Zé Maria Aquino

José Maria de Aquino iniciou com o JT, 66. Prêmio ESSO 68, com Michel Laurence. Placar 70-82, 2 Prêmios Abril. Estadão 82-90. TVGlobo, chefe redação-SP, comentarista Copa-82. Consultor Sportv/Arena. 3 Olimpiads, 4 Mundiais. Tv-Terra e RBTV

16

de
novembro

Cabeça, tronco e membros

Comento jogos dos campeonatos português e alemão e fico intrigado com a quantidade de jogadores atuando não apenas nessas duas ligas, mas em tantas outras espalhadas por lá, incluindo países do oriente europeu, que nunca ouvi falar o nome - dos jogadores, bem entendido.

Em rápidas pesquisas, descubro que muitos nem passaram por clubes brasileiros de primeira e segunda categorias. Muitos, nascidos no norte e no nordeste, jamais passaram pelos campos do Rio, São Paulo, Minas etc. Voam direto de lá para o mundo desconhecido. O Corinthians das Alagoas é uma fábrica.

Nem todos ganham notariedade, nem era de se esperar. Mas alguns encantam, são endeusados e acabam defendendo clubes milionários e seleções importantes. Caso do zagueiro Pepe, do Real Madri e da seleção portuguesa, por exemplo.

Os que fazem voo direto parecem ter cabeça no lugar, tronco forte como pau brasil, membros ligeiros para fugir das botinadas e prolongar o máximo a carreira, para fazer o bom pé de meia.

A sensação que fica é que os que saem daqui cheios de pompa, custando boas fortunas, ganhando manchetes, são mais fracos nesses ou em algum desses quesitos.

Tirando os que fracassam em pouco tempo e voltam antes de enfrentarem a dureza do futebol de lá, por falta de condições técnicas ou psicológicas  - e não são poucos -, a grande maioria dos que retornam o fazem por questão de cabeça, poucos, de tronco, também não muitos, e membro, a maioria.

Falando só de destaques, Leivinha, Casagrande, Falcão, Ronaldo, Edu voltaram por sentirem baleados os membros. Meus amigos Leivinha, que acaba de passar por cirurgia colocando prótese nos joelhos, e Casagrande mal conseguiam subir as curtas escadas que levam ao primeiro andar na Rede Globo.

Cerezo foi uma das exceções. Voltou e suportou a batalha. Outros, como Nilmar, Ricardo Oliveira, Amoroso, por serem ainda jovens e precisarem consolidar o futuro financeiro, vieram, se recuperaram - a medicina está muito mais avançada - e voltaram por cima.

Sócrates é um exemplo de quem foi e sentiu o tronco fraco. A cabeça pensava, mas os membros não respondiam à altura, porque o tronco não suportava o ritmo. Raí, de tronco, membros e cabeça fortes, superou a fase inicial difícil e, contrariando os que o queriam devolver, ficou e venceu. Fato raro.

De tronco e membros fortíssimos, o touro Adriano revelou não ter cabeça com igual potência e acabou, em duas oportunidades, voltando para buscar o equilíbrio necessário. Na primeira o tratamento recebido não foi o suficiente. Nessa segunda, pelo que vem mostrando no Flamengo, parece ir melhor, obrigado.

Como naturalmente será tentado a voltar para a terra do euro ou da libra, resta aguardar para saber como a cabeça suportará. Estará forte como o tronco e os membros, finalmente?

Os jornais italianos hoje falam de seu sucesso no brasileiro e da fase ruim de Ronaldo. Olhando cabeça, tronco e membros dos dois, esperavam o quê, carissimos?   

 

16

de
novembro

Mil gols e as criancinhas

Um amigo pediu para que eu escrevesse sobre o milésimo gol de Pelé, que completa 40 anos dia 19. Escrevi, enviei, mas acho que ele não gostou, já que não acusou o recebimento. Imagino a razão. Veja:

Hoje o mundo comemora quarenta anos do milésimo gol de Pelé // Um momento único, inesquecível, esperado com angústia.// Por ele, seus companheiros e a multidão de torcedores e jornalistas que o seguiam.// Mil gols, uma marca excepcional, que chegaria a mil, duzendos e oitenta e três, marcados na medalha cunhada pela Casa da Moeda.

Uma marca que nenhum outro jogador jamais chegará, por mais que se esforce e force.// Dezenove de novembro de mil novecentos e sessenta e nove.// Maracanã o palco do mundo.// Sessenta e cinco mil, cento e cinquenta e sete pagantes - fora os bicões.//

Pênalti contra o Vasco.

