Quinta-feira no início da noite, na saída da sauna, meu amigo Jesus, que é Luiz, ao se despedir, informando que no dia seguinte estaria viajando bem cedinho para a região de Araçatuba, disse-me duas coisas: uma, para me deixar com água na boca, que lambaris fresquinhos o esperavam na beira do rio. A outra, era que não vê muito futuro no futebol brasileiro, diante das más campanhas dos garotos nos mundiais sub-20 e sub-17.
"Fale sobre isso, Zé", foram suas palavras ao cruzar a porta.
Os jovens-homens da sub-20 tinham perdido a ginal para Gana e derramado lágrimas aos pés das Pirâmides do Egito. Ser vice não é um desastre, mas na situação também não dava para comemorar. Era uma seleção formada por jogadores que atuam nos times principais do Brasil e alguns já tiveram seus passes negociados com europeus.
Esperei o final da campanha da seleção sub-17 para conversar aqui com Jesus, e não precisei esperar muito. A garotada, alguns, segundo notícias publicadas, também negociados com times da Europa,, cairam na primeira ronda. Não importa se por terem recebido mais cartões amarelos que outras seleções.
Concordo com o amigo Jesus que as safras não parecem lá essas coisas, embora alguns - Newmar, Coutinho, Alan Kardec e mais um e outro - vivam sendo apresentados como novos Lulinhas, vale dizer, gênios. Lulinha, sabe lá Deus por culpa de quem, está pagando seus pecados no Estoril, da II divisão de Portugal.
Em poucas palavras, Jesus, a "culpa" maior é que vivemos num país pobre - tem alguns felizardos com muito, é verdade - e os garotos que nascem com alguma arte estão se mandando cada vez mais cedo. Têm a cabeça lá fora, e, contrariando alguns, acho que fazem muito bem. Nessa história de futebol, "farinha pouca meu pirão na mão."
Se filhos de ricos podem estudar lá fora, por que eles não podem trabalhar?