Caminho pelas ruas e alamedas do Brooklin aproveitando o sol ainda tênue de uma manhã que logo será mais uma vez abrasadora.
Sem o radinho, acompanhente de tantas jornadas, para não me irritr desde muito cedo com o noticiário político, aproveito para notar e anotar a troca de cores nas árvores frutíferas e no colorido das calçadas.
O amarelo das uvaias já se foi e nova safra só em quatro meses. O vermelho das pitangueiras e o roxo das amoreiras ainda respondem presente, para alegria dos que esperam condução junto aos galhos que dobram.
Nas mangueiras, o branco das flores vai sendo substituido pelo verde dos frutos que ainda se escondem entre as folhas.
É bela a primavera, vou pensando, embora ainda prefira o outono paulistano, quando dou de cara com o sãopaulino Júnior, na esquina da loja do Franquito.
"Zé Maria, pintou o campeão", quase gritou, abindo um sorriso que não entendi de início.
"Quem, cara pálida"", brinquei, já desconfiado que ele se referia ao São Paulo, apesar do empate sofrido de ontem à noite, contra o Grêmio,
Lembro dos dois pontos "perdidos" e das três expulsões - Borges, Dagoberto e Jean - que desfalcarão o time nas próximas partidas.
"Por isso mesmo", surpreendeu-me. Deus mostrou que está do nosso lado ao expulsar o Borges, um fominha, que já devia ter sido rifado, e do Dagoberto, que não transmite segurança ao time e ao torcedor, embora esteja jogando bem.
Para o lugar do Jean, lembrado como bom jogador, Júnior disse que o São Paulo tem bons reservas.
"Quer dizer que o São Paulo vai ser campeão porque não contará com Borges e Dagoberto", perguntei, reiniciando a caminhada. E ouvi já depois de meus vinte passos.
"Está escrito, Zé Maria, está escrito"
Sempre ouvi que o São Paulo é chamado time da fé, mas vai ter fé assim lá em…