Silêncio, Pelé vai cobrar.// Uma paradinha rápida. Pé direito e bola no canto esquerdo.// Andrade acerta o canto, toca de leve na bola, mas não consegue evitar o que considerava um castigo: ser o goleiro do milésimo gol de Pelé, marca que o acompanharia pela vida.//

Ao contrário de Zaluar, o goleiro do primeiro gol, em sete de setembro de mil novecentos e cinquenta e seis, que ostentava o grande feito no seu cartão de visitas.//

Bola na rede. O público se divide entre aplaudir e silenciar. Os que torciam pelo milésimo gol aplaudem. Os vascainos lamentam.//

Momento de festa eterna e marco para uma grande desilusão.// Não de Andrada, socando o chão. Não dos repórteres que invadiram o campo, enrolando-se com Pelé no fundo da rede, por não poderem todos gritar como fez Geraldo Brotas: "eu cheguei primeiro, eu cheguei primeiro…", enquanto enfiava o microfone na boca de Pelé.

O que ouviu, o mundo ouviu. Entre tantas coisas para dizer, Pelé pediu apenas atenção para as crianças:

"PENSEM NO NATAL DAS CRIANÇAS"

A festa continuou. Pelé vestiu a camisa do Santos com o número mil, deu volta olímpica no estádio, foi aplaudido e pouco depois saiu.

O gol foi marcado aos 32 minutos do segundo tempo, às 23 horas e 23 minutos. Horas, minutos, tempo. temperatura.// Vitória do Santos por 2 a 1, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. //Tudo anotado. Só o pedido de Pelé foi logo esquecido.

Para ele, ao lado da alegria, uma grande decepção

Quarenta anos se passaram e nenhuma providência.//Se o tivessem ouvido, ao invés de chamá-lo de demagogo, a data hoje poderia ser comemorada lotando o Maracanã de avós, filhos e netos ligados às criancinhas para as quais ele, o Rei, pediu atenção.

E todos poderiam formar no gramado uma frase bem simples: OBRIGADO AUTORIDADES, MIL VEZES OBRIGADO.

Em 2019 estaremos comemorando 50 anos do milésimo gol de Pelé. Veremos as mesmas imagens, ouviremos os mesmos discursos, encontraremos os bisnetos dos trombadinhas nas esquinas.

 

15

de
novembro

Férias

A Fifa puniu Maradona com dois meses de suspensão por ofender jornalistas argentinos.

Dois meses? Com fim em janeiro de 2010?

Belas férias.

 

15

de
novembro

“Just in case”

O brasileiro está bombando, como dizem os da moda. Até a Poderosa, favorável à volta dos mata-mata, mostrando que não mistura os fatos e que não se nega a divulgar o que está acontecendo, vem elogiando o torneio nessa arancada final, que mantêm pelo menos três times embolados na briga pelo caneco.

Fora os erros dos árbitros, naturais e que sempre existiram, posto que seres humanos, apenas mais expostos deste o advento da televisão, uma das razões para um campeonato emocionante é a divulgação antecipada da tebela e seu cumprimento a todo custo.

Assim como a aplicação da lei, com julgamentos e decisões às vezes contestadas como fazem com as arbitragens. Nada exagerado, como querem fazer parecer.

O São Paulo acaba de ser punido com perda do mando de uma partida, porque um torcedor, do Piaui - não é nem vizinho do Sarney -, invadiu o gramado. Não queria bater em ninguém,  só festejar. Mas indaviu e a lei é clara.

O jogo em que o São Paulo deverá pagar a punição é contra o Sport, já rebaixado. Antes joga com o Botafogo, no Rio, e o Goiás, em Goiânia.

O São Paulo pode chegar na rodada final fora da luta pelo título, e até querer jogar bem longa de sua torcida

Pode chegar à rodada final brigando contra um ou dois adversários - Palmeiras e/ou Flamengo. Caso em que seria justo cumprir a punição, doa a quem doer. Sua torcida que bote as canelas nas estradas.

Mas pode, também, já ter garantido o título com uma rodada de antecedência. Ganhando de Botafogo e Goiás, com seus adversários perdendo pontos que não poderiam.

Neste caso, para o bem do futebol, como diz meu grande amigo Antônio Carlos Ferreira, e para mostrar que no meio de tanto amadorismo ainda existem cabeças que pensam nele profissionalmente - por que não fazê-lo cumprir a pena no campeonato de 2010 e permitir que o jogo seja no Morumbi, com recorde de público, de renda e de muita festa, que não prejudicaria ninguém?

