarde - haviam sido investidos 1,4 milhões de dólares.
A polícia estava revelando nas vésperas da abertura dos Jogos, que mais de 30 preços referentes à construção da Vila Olímpica estavam errados. Sete pessoas, incluindo quatro construtoras, deveriam comparecer ao tribunal.
Os 980 apartamentos onde ficariam atletas, dirigentes, técnicos deviam custar 33 milhões de dólares, mas acabaram saindo por 90 milhões. Tornaram-se caros demais para serem vendidos, como a comissão pretendia, podendo ser transformados em casas para idosos.
A segurança custaria cerca de 100 milhões de dólares - 8 mil por atleta, e os Jogos estavam sendo considerados os mais caros e controvertidos desde os de Berlim, em 1936. Canadá, nem de longe, tinha problemas de segurança como tem as cidades candidatas para 2016, com o Rio, nesse item, ganhando disparado.
Parece ou não que foi ontem? E provavelmente menos problemático do que será em 2016, se a festa sexata-feira for no Rio?