15

de
novembro

A paulicéia amanheceu alvi-rubra

Papa goiaba de nascimento, paulistano por adoção, mantendo fielmente as duas "nacionalidades", sei, e convivo com ela, que a legião de nordestinos na paulicéia desvairada, ajudando, e como, a construir sua grandeza, é imensa e importante.

Mas nunca imaginei que, de forma invisível, é verdade, vivessem por aqui tantos pernambucanos e, mais que isso, tantos apaixonados pelo Náutico Capibaribe.

A gente não vê em seus peitos a camisa alvi-rubra, mas sente em seus olhares, na ansiedade que vivem esta manhã a espera do resultado final da partida contra o Flamengo, marcada para as 19;30, o que prolonga a expectativa dessa massa de pernambucanos que de repente tomou conta da cidade e, acredito, do Estado. 

Embora jurem que não, que são torcedores do Náutico desce criancinha, sinto e sei que na verdade são sãopaulinos tentando secar o Flamengo, que briga com o São Paulo pelo título brasileiro, assim como os rubro-negros secaram ontem à noite o tricolor paulista diante do Vitória. Não sem se declararem baianos do Pelourinho.

Torcida vale? Um pouco, quando no estádio lotado e para um time competente. "Secar" adianta, nada, a não ser para aumentar a descarga de adrenalina - o que às vezes faz mal.

Sem vestir a camisa alvi-rubra ou a rubro-negra, preferindo a branca da paz, fico só na análise fria que a profissão exige. E ela me diz que dá Flamengo. O São Paulo se quiser ser campeão que vença seus jogos, assim como Flamengo e Palmeiras.

13

de
novembro

Chega a hora em que Ele dá um basta

Você e sua acompanhante falam, falam, falam. Falam tudo o que querem e não deixam ninguém mais falar. Não escutam. Ler? Cansa. Sabem tudo e não veem nada. São os donos da verdade, os outros são os donos da mentira. Acham que todos os que não estão do seu lado, estão contra você. Como um deus e uma deusa.

Até que o Verdadeiro resolve dar um basta. Manda raios, trovões e chuva. Provoca um apagão, ou seja lá o que as diversas correntes quiserem.

O que Ele quer é apenas obrigá-los a ouvir. A não ficarem apenas falando, falando, falando, mas tendo de responder também, algo muito mais difícil, que exige argumento e não apenas jogo de cintura. Um jogo sério, longe da linguagem do futebol.

Existem muitos deuses e deusas. Um só Verdadeiro, capaz de provocar apagão para dele fazer nascer a luz.

13

de
novembro

Quando vale a pena

Tive um amigo, que já se foi, que gostava de dar seus pulinhos. A mulher era brava, desconfiava, o vivia ameaçando, mas ele sempree scapava.

Uma tardinha ele chegou em casa e a mulher, espanhola durona, gritou quando antes que ele fechasse a porta": "olha aqui, agora quero ver você negar. A serigaita teve coragem de jogar esse bilhete debaixo da porta", dizia mostrando o pedaço de papel.

Meu amigo, como sempre fazia, não perdeu a calma e foi para o diálogo: "que é isso amor - chamar de amor, dizia, funciona . Pare com esse ciume exagerado que isso faz mal…

Enquanto falava de amor e ciume, pegou o bilhete, rasgou em pedacinhos, colocou-os na boca e engoliu. Depois de passar três minutos, voltou ao diálogo.

"Como já disse, amor, esse ciume te faz mal. De que bilhete e de que serigaita você está falando. Pare com isso amor. Pense bem…..

No dia que Simon - verdade ou mentira? - disse que Obina hvia confessado a falta aos bandeirinhas, o atacante pulou fora e o desmentiu. E ele seria louco de falar, mesmo que fosse verdade?

Hoje, Danilo, autor do gol de empate do Palmeiras com o Sport, que está provocando tanta confusão, disse que ouviu "alguma coisa" (o apito do árbitro)

Louco? Nada disso, já disseram a ele que nada deverá acontecer, mas que uma das hipóteses (remotas) é a realização de outra partida. Quer melhor, para um time que perdeu dois pontos para um rebaixado? Seria mamão com açúcar.

Agora, analise bem a do árbitro. Entre confirmar o gol,  levar peitadas dos jogadores do Sport ou anulá-lo, tendo de enfrentar a fúria dos palmeirenses, dentro, fora do campo e até no inferno, que decisão valeria a pena tomar?

Engolir o bilhete e negá-lo até a morte, ou correr o risco de morrer?

13

de
novembro

Puxando sardinha

Analisando a campanha do São Paulo no brasileiro e pinçando os jogos que eram considerados, digamos, fáceis, mas o tricolor acabou tropeçando, Rogério Ceni chegou à conclusão fácil de que seu time já poderia ter conquistado o tetra.

Ora, ora, Rogério. Se os outros times fizessem a mesma pesquisa, anulando os jogos fáceis que perderam, a situação estaria na mesma. Talvez até pior, porque o  Corinthians haveria de querer usar do mesmo direito.

Caro Rogério, o futebol tem graça exatamente por isso - porque as zebras não prevalecem, mas dão as caras a todo instante.

Sem zebra e erros de arbitragem, seria uma chatice. Técnicos não precisariam fazer ginástica para explicar as derrotas e dirigentes sérios, competentes não falariam tanta bobagem quando de cabeça quente

E acabariam as mesas redondas que nos aliviam e divertem tanto.

12

de
novembro

Placa no Parque Antártica

Não sei se ainda estão lá, Deus queira que não. Até a instalação do Museu do Futeboil - excelente idéia - numa das dependência do estádio Paulo Machado de Carvalho, Pacaembu, existiam na sua entrada uma dúzia de placas comemorando, com raras exceções, datas e feitos ridículos.

Reforma dos banheiros, pintura do estádio e um gol marcado por Geraldão num jogo comum, contra um adversario que nada dizia. Geraldão defendia o Corinthians, a placa foi mandada confeccionar por um jornal e era a maior de todas. Triste.

Uma placa bem que poderia ser cunhada e colocada no vestiário do Palmeiras para que todos os jogadores, criados na Academia desde os dentes de leite ou contratados a bom preço, pudessem ler todos os dias até assimilarem sua mensagem e saberem recitá-la.

A placa teria as palavras do goleiro Marcos após o empate 2 a 2 com o Sport, quarta-feira. Leia:

"Quando é contratado para jogar no Palmeiras, o cara acha que vai ganhar 40, 50 mil por mês, que a torcida vai só apoiar, vai sair na rua e pegar as menininhas, mas não sabe que o time vai ter cobranças para ganhar? Se tem capaciade para ganhar um filho, tem capacidade para suportar pressão. Ganha bem para isso"

As palavras de Marcos valem para todos os times.

12

de
novembro

É preciso experiência, mas não só experiência

Em 1979, no final de carreira, Pedro Rocha, um dos maiores em todos os tempos, foi contratado pelo Palmeiras para dar experiência e ensinamentos ao time que disputaria a Libertadores.

Entre outras coisas, Rocha ensinou que um time deve suportar todas as provocações quando está ganhando e que deve provocar, com inteligência, quando está perdendo.  Na primeira, precisa não perder o equilíbrio; na segunda, deve tentar desequilibrar o adversário.

Mas contou também que não bastava contar com jogadores experientes como ele. Era preciso ter um bom elenco,  com jogadores jovens. Da mescla se forma um bom time.

A receira, dada há 30 anos, não era exclusividade de Pedro Rocha e hoje qualquer garoto de 8 anos sabe repeti-la. Difícil, muitas vezes, é encontrar os jogadores certos - tanto os experientes como os mais jovens.

O Corinthians vive há alguns meses esse dilema. Quer montar um grande time, equilibrado como manda a receita, sabe quais jogadores procurar, mas encontra obstáculos aparentemente intransponíveis. Namora Riquelme que jura amor ao Boca Junior; sonha com Lucas, mas não pode pagá-lo. E a lista de desilusões vai crescendo.

Lembra de Roberto Carlos, que é oferecido também ao Santos e provavelmente a outros clubes, segundo dizem porque tenta recuperar parte da fortuna que perdeu com a separação da primeira mulher e com seu antigo procurador - uma história na milésima edição.

O Corinthians não tem caixa para pagar a Roberto Carlos quase igual a Ronaldo, e ele não tem patrocinador como tem o Fenômeno. Seu custo benefício é péssimo. O que talvez seja um lance de sorte do Timão.

Roberto Carlos seria um bom reforço a preço nacional e em um time com jogadores que corressem por ele, como fazem por Ronaldo. Mesmo assim, seria sempre bom lembrar que uma vez é colocar as mãos na cintura jogando no ataque e outra é estando na defesa.

Ou, como diz Rubens Miinelli: "cabelos brncos é respeito, bigode branco é velhice."

11

de
novembro

Quem fica parado a onda leva

Já contei aqui a história do libanês Felipe que colocou o filho Felix, 6, apelidado Buru, no balcão da loja e mandou que ele se atirasse. O garoto fez o que o pai mandou e deu com a cara no chão. Depois de chorar, ouviu um conselho: "isso é para que você não acredite nem em "babai".

O grande Castilho ensinava que goleiro deve ficar de olho na bola desde que entra em campo, mesmo quando nas mãos do gandula.

Só atacante é que não deve continuar na jogada e chutar para gol quando o árbitro apita. Corre o risco de levar amarelo, mas também de ver o gol confirmado.

Falei de atacante, porque defensor e goleiro tem de ir na bola, fazer a defesa e depois reclamar.

Magrão não aprendeu essa lição e ficou paradão no lance do segundo gol do Palmeiras.

Tudo bem que se ele se jogasse na bola e ela entrasse do mesmo jeito, estariam dizendo agora que não houve apito nenhum, tanto que ele foi para a defesa.

Como o árbitro escondeu o apito depois de tirá-lo da boca, vai negar até a aposentadoria que não apitou, e que apenas estava coçando os lábios, o Magrão vai mesmo chorar na cama.

Como disse Belluzzo, citando seu pai, ex-Desembargador, "da cabeça de árbitro e de bumbum de criança nunca se sabe o que vai sair."

O que saiu ontem no Parque Antártica respingou no Sport.

11

de
novembro

João sem braço

Para não dizer que não ouviu falar de mala branca, o Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista abriu sindicância e hoje ouviu dois jogadores - Val Baiano e Renê - e um dirigente do Barueri, time envolvido na história.

Além deles, como convidado, foi ouvido Mano Menezes, técnico do Cor9inthians, que na época, pelo que foi divulgado, disse saber da existência desse tipo de incentivo e achava normal.

Ouvidos, a conclusão a que o TJD deve ter chegado é que a mala sumiu - por isso nem se sabe de que cor era ela.

Com tanta gente dando uma de joão sem braço, como vão querer encontrar a mala branca? Sem braço, não dá para carregá-la..

11

de
novembro

Extra, extra, extra

O culpado pelo apagão foi Deus.

O Ministro Lobão acaba de dizer que o apagão aconteceu por que houve uma série de desgargas elétricas muito fortes no interior do Paraná

Não falam que Deus é brasileiro?.

11

de
novembro

Seguro morreu de velho

As autoridades estão reunidas para descobrir o(s) motivo(o) do apagão ontem à noite.

Já ouvi umas dez. A mais ridícula é de que o apagão foi provocado por chuva muito forte. Mais do que as que alagaram Santa Caterina? Mais do que a que levou meu carro no Morumbi? Brincadeira tem hora, que não é agora.

Darão mais dez, e ninguém concordará com ninguém.

Na dúvida, porque não sou pessimista para dizer na certeza - fiz meu estoque hoje: velas de dois metros, lanternas, pilhas e apitos. Isso mesmo apitos, para tentar espantar os amigos do alheio - que só não fizeram a festa ontem, porque não estavam previnidos.

Mas na próxima….

11

de
novembro

Timão entrega para o Mengão?

Nessa eu não entro, não.

Sumidos da esquina do Franquito, onde sempre aparecem para o cafezinho frio e fraco, Júnior e Beto Pezão marcaram ponto depois do almoço, por conta do boato de que Mano Menezes "entregará" o jogo para o Flamengo, só para prejudicar o São Paulo - e, por tabela, por que não? ao Palmeiras.

Pezão, equilibrando-se bem com seus tênis 49, faz a bola rolar,

- Somos irmãos do Flamengo e eles já podem contar com os três pontos do jogo contra o Timão.

- Também acho, diz Júnior, mas é porque eles são muito melhores que vocês e não porque vocês querem entregar os pontos.

- Seja como for, rebate Pezão, vamos ferrar vocês.

- Você é mesmo um bobão, Pezão. Aprenda a fazer contas. Vamos ganhar todas as partidas que faltam e de nada adiantará vocês perderem para eles. É questão de competência.

Como sempre, nesse ponto do papo me despeço. O Lucas me espera.

11

de
novembro

Maldade eu não aceito

Torcedores sãopaulinos telefonam e mandam e-mail dizendo saberem como Luiz Gonzaga  Belluzzo, presidente do Palmeiras, conhece a existência de esquemas escusos no futebol.

E quando, inocente, indago do que se trata, respondem rapidinho

"Ele conhece o esquema Parmalat, que deu tantas glórias ao seu Verdão.

Maldade.

11

de
novembro

À moda do Corinthians

Inimigos nada fidagais, pelo menos depois da posse de Andrés Sanches, em pelo menos uma coisa o São Paulo de Juvenal Juvêncio se identifica com o Corinthians.

No olho gordo para cima do bolso do torcedor, quando o time dá uma melhoradinha.

Por isso, o tricolor decidiu aumentar em 33% o preço dos ingressos para o jogo contra o Vitória, sábado no Morumbi. E a Independente que se prepare, porque se o time continuar ganhando, o preço irá aumentando.

Por que a Independente? Ora, porque a turma das cadeiras tem lá suas vantagens e mordomias. Ora se tem.

11

de
novembro

Qual será o próximo?

Depois de pensar muito entre ficar no Grêmio para tentar ganhar o título que queria e os milhões de dólares do Catar, Paulo Autuori optou pela segunda proposta e lá se vai.

Na sua vita profissional não é surpresa sua saída. Está provado que ele não gosta de ficar muito tempo no futebol brasileiro, preferindo deixar saudade, com os clubes lembrando dos títulos que conquistou com Cruzeiro e São Paulo

Qual será o próximo time daqui a ir buscá-lo dentro de um ano e vê-lo novamente bater asas para muito longe?

Paulo é pedra que rola e por isso não cria limo.

10

de
novembro

Calcinhas e cuecas

A bronca para cima da "moça dos olhos verdes", começou porque ela usava uma saia tão curta, mas tão curta, que na certa deixava à mostra sua calcinha.

Agora, depois do sai, não sai, fica, não fica, a direção da escola decidiu promover uma série de palestras sobre Educação e Cidadania. O convite para a primeira palestra não podia ser mais acertado. Nem a data; sexta-feira 13

O palestrante é o Senador Eduardo Suplicy.

E a indagação não pode ser outra.

Estará ele usando aquela cueca vermelha sobre as calças?

 

10

de
novembro

Como Belluzzo reagiria e falaria hoje?

Como impossível é Deus pecar, e estamos no tempo do Advento, digamos que é quase impossível aparecer uma imagem provando que Simon marcou com acerto uma falta de Obina antes que ele cabeceasse a bola para o gol - o que significa não haver gol anulado, porque a ação foi invalidada antes,

Dessa forma, toda contestação por parte de torcedores e dirigentes do Palmeiras - nada ouvi de jogadores - -é válida. Válida, mas exagerada. E o exagero costuma diminuir a razão Simon e muitos árbitros têm errado prejudicando vários times, se não todos.

Assim como todos os times que se sentiram prejudicados, de alguma forma, reclamaram, gritaram, tentaram tirar proveito do erro de ontem na partida de amanhã.

Mas nunca a grita foi tão forte, tão demorada, tão reveladora de que os entrevistados estavam fora do plumo. Exageraram, chegando ao ponto de, no caso do presidente, cometer a bobagem de pedir, em outras palavras, a torcedores para que acertem as contas com Simon. Falando com torcedores violentos, palavras do gênero podem se transformar em bumerangue.

Entendo que o presidente do Palmeiras, depois de admitir no início do campeonato que a classificação para a Libertadores era o projeto maior, tenha mudado o foco, quando viu o time, com seus méritos, ficar próximo do título, que ainda pode conquistar. É natural e correto.

Ninguém se sente feliz com a quina depois que começa a sentir a sensação maior de poder fazer a sena. Mas não é o ideal abandonar uma postura amplamente conhecida como de um cavalheiro. E Belluzzo é um cavalheiro.

As ameaças, o desejo de esbofetear Simon, a insinuação para que torcedores cometam o que eles mais gostam e esperam a chance de fazer, mais ainda quando empurrados pelo presidente, tudo isso foi um exagero. Perigoso

Digo foi, porque, se bem o conheço, hoje, ao olhar-se no espelho, cabeça mais - sangue de palestrino já demora um pouco mais - frio, Belluzzo deve estar dizendo com seus botões: "é duro esperar 15 anos para ser novamente campeão brasileiro e sentir medo de que não aconteça, de qualquer forma, exagerei. Sei que exagerei". 